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Tecnologia

Amazon pede que engenheiros reduzam o uso excessivo de IA após incentivar exatamente o contrário

A Amazon mudou sua estratégia para inteligência artificial e agora alerta engenheiros contra o uso exagerado da tecnologia, depois de incentivar funcionários a consumir mais recursos de IA.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante meses, empresas de tecnologia estimularam seus funcionários a utilizar inteligência artificial em praticamente todas as tarefas. Algumas chegaram a criar rankings para premiar quem mais consumia recursos dessas ferramentas. Agora, a Amazon está revendo essa lógica. A companhia reconheceu que medir produtividade pela quantidade de IA utilizada pode estimular desperdícios, aumentar custos e produzir resultados que não necessariamente beneficiam os clientes.

Amazon muda de estratégia e questiona o uso excessivo de IA

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© Pexels

A Amazon está repensando a maneira como seus engenheiros utilizam inteligência artificial. Em um memorando publicado em 27 de outubro de 2026, a empresa reconheceu que indicadores baseados no consumo de IA podem transmitir uma impressão equivocada sobre a produtividade dos funcionários.

O documento foi assinado por Terk Terkowitz, vice-presidente e engenheiro de destaque da divisão de lojas da companhia. A orientação é clara: utilizar mais inteligência artificial não significa necessariamente trabalhar melhor.

A mudança chama atenção porque, meses antes, a Amazon acompanhava o uso dessas ferramentas por meio de indicadores internos. Alguns funcionários chegaram a competir para demonstrar quem consumia mais tokens, unidades utilizadas pelos modelos de IA para processar informações.

Essa prática ficou conhecida como tokenmaxxing, expressão que descreve o consumo exagerado de tokens para melhorar indicadores de utilização.

O problema é que cada interação com modelos de IA envolve custos computacionais. Quando funcionários utilizam essas ferramentas apenas para aumentar suas estatísticas, a empresa pode gastar mais sem obter benefícios proporcionais.

Rankings internos estimularam comportamentos inesperados

Em maio de 2026, a Amazon encerrou um ranking interno conhecido como KiroRank, que acompanhava a utilização de ferramentas de inteligência artificial.

Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, alguns trabalhadores estavam utilizando IA em atividades desnecessárias para melhorar suas posições nas classificações.

O episódio revelou uma contradição: ferramentas desenvolvidas para aumentar a eficiência estavam sendo utilizadas de maneira pouco produtiva justamente porque a empresa valorizava indicadores de adoção.

A situação não ficou restrita à Amazon. Empresas como Meta e Microsoft também experimentaram mecanismos para acompanhar o consumo de tokens entre seus funcionários.

Na Microsoft, a preocupação com os custos levou à implementação de controles orçamentários para determinadas equipes. O objetivo passou a ser equilibrar o uso da tecnologia com os resultados efetivamente entregues.

Esses episódios mostram como a pressão pela adoção acelerada da inteligência artificial pode gerar incentivos contrários à eficiência que as empresas pretendem alcançar.

Empresa admite que usar mais IA não significa produzir melhor

No novo memorando, a Amazon reconhece que métricas como quantidade de tokens consumidos, linhas de código produzidas e número de revisões realizadas apresentam limitações importantes.

A companhia agora recomenda que gestores analisem tanto as equipes que utilizam pouca inteligência artificial quanto aquelas que apresentam consumo elevado.

O objetivo é descobrir se a adoção da tecnologia realmente está melhorando a entrega de produtos e serviços.

A orientação também reconhece que determinadas atividades podem não se beneficiar das ferramentas disponíveis atualmente. Nesses casos, os engenheiros devem explicar suas conclusões, em vez de utilizar IA apenas para demonstrar adesão à tecnologia.

Apesar da mudança, a Amazon não estabeleceu um limite geral de consumo de tokens e continua incentivando seus funcionários a aprender e incorporar inteligência artificial ao trabalho.

O posicionamento pode ser consultado no memorando oficial publicado pela Amazon.

O que a decisão da Amazon revela sobre o futuro da inteligência artificial?

A mudança representa uma discussão cada vez mais importante no setor tecnológico: como distinguir a adoção de inteligência artificial dos ganhos reais de produtividade?

Para empresas que investem bilhões de dólares em infraestrutura e ferramentas de IA, o desafio não está apenas em estimular funcionários a utilizar novos sistemas. Também é necessário demonstrar que esses investimentos reduzem custos, melhoram processos ou aceleram entregas.

O caso da Amazon evidencia os riscos de transformar indicadores de utilização em objetivos corporativos.

Quando o sucesso é medido pelo número de interações com uma ferramenta, os funcionários podem ser incentivados a aumentar o consumo, mesmo quando isso não melhora seu desempenho.

A nova orientação não representa um abandono da inteligência artificial. Pelo contrário, a Amazon considera que a tecnologia continuará ocupando um papel central no desenvolvimento de software.

A diferença é que a empresa pretende dar mais importância ao julgamento humano, à qualidade das entregas e ao impacto para os clientes.

Em outras palavras, a pergunta deixa de ser quanto uma pessoa utiliza inteligência artificial e passa a ser o que ela realmente consegue produzir com essa tecnologia.

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