O Brasil ampliou seu peso na produção de hidrocarbonetos da América Latina e do Caribe. Em maio de 2026, respondeu por 41% do petróleo e 26% do gás natural produzidos na região, segundo levantamento da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia, a OLACDE. No gás, a participação brasileira superou a da Argentina, que ficou com 20%.
O recorte temporal importa: embora o relatório tenha sido divulgado em outubro, a comparação se refere a maio. Os números mostram a posição dos países naquele mês, sem representar o resultado consolidado de todo o ano.
Brasil assume a dianteira no gás

De acordo com o balanço publicado pela OLACDE, a produção regional de gás natural alcançou 25,1 bilhões de metros cúbicos em maio. O volume cresceu 3% tanto em relação a abril quanto na comparação com maio de 2025.
Depois de Brasil e Argentina, Trinidad e Tobago apareceu com 17% da produção regional.
México respondeu por 9%, enquanto Bolívia e Venezuela tiveram 8% cada. Juntos, esses seis países concentraram 88% da extração, conforme os dados reproduzidos pela Bloomberg Línea.
A reportagem também aponta uma mudança em relação ao início do ano. Em janeiro, a Argentina representava 21% da produção regional, impulsionada por Vaca Muerta, enquanto o Brasil tinha 13%. Em maio, a ordem se inverteu.
Essa troca de posições não significa, por si só, que a produção argentina tenha diminuído. A participação de um país depende também do desempenho dos demais e da evolução do total regional.
Petróleo tem liderança brasileira mais ampla
No petróleo, a distância entre o Brasil e os outros produtores foi maior. O país concentrou 41% da produção regional em maio, seguido por México, com 17%, e Venezuela, com 12%.
Guiana e Argentina responderam por 8% cada. Colômbia teve 7%, Equador ficou com 4%, e os demais países somaram 2%.
Ao todo, América Latina e Caribe produziram 307 milhões de barris naquele mês. O resultado representou alta de 6% sobre maio de 2025 e de 4,8% em relação a abril. Brasil, México e Venezuela reuniram 70% do volume.
O pré-sal sustenta a escala brasileira
Os dados nacionais divulgados pela ANP ajudam a explicar o peso do Brasil. Em maio, o país extraiu 4,301 milhões de barris de petróleo por dia, crescimento de 16,9% em um ano.
A produção de gás natural chegou a 206,06 milhões de metros cúbicos diários, alta anual de 19,6%.
O pré-sal respondeu por 80,5% da produção brasileira conjunta de petróleo e gás, medida em barris de óleo equivalente. Os campos marítimos, por sua vez, concentraram 98,1% do petróleo e 88,9% do gás extraídos no país.
Produzir mais gás não significa entregar tudo ao mercado

Há uma diferença importante entre a extração registrada no ranking e a oferta efetiva. Dos 206,06 milhões de metros cúbicos diários produzidos pelo Brasil em maio, 60,83 milhões chegaram ao mercado, segundo a ANP.
A agência acompanha separadamente produção, reinjeção nos reservatórios, consumo nas próprias instalações, queima, perdas e gás disponível. Por isso, a liderança na extração não equivale automaticamente à maior capacidade de abastecimento ou exportação.
Essa distinção aparece nas próprias séries de dados abertos da ANP, que permitem analisar o destino do gás depois de sua retirada do subsolo.
A região ainda depende de fornecedores externos
O crescimento da produção convive com um comércio energético fortemente conectado a mercados de fora da região. Em maio, destinos extrarregionais receberam 91% do valor das exportações de petróleo da América Latina e do Caribe.
No gás natural, fornecedores externos responderam por 81% do valor importado. Esses percentuais medem valores monetários, e não volumes físicos ou parcelas do consumo.
O levantamento mostra, portanto, duas realidades simultâneas: o avanço brasileiro na produção e a permanência de fluxos comerciais que ultrapassam as fronteiras latino-americanas. Para avaliar o abastecimento, o ranking precisa vir acompanhado de outra conta: quanto dessa produção efetivamente chega aos mercados consumidores.