O mercado global de café enfrenta uma das semanas mais tensas do ano. A forte alta nos preços internacionais refletiu não apenas o clima seco no Brasil, mas também o temor gerado pela decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A reação imediata foi sentida nas bolsas e no mercado interno, deixando o setor cafeeiro em alerta diante de um cenário incerto.
Pressão climática e temor por tarifas impulsionam os preços

Nesta segunda-feira, os contratos de café nas bolsas internacionais encerraram o dia com fortes ganhos. O café robusta teve valorização superior a 9%, enquanto o arábica voltou a ser negociado acima dos US$ 3 por libra-peso.
Segundo o portal Barchart, a seca severa em Minas Gerais na última semana fez os fundos cobrirem posições vendidas, provocando uma corrida por novos contratos. A ausência de chuvas na principal região produtora do Brasil foi o primeiro fator de impacto.
O segundo veio da política externa: os EUA anunciaram que, a partir de 1º de agosto, aplicarão uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o que inclui o café. Analistas afirmam que a medida pode ter efeitos devastadores para o setor, já que os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro.
Impactos imediatos e preocupação crescente no setor
Laleska Moda, analista da Hedgepoint Global Markets, destaca que cerca de 30% das importações americanas de café são provenientes do Brasil. A taxação pode encarecer o produto para os americanos e provocar mudanças relevantes no fluxo global de comércio do grão.
Para Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, a medida é ilógica e prejudica tanto os cafeicultores brasileiros quanto os importadores norte-americanos. Ele acredita que o setor dos EUA deve pressionar o governo para reverter a decisão.
Haroldo Bonfá, da Pharos Consultoria, acrescenta que o cenário deve manter a volatilidade elevada nas próximas semanas. Para ele, o país precisará negociar com agilidade para evitar prejuízos no cumprimento de acordos comerciais.
Cotações nas bolsas e reflexo imediato no mercado interno
Na Bolsa de Nova York, o arábica fechou com alta de até 1.710 pontos, atingindo US$ 3,0570/lbp no contrato de julho/25. Já o robusta, negociado em Londres, avançou até US$ 310, chegando a US$ 3.821/tonelada no mesmo vencimento.
No Brasil, o mercado físico acompanhou as altas. Em Franca/SP e Varginha/MG, o arábica Tipo 6 foi negociado a R$ 1.920,00/saca. Em Campos Gerais/MG, chegou a R$ 1.880,00. O cereja descascado, por sua vez, ultrapassou os R$ 2.000,00 em algumas praças.
Com estoques historicamente baixos, clima instável e crescente incerteza política e econômica, o café volta ao centro das atenções globais — e tudo indica que os próximos capítulos serão ainda mais turbulentos.
[Fonte: Notícias agrícolas]