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Tecnologia

Uma fibra óptica experimental alcançou 3,2 petabits por segundo: entenda como funciona

Pesquisadores chineses alcançaram uma velocidade extraordinária de transmissão de dados usando uma fibra óptica experimental. A inovação pode transformar as conexões entre supercomputadores e centros de inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Em 2007, o primeiro iPhone chegava às lojas, o YouTube ainda estava começando a conquistar o mundo e a internet doméstica era muito mais lenta. Naquela época, a humanidade possuía uma capacidade de armazenamento digital e analógico considerada gigantesca. Quase duas décadas depois, um experimento realizado na China demonstrou uma velocidade de transmissão capaz de transportar um volume equivalente em poucos minutos. O segredo está em uma mudança surpreendente na estrutura dos cabos.

China alcança velocidade de 400 terabytes por segundo em fibra óptica

Pesquisadores liderados pelo China Information and Communication Technologies Group (CICT) anunciaram, em outubro de 2026, uma transmissão experimental de 3,2 petabits por segundo.

Isso equivale a impressionantes 400 terabytes de dados transmitidos a cada segundo.

Para dimensionar o resultado, os responsáveis pelo projeto compararam essa capacidade à transferência teórica de mais de 20 mil filmes em resolução 4K por segundo.

O experimento utilizou uma fibra óptica de 10,3 quilômetros e contou com a participação de especialistas do laboratório Pengcheng e da FiberHome Fujikura.

A velocidade representa um avanço de 28% em relação aos 2,5 petabits por segundo anteriormente alcançados pelo mesmo grupo.

Mas existe uma comparação ainda mais impressionante.

Um estudo publicado na revista Science, em 2011, por Martin Hilbert e Priscila López, estimou que a capacidade tecnológica mundial de armazenamento em 2007 era de aproximadamente 295 exabytes.

Dividindo esse volume pela velocidade obtida na China, a transmissão levaria apenas 737,5 segundos, ou 12 minutos e 17,5 segundos.

É importante destacar que essa é uma comparação matemática, não uma transferência realmente realizada. Os 295 exabytes também representam capacidade de armazenamento, e não todo o conhecimento humano.

O segredo da tecnologia está em 24 núcleos dentro de uma única fibra

A principal inovação está na arquitetura utilizada pelos pesquisadores.

Enquanto uma fibra óptica convencional possui um núcleo responsável por transportar sinais luminosos, o novo sistema utiliza 24 núcleos independentes.

Isso permite transmitir múltiplos fluxos de informação simultaneamente, sem precisar instalar 24 cabos separados.

Os cientistas também combinaram três faixas do espectro óptico, conhecidas como bandas S, C e L.

Cada uma utiliza diferentes comprimentos de onda, ampliando a quantidade de canais disponíveis.

Entretanto, aumentar a capacidade não é tão simples quanto adicionar novos núcleos.

Os sinais precisam permanecer estáveis e evitar interferências entre os diferentes caminhos de transmissão.

Outro diferencial destacado no experimento foi o processamento dos sinais em tempo real, utilizando componentes considerados compatíveis com tecnologias comerciais.

Essa característica aproxima a pesquisa de possíveis aplicações industriais, embora ainda existam obstáculos importantes.

O resultado impressiona, mas não é o recorde absoluto de transmissão

Apesar da velocidade extraordinária, a China não conquistou o maior resultado já registrado em uma única fibra óptica.

Em 2023, pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e das Comunicações do Japão (NICT) anunciaram uma transmissão experimental de 22,9 petabits por segundo.

A diferença está nas condições e nas arquiteturas utilizadas.

O avanço chinês se destaca especificamente pela transmissão bidirecional em tempo real, utilizando uma configuração que seus desenvolvedores consideram mais próxima da aplicação comercial.

Portanto, o recorde anunciado corresponde a essa categoria particular, e não à velocidade absoluta de transmissão óptica.

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© Funtap – Shutterstock

A inteligência artificial pode ser uma das maiores beneficiadas

O crescimento da inteligência artificial está aumentando rapidamente a necessidade de movimentar informações entre milhares de processadores.

Em grandes centros de dados, conexões insuficientes podem limitar o desempenho mesmo quando existem equipamentos computacionais poderosos.

Segundo estimativas dos engenheiros envolvidos, instalações dedicadas à IA poderão precisar de cinco a dez vezes mais fibra óptica do que centros de dados tradicionais.

Multiplicar a capacidade dos cabos sem aumentar proporcionalmente sua quantidade poderia reduzir parte dessa pressão sobre a infraestrutura.

A tecnologia também apresenta possibilidades para supercomputadores, redes nacionais de telecomunicações e futuras estruturas de comunicação 6G.

Entretanto, o experimento ainda está distante de uma implantação comercial em larga escala.

As transmissões foram realizadas em 10,3 quilômetros, enquanto grandes redes precisam funcionar por centenas ou milhares de quilômetros.

O próximo objetivo pode tornar essa comparação ainda mais surpreendente

Os pesquisadores chineses já trabalham com uma meta mais ambiciosa: alcançar 10 petabits por segundo.

Caso essa velocidade seja demonstrada em condições adequadas, transmitir um volume equivalente aos 295 exabytes de capacidade de armazenamento mundial de 2007 levaria menos de quatro minutos.

Antes disso, será necessário aperfeiçoar amplificadores, componentes ópticos e processos de fabricação, além de demonstrar estabilidade em distâncias maiores.

O avanço não significa que conexões domésticas alcançarão essas velocidades em breve.

O verdadeiro potencial está em multiplicar a capacidade das redes que conectam centros de dados, sistemas de inteligência artificial e infraestruturas digitais.

O experimento mostra como uma mudança na estrutura interna de uma fibra pode ampliar radicalmente a quantidade de informação transportada.

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