A morte do Papa Francisco, aos 88 anos no Vaticano, comoveu profundamente os líderes políticos da América Latina. O primeiro pontífice nascido no continente deixou uma marca única e espiritual em milhões de fiéis e também nas mais altas autoridades, que expressaram pesar e gratidão por sua trajetória marcada pela humildade e a defesa dos pobres. Em mensagens públicas e comunicados oficiais, presidentes e chefes de Estado ressaltaram sua figura como um verdadeiro símbolo de fé, justiça e esperança.
Argentina e Brasil: dor e reconhecimento
ADIÓS
Con profundo dolor me entero esta triste mañana que el Papa Francisco, Jorge Bergoglio, falleció hoy y ya se encuentra descansando en paz. A pesar de diferencias que hoy resultan menores, haber podido conocerlo en su bondad y sabiduría fue un verdadero honor para mí.… pic.twitter.com/3dPPFoNWBr— Javier Milei (@JMilei) April 21, 2025
Na Argentina, o presidente Javier Milei decretou sete dias de luto e emitiu uma nota reconhecendo a grandeza do Papa, mesmo diante de eventuais divergências. “Foi uma honra conhecê-lo em sua bondade e sabedoria”, escreveu, definindo Francisco como “um Santo Padre” e homenageando-o também como compatriota e homem de fé.
Já no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mundo perde “uma voz de respeito e acolhimento ao próximo” e declarou luto oficial de uma semana. Lula destacou o papel do Papa na luta contra a desigualdade e sua coragem ao criticar modelos econômicos excludentes. Também ressaltou a atuação de Francisco em temas ambientais e sua visão de unidade entre os povos.
Embora o dia de hoje seja de muita tristeza, vamos nos lembrar para sempre da alegria do Papa Francisco. Do sorriso que iluminava a tudo e a todos. Francisco foi o Papa da esperança. Em sua despedida renovou a crença nos seres humanos, e previu um futuro melhor para a humanidade.… pic.twitter.com/NOS3xb5foQ
— Lula (@LulaOficial) April 21, 2025
Chile, Uruguai e Bolívia: espiritualidade e justiça social
O presidente chileno Gabriel Boric agradeceu ao Papa pelo esforço em aproximar a Igreja do povo e destacou sua defesa da justiça social como uma forma de transcendência. Para Boric, Francisco viveu e ensinou essa missão de forma autêntica.
O uruguaio Yamandú Orsi declarou que o Papa se foi “no momento em que o mundo mais precisava dele”, e reconheceu a clareza com que Bergoglio sempre expressou sua fé e suas ideias. Para ele, o pontífice deixou um “caminho a seguir”.
Luis Arce, presidente da Bolívia, enalteceu o Papa como um líder espiritual que dedicou a vida à paz e à compaixão. Ressaltou o vínculo especial de Francisco com a América Latina e mencionou a encíclica Laudato Si, como um documento-chave para refletir sobre a crise climática e os efeitos do sistema capitalista.
A nombre del Estado de Chile expresamos nuestras condolencias por el fallecimiento del Papa Francisco, un hombre que a través de sus acciones luchó día a día por la igualdad y acercar la Iglesia Católica al pueblo. Ante su partida, he decidido decretar tres días de duelo nacional… pic.twitter.com/fEXwCKxbgd
— Gabriel Boric Font (@GabrielBoric) April 21, 2025
Equador e México: fé e proximidade com o povo
Daniel Noboa, do Equador, também compartilhou homenagens emocionadas. Junto a uma foto de sua visita ao Vaticano, destacou a coragem e a fé do Papa, além de sua postura diferenciada como líder espiritual.
No México, a presidenta Claudia Sheinbaum classificou sua morte como uma “grande perda” e disse ter sido uma honra conhecê-lo. Ela o descreveu como um humanista que escolheu estar ao lado dos pobres e da paz.
Muere el Papa Francisco. Un humanista que optó por los pobres, la paz y la igualdad. Deja un gran legado de verdadero amor al prójimo. Para los católicos y los que no lo son, es una gran pérdida. Haberlo conocido fue un gran honor y privilegio. Descanse en paz. pic.twitter.com/6IWMBkQDBN
— Claudia Sheinbaum Pardo (@Claudiashein) April 21, 2025
Cuba e Venezuela: elogios à crítica social do pontífice
Mesmo governos tradicionalmente críticos à Igreja Católica expressaram condolências. O cubano Miguel Díaz-Canel destacou o carinho com que Francisco tratou o povo da ilha e o definiu como um símbolo duradouro de paz e amor.
Na Venezuela, Nicolás Maduro lembrou o Papa como um “defensor firme da justiça e dos humildes” e valorizou sua atuação como líder espiritual transformador. Afirmou que Francisco incomodou os poderosos com a verdade do Evangelho e foi um aliado dos excluídos, da ecologia e do diálogo entre culturas e religiões.
A despedida ao Papa Francisco uniu vozes de toda a América Latina em um raro momento de consenso: o adeus a um líder espiritual que atravessou fronteiras com sua humanidade, simplicidade e coragem. Seu legado continuará ecoando no coração de milhões.
Fonte: Infobae