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Ciência

Animais e plantas podem estar conversando há milhões de anos — e só agora sabemos

Um novo estudo internacional revelou que plantas produzem sons aéreos em frequências inaudíveis aos humanos — mas claramente perceptíveis para diversos animais. Esses sinais, emitidos especialmente sob condições de estresse, podem influenciar o comportamento de insetos e abrir uma nova fronteira na biologia, agricultura e ecologia.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Durante décadas acreditou-se que as plantas eram organismos silenciosos, comunicando-se apenas por sinais químicos ou elétricos. Agora, uma descoberta surpreendente indica que seu mundo é muito mais acústico do que imaginávamos. Pesquisadores identificaram sons emitidos por plantas em situações de estresse e, ainda mais impressionante, animais que são capazes de ouvi-los e reagir a eles. Essa descoberta redefine a forma como entendemos a comunicação na natureza.

Um universo sonoro invisível aos humanos

Um estudo liderado pela Universidade de Tel Aviv, publicado na revista eLife, analisou a resposta acústica de plantas sob estresse hídrico ou dano físico. Os pesquisadores registraram “cliques” ultrasônicos entre 20 e 60 kHz — totalmente fora do alcance humano, mas dentro da faixa auditiva de muitos insetos.
Esses sons, transmitidos pelo ar, eram consistentes e distintos entre espécies e condições, comprovando que não se tratavam de ruídos aleatórios. Eram padrões estruturados, potencialmente interpretáveis por outros organismos.

Quando insetos “ouvem” as plantas — e mudam seu comportamento

O estudo aprofundou essa hipótese com a rosquinha-negra (Spodoptera littoralis), um inseto agrícola comum. As fêmeas depositam ovos em plantas saudáveis, essenciais para a alimentação das larvas.
Em laboratório, cientistas reproduziram gravações de plantas estressadas por meio de alto-falantes. As fêmeas evitaram essas áreas imediatamente, como se os sons fossem um aviso de que a planta não era adequada. Quando os insetos foram temporariamente ensurdecidos, o comportamento protetor desapareceu.
Mesmo diante de plantas reais, os insetos distinguiram as que emitiam sons de estresse hídrico — e as evitaram. Isso sugere uma adaptação evolutiva de alta sofisticação. Como disseram os autores: “As plantas emitem sons sob estresse, e alguns animais podem ouvi-los e interpretá-los”.

Sons Específicos
© Tatyana Rubleva – Unsplash

A nova dimensão da comunicação vegetal

O conceito de “plantas falantes” parece ficção científica, mas dialoga com descobertas recentes: redes subterrâneas de fungos que trocam nutrientes, respostas químicas a ataques e reações rápidas à luz ou ao toque.
Agora, soma-se uma via aérea de comunicação. Os cliques podem surgir de mudanças internas de pressão durante a desidratação, mas o que importa é sua função ecológica. Eles podem atuar como alertas, ampliando a interação entre plantas e o ambiente.
Isso levanta questões fascinantes:

  • Quantas espécies animais conseguem ouvir esses sinais? 
  • Plantas também conseguem “escutar” umas às outras? 
  • Seria este um sistema acústico ecológico ainda desconhecido? 

Implicações para agricultura, ecologia e tecnologia

Se plantas emitem sons específicos quando estão sob estresse, novas tecnologias acústicas poderiam detectar problemas antes que sejam visíveis, ajudando agricultores a prever secas, pragas ou danos.
Para ecologistas, o estudo sugere que há uma rede de comunicação entre espécies ativa há milhões de anos.
A descoberta muda completamente nossa percepção: a natureza pode estar repleta de diálogos silenciosos para nós, mas audíveis para seus verdadeiros participantes. Pela primeira vez, temos provas claras disso.

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