O corpo de Eva foi descoberto em 4 de julho de 2004, vestindo várias camadas de roupas, incluindo duas calças — algo incomum para o verão europeu. Próximo a ela, a polícia encontrou óculos e chaves de origem alemã, o que deu origem ao apelido “mulher das chaves alemãs”.
As investigações iniciais apontaram para a cidade de Bottrop, na Alemanha, já que uma das chaves pertencia a uma empresa local. No entanto, um incêndio que destruiu os arquivos da companhia impediu que os investigadores localizassem o endereço original. Por anos, o caso ficou sem resposta, alimentando teorias sobre homicídio, desaparecimento e espionagem.
A virada graças à cooperação internacional
O mistério só começou a se desfazer quando o caso foi retomado pela campanha “Identify Me” (“Me Identifique”), criada pela Interpol em 2023 para descobrir a identidade de mulheres encontradas mortas em circunstâncias suspeitas em vários países da Europa.
Em 2024, a história voltou à mídia após programas de TV na Holanda e na Alemanha mencionarem novamente o caso de Bottrop. Isso gerou centenas de denúncias, incluindo uma informação crucial enviada por uma fundação especializada em casos não resolvidos: uma mulher alemã desaparecida há cerca de 20 anos poderia ser a vítima.
A suspeita levou a um teste de DNA, que finalmente confirmou a identidade de Eva Maria Pommer.
“Um marco da cooperação internacional”
Para o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, o resultado mostra o poder da colaboração entre países. “Essa identificação representa mais do que um marco em nossa campanha — é uma prova do que podemos alcançar quando as nações trabalham juntas”, afirmou.
Eva Pommer é o quarto caso resolvido pela iniciativa Identify Me, que já havia solucionado o mistério da “Mulher de Rosa”, identificada como a russa Liudmila Zavada, e o de Rita Roberts, britânica assassinada em 1992 e reconhecida por uma tatuagem.
Mistérios que ainda esperam solução
Mesmo com os avanços, a Interpol ainda trabalha para identificar 43 mulheres encontradas mortas em diferentes países europeus nas últimas décadas. O caso de Eva Pommer mostra que, mesmo depois de 21 anos de silêncio, a ciência e a cooperação global ainda podem dar voz às vítimas e encerrar histórias que pareciam perdidas no tempo.
[Fonte: Último Segundo]