Quando o calor aperta, baixar a temperatura do ar-condicionado ao mínimo parece uma solução rápida. Entretanto, esse hábito pode aumentar o consumo sem entregar o resultado esperado. A eficiência depende de uma combinação de fatores: a configuração do controle, as condições do ambiente, a manutenção e o tempo de funcionamento. Antes de pensar em trocar o equipamento, vale revisar os hábitos que fazem parte da rotina.
Baixar ao mínimo não acelera o resfriamento

O número escolhido no controle representa a temperatura que o aparelho deve buscar. Selecionar um valor muito baixo pode prolongar seu funcionamento, porque o sistema continuará tentando atingir aquela condição.
Em suas orientações para economizar com o ar-condicionado, o Inmetro recomenda 23 °C como referência de equilíbrio entre conforto e eficiência. O instituto também esclarece que colocar o equipamento em 17 °C não faz o ambiente esfriar mais rapidamente.
A reportagem do Infobae apresenta outra faixa, de 24 °C a 26 °C, com base em recomendações da Organização de Consumidores e Usuários da Espanha. As referências apontam para o mesmo cuidado: evitar temperaturas desnecessariamente baixas e ajustar o uso ao conforto dos ocupantes.
Impedir a entrada de calor faz parte da economia
O aparelho retira calor do ambiente e o libera para o exterior. Se o cômodo recebe ar quente continuamente, o sistema precisa compensar essa entrada.
Por isso, fechar portas e janelas durante a climatização ajuda a preservar o resultado. Também vale observar frestas e usar cortinas nas janelas expostas ao sol. O Inmetro destaca essas medidas como formas simples de reduzir a entrada de calor.
O objetivo é diminuir a carga que o equipamento precisa enfrentar. Um ambiente com boa vedação exige menos esforço para manter uma temperatura confortável do que outro com portas abertas e incidência solar intensa.
Filtros e unidade externa precisam de atenção

A limpeza dos filtros tem efeito direto sobre a circulação do ar. Quando acumulam sujeira, eles restringem a passagem do fluxo e prejudicam a capacidade de resfriamento.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos informa que limpar ou substituir filtros pode reduzir o consumo do aparelho entre 5% e 15%. Essa estimativa depende das condições do sistema; ela não representa um desconto garantido na conta de toda residência.
A manutenção também envolve a parte externa. Em sistemas split, folhas e resíduos próximos dos componentes podem atrapalhar o funcionamento. A condensadora precisa liberar o calor retirado do interior, por isso a circulação de ar ao redor dela importa.
Para limpeza e cuidados básicos, siga o manual. Se o equipamento perde rendimento, apresenta problemas de drenagem ou exige intervenções além da manutenção simples, procure assistência qualificada.
Programar o uso é melhor que climatizar uma casa vazia
Uma configuração estável durante a permanência no cômodo pode evitar ajustes constantes. Isso, porém, não significa que manter o ar-condicionado ligado o dia inteiro seja sempre a opção mais econômica.
O Departamento de Energia explica que controles programáveis ajudam a economizar ao adaptar a temperatura aos horários de ocupação. Refrigerar uma residência vazia nas mesmas condições de uma casa ocupada desperdiça energia.
Na prática, o temporizador e os recursos de controle remoto podem ajudar a alinhar o funcionamento à rotina. Em aparelhos compatíveis, vale programar horários e revisar as configurações antes de sair.
A decisão deve considerar o tempo de ausência e as necessidades do imóvel. O princípio é reduzir funcionamento desnecessário, em vez de assumir que o gasto para resfriar novamente sempre supera o de manter o sistema ativo.
Ventiladores podem ajudar no conforto
O ventilador movimenta o ar e melhora a sensação térmica das pessoas. Com isso, pode permitir uma temperatura mais alta no ar-condicionado sem perda de conforto.
Segundo o Departamento de Energia, um ventilador de teto pode permitir elevar o ajuste em aproximadamente 2 °C, dependendo das condições. Entretanto, ele deve ser desligado quando o ambiente fica vazio: seu principal benefício está na sensação de frescor dos ocupantes.
Também é possível evitar fontes adicionais de calor. Usar equipamentos de cozinha que aqueçam menos o ambiente, quando adequado, reduz a necessidade de compensar esse calor com refrigeração.
A etiqueta ajuda a comparar aparelhos
Se houver necessidade de substituir o equipamento, a escolha deve considerar mais do que o preço inicial. O Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro disponibiliza informações para comparar a eficiência e o consumo dos modelos.
A tecnologia inverter ajusta a potência do compressor de forma progressiva, mas a comparação entre produtos continua importante. O consumo final também depende das condições de instalação e uso.
Para quem já possui um aparelho, a economia começa com ações acessíveis: escolher uma temperatura confortável, reduzir a entrada de calor, manter os filtros em boas condições e adequar os horários à ocupação. Juntas, essas medidas ajudam a aproveitar melhor a refrigeração sem transformar o controle remoto em uma disputa permanente com a conta de luz.