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Ciência

Vitaminas do complexo B ajudam o corpo a funcionar — mas tomar mais não garante mais energia

Essenciais para o metabolismo e o sistema nervoso, esses nutrientes estão em alimentos comuns. A suplementação depende das necessidades de cada pessoa.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O cansaço costuma levar à procura de uma solução rápida, e as vitaminas aparecem com frequência nessa busca. As do complexo B participam de processos essenciais, como o aproveitamento dos alimentos e a manutenção das células. Isso, porém, não significa que uma cápsula ofereça disposição extra a qualquer pessoa. Entender suas funções ajuda a organizar a alimentação e a reconhecer quando uma deficiência precisa de investigação.

O que as vitaminas do complexo B fazem

Suplementos De Vitamina D2 Têm Um Efeito Inesperado Sobre Outra Forma Do Nutriente
© Sergii Sobolevskyi via Shutterstock

O complexo B reúne nutrientes com funções diferentes e complementares. Entre eles estão a tiamina, ou B1; a riboflavina, B2; a niacina, B3; a B6; o folato, B9; e a B12.

B1, B2 e B3 ajudam o organismo a transformar os alimentos em energia utilizável pelas células. Elas participam das reações que permitem aproveitar os nutrientes da dieta. Portanto, sua importância está no funcionamento do metabolismo, sem o efeito estimulante associado à cafeína.

A B6 atua em mais de cem reações enzimáticas relacionadas ao metabolismo, além de participar da função imunológica e do desenvolvimento cerebral durante a gestação e a infância. Já o folato contribui para a produção de material genético e a divisão celular.

A B12 também participa da formação do DNA e ajuda a manter saudáveis as células do sangue e do sistema nervoso. Cada vitamina ocupa um papel próprio; por isso, a expressão “complexo B” não deve sugerir que todas sejam intercambiáveis.

Quando a falta de vitaminas pode provocar cansaço

A deficiência de B12 pode causar anemia megaloblástica, uma alteração na formação das células sanguíneas que pode provocar fraqueza e fadiga.

Segundo a ficha informativa dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos sobre a vitamina B12, outros sinais possíveis incluem palidez, palpitações e alterações na boca ou na língua. Também podem surgir formigamento nas mãos e nos pés, problemas de equilíbrio e dificuldades de memória.

Esses sintomas não permitem identificar a causa por conta própria. Além disso, a deficiência pode afetar o sistema nervoso mesmo sem anemia, o que torna importante uma avaliação adequada.

Existe ainda uma distinção fundamental: corrigir a falta de um nutriente pode melhorar os sintomas relacionados à deficiência. Entretanto, o NIH esclarece que tomar B12 não aumenta a energia de quem já recebe quantidade suficiente. A participação da vitamina no metabolismo não representa uma promessa de disposição extra.

Como colocar esses nutrientes no prato

Alimentos Saudaves
© Brooke Lark – Unsplash

Uma alimentação variada reúne diferentes fontes de vitaminas do complexo B. Não é necessário buscar um único alimento que concentre todas elas.

Cereais integrais, feijões, sementes e castanhas fornecem B1. Ovos, leite, carnes e alguns vegetais, como cogumelos e espinafre, contribuem com B2. Já aves, peixes, carnes, leguminosas e alguns grãos oferecem B3.

Para o folato, boas opções incluem folhas verde-escuras, feijões, ervilhas e laranja. A B6 aparece em aves, peixes, batatas e diversas frutas. Esses exemplos mostram por que combinar grupos alimentares ao longo da semana é mais útil do que concentrar a atenção em um produto isolado.

A B12 merece atenção específica: suas fontes naturais são principalmente alimentos de origem animal, como peixes, carnes, ovos e laticínios. Alimentos vegetais só fornecem essa vitamina quando recebem fortificação. Nesse caso, consultar o rótulo ajuda a verificar sua presença.

Comer bem nem sempre resolve problemas de absorção

A quantidade ingerida é apenas parte da história. Algumas pessoas têm dificuldade para absorver B12, mesmo quando ela está presente na alimentação.

Isso pode acontecer em determinadas doenças do estômago e do intestino, após algumas cirurgias digestivas ou em pessoas com anemia perniciosa. Adultos mais velhos também podem apresentar alterações que prejudicam o aproveitamento da vitamina dos alimentos.

Quem consome poucos ou nenhum produto de origem animal precisa planejar uma fonte confiável de B12. Conforme a situação, alimentos fortificados e suplementos fazem parte desse planejamento. A escolha da estratégia depende do padrão alimentar e da capacidade de absorção. 

Suplementar exige atenção à dose

O fato de as vitaminas do complexo B serem hidrossolúveis, isto é, solúveis em água, não torna qualquer quantidade inofensiva.

A orientação do NIH sobre a vitamina B6 alerta que o uso prolongado de doses elevadas em suplementos pode provocar danos aos nervos. Também existem limites de segurança para outros nutrientes do grupo.

No caso do folato e do ácido fólico, quantidades elevadas em suplementos podem corrigir a anemia associada à deficiência de B12 sem resolver seus efeitos neurológicos, dificultando o reconhecimento do problema.

Por isso, a suplementação deve atender a uma necessidade concreta. Para quem busca melhorar a alimentação, variar as fontes de nutrientes é um começo prático. Quando há suspeita de deficiência, avaliar a causa permite escolher o tratamento adequado, em vez de apostar em doses cada vez maiores.

 

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