De acordo com as autoridades, o assassinato foi ordenado por um líder do narcotráfico identificado como “Pequeño J” ou “Julito”, de apenas 23 anos. O ministro da Segurança da província de Buenos Aires, Javier Alonso, afirmou que o crime teve caráter “disciplinatório”, com o objetivo de criar uma imagem de terror e reafirmar o poder do grupo.
“Na transmissão, o chefe dizia: ‘Isso acontece com quem me rouba droga’”, relatou Alonso em entrevista à TV argentina. Para os investigadores, as jovens foram atraídas sob engano, acreditando que participariam de um evento social. Câmeras de segurança registraram o momento em que elas entraram em uma caminhonete branca na noite de sexta-feira, última vez em que foram vistas com vida.
Detalhes de extrema violência

A perícia apontou que as vítimas foram mortas entre 3h e 6h da manhã de sábado. Lara sofreu mutilações — perdeu os dedos da mão esquerda e parte da orelha antes de ser morta. Brenda e Morena foram espancadas com crueldade, e, no caso de Brenda, houve ainda cortes no corpo já sem vida.
O próprio quintal da casa usada pelo grupo havia sido preparado com antecedência: vizinhos relataram que um buraco foi cavado no local horas antes do crime, usado para enterrar os corpos. A polícia encontrou manchas de sangue nas paredes e forte cheiro de cloro, numa tentativa de apagar vestígios.
Prisões e investigações em andamento
Até agora, 12 pessoas foram presas, entre elas quatro flagradas limpando a cena do crime na madrugada de quarta-feira. Segundo Alonso, a casa onde ocorreram os assassinatos fazia parte da rede criminosa que abastece pontos de venda de drogas no sul da Grande Buenos Aires e também na capital.
O caso está sendo investigado como “homicídio agravado”. A Justiça trabalha com a hipótese de vingança planejada dentro de uma estrutura de narcotráfico transnacional.
Repercussão e dor das famílias
O crime causou enorme comoção na Argentina, um país que historicamente apresenta índices de homicídio baixos em comparação com outros da América Latina. Enquanto a média nacional é de 3,8 por 100 mil habitantes, países como Equador e México chegaram a registrar 39 e 25,6, respectivamente, em 2024.
Ainda assim, a brutalidade do caso surpreendeu a sociedade argentina. Em meio ao luto, Paula, mãe de Brenda, fez um apelo emocionado: “Me mataram minha filha. Peço justiça por ela e por todas. Quero todos presos”.
Um alerta para a escalada da violência
O assassinato de Brenda, Morena e Lara escancara o impacto crescente do narcotráfico na Argentina e o uso perverso das redes sociais como palco para a violência. Mais do que estatísticas, o episódio expõe a vulnerabilidade de jovens atraídas pela confiança em pessoas ligadas ao crime organizado.
Enquanto as investigações avançam, a sociedade argentina cobra respostas rápidas e medidas efetivas para evitar que cenas de terror como essa se repitam.
[Fonte: BBC]