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Ciência

Astrônomos encontram uma superterra coberta por oceanos gigantes que pode mudar a busca por vida fora do Sistema Solar

Um planeta localizado a cerca de 100 anos-luz da Terra está chamando a atenção dos cientistas por um motivo incomum: ele pode ser praticamente coberto por água. Conhecido como TOI-1452 b, o exoplaneta apresenta características compatíveis com um raro “mundo oceânico”, uma categoria de planetas onde vastos mares dominam quase toda a superfície.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A descoberta de planetas além do Sistema Solar já revelou uma diversidade impressionante de mundos. Existem gigantes gasosos maiores que Júpiter, planetas rochosos semelhantes à Terra e até corpos que orbitam duas estrelas ao mesmo tempo. Agora, um novo candidato reforça uma das hipóteses mais fascinantes da astronomia moderna: a existência de planetas inteiros cobertos por oceanos profundos, capazes de oferecer ambientes muito diferentes daqueles encontrados em nosso próprio planeta.

Os novos estudos sobre TOI-1452 b sugerem que ele pode ser um dos melhores exemplos conhecidos desse tipo de mundo.

Um planeta muito maior que a Terra

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© Pexels

TOI-1452 b é classificado como uma superterra, termo utilizado para descrever planetas mais massivos que a Terra, mas significativamente menores que gigantes gasosos como Netuno.

As estimativas atuais indicam que o exoplaneta possui um diâmetro aproximadamente 70% maior que o terrestre e uma massa várias vezes superior.

O que torna esse mundo particularmente interessante, porém, não é seu tamanho, mas sua densidade.

Os dados coletados pelos astrônomos mostram que TOI-1452 b é menos denso do que seria esperado para um planeta composto apenas por rochas e metais. Essa característica sugere que uma parcela significativa de sua estrutura é formada por materiais mais leves, principalmente água.

Segundo os modelos desenvolvidos pelos pesquisadores, a água pode representar até 30% da massa total do planeta.

Oceanos que desafiam a imaginação

A comparação com a Terra ajuda a dimensionar o que isso significa.

Embora os oceanos cubram cerca de 71% da superfície terrestre, toda a água do planeta representa menos de 1% de sua massa total.

Em TOI-1452 b, a situação seria radicalmente diferente.

Caso os cálculos estejam corretos, o planeta pode não possuir continentes ou grandes áreas de terra firme. Em vez disso, quase toda sua superfície estaria coberta por um oceano global que se estenderia por centenas ou até milhares de quilômetros de profundidade.

Para efeito de comparação, o ponto mais profundo conhecido da Terra, a Fossa das Marianas, possui cerca de 11 quilômetros de profundidade.

Os oceanos de TOI-1452 b poderiam ser dezenas ou até centenas de vezes mais profundos.

Como os cientistas encontraram esse mundo

A descoberta foi possível graças ao trabalho do satélite TESS, da NASA.

O observatório espacial utiliza o chamado método do trânsito para detectar exoplanetas. Quando um planeta passa em frente à sua estrela visto da Terra, ocorre uma pequena diminuição no brilho estelar. Essas variações permitem calcular o tamanho do objeto e estimar suas características.

Após a detecção inicial, observações realizadas por telescópios terrestres ajudaram a confirmar a existência de TOI-1452 b e forneceram informações mais precisas sobre sua massa e composição.

Esses dados foram fundamentais para que os pesquisadores concluíssem que o planeta provavelmente contém enormes quantidades de água.

Um candidato promissor para estudos de habitabilidade

Vida Do Planeta1
© A. Smith – N. Mandhusudhan

Outro aspecto que aumenta o interesse científico é a posição orbital de TOI-1452 b.

O planeta orbita dentro ou próximo da chamada zona habitável de sua estrela, região onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida na superfície.

Isso não significa que exista vida no local.

Os cientistas ressaltam que a presença de água é apenas um dos ingredientes considerados importantes para a habitabilidade. Diversos outros fatores, como composição atmosférica, atividade geológica, campo magnético e estabilidade climática, também desempenham papéis fundamentais.

Ainda assim, a combinação entre água abundante e localização favorável transforma TOI-1452 b em um dos alvos mais interessantes para futuras observações.

Um oceano diferente de tudo o que conhecemos

Mesmo que seja realmente um mundo oceânico, os mares de TOI-1452 b provavelmente seriam muito diferentes dos oceanos terrestres.

As profundidades extremas gerariam pressões gigantescas capazes de transformar parte da água em formas exóticas de gelo de alta densidade, fenômenos que não existem naturalmente na superfície da Terra.

Os pesquisadores também acreditam que uma massa tão colossal de água poderia influenciar fortemente o clima do planeta, funcionando como um gigantesco regulador térmico.

Por outro lado, ainda existem inúmeras perguntas sem resposta. Não se sabe se há correntes oceânicas semelhantes às terrestres, tempestades de grande escala ou uma atmosfera dominada por vapor d’água.

Um novo capítulo na busca por vida

Embora não exista qualquer evidência de vida em TOI-1452 b, sua descoberta amplia significativamente o leque de ambientes considerados potencialmente habitáveis.

Durante muito tempo, a busca por mundos semelhantes à Terra concentrou-se em planetas rochosos com continentes e oceanos relativamente rasos. Agora, os cientistas começam a considerar que oceanos gigantes também podem oferecer condições favoráveis para processos químicos complexos.

Nos próximos anos, telescópios mais avançados deverão analisar a atmosfera de TOI-1452 b em busca de pistas sobre sua composição e evolução. Enquanto isso, o planeta já ocupa um lugar de destaque entre os candidatos mais promissores para ajudar a responder uma das maiores perguntas da ciência: estamos sozinhos no Universo?

 

[ Fonte: Marca ]

 

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