Um ataque surpresa com drones, orquestrado pela Ucrânia no último domingo, abalou profundamente a estrutura aérea da Rússia. Nomeada de Operação Teia de Aranha, a ação atingiu 41 aviões militares em cinco bases russas, causando danos bilionários e provocando uma reação imediata do presidente Vladimir Putin — segundo declarou Donald Trump após uma conversa telefônica entre os dois.
O ataque que pegou Moscou desprevenida
A operação ucraniana surpreendeu pelo alcance e pelo método de execução: drones armados com explosivos foram transportados por caminhões, escondidos no teto de contêineres disfarçados. Os veículos circularam por território russo até se posicionarem próximos das bases aéreas. Então, via controle remoto, os compartimentos foram abertos e os drones iniciaram o ataque.
O alvo principal foram aeronaves de longo alcance, como os bombardeiros Tu-95 e Tu-22M, usados por Moscou em ataques à Ucrânia, além dos aviões A-50, cruciais para coordenação e vigilância aérea. De acordo com a inteligência ucraniana, os danos ultrapassam US$ 7 bilhões e atingem cerca de 34% da frota estratégica russa.
Um golpe a mais de 4 mil km do front
URGENTE ‼️🚨🇺🇸🇷🇺🇺🇦
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que conversou hoje com o presidente russo, Vladimir Putin. Trump afirma que Putin o informou que a Rússia responderá ao ataque aos aeródromos. Trump e Putin também conversaram sobre a questão do Irã. https://t.co/vM9tlGM40o pic.twitter.com/1aNuZOnr7R
— Maria Rykov 🇷🇺🇧🇷 (@MariaRykov) June 4, 2025
O local da ação chama ainda mais atenção: bases militares na região de Irkutsk, na Sibéria, a mais de 4.300 km da fronteira ucraniana. Também houve relatos de danos em cidades do norte da Rússia, como Murmansk, e tentativas de ataque em regiões do extremo leste e oeste, como Amur, Ivanovo e Ryazan.
A distância e a sofisticação da operação foram interpretadas como um feito inédito. O presidente ucraniano Volodimir Zelensky celebrou o êxito e classificou a ação como “nossa operação de maior alcance”. A missão foi planejada por cerca de um ano e meio e supervisionada pessoalmente por Zelensky e o chefe da inteligência doméstica ucraniana, Vasyl Maliuk.
Trump revela reação de Putin e alerta sobre o futuro
O presidente dos EUA, Donald Trump, usou sua rede Truth Social para relatar que conversou por telefone com Putin logo após o ataque. Segundo ele, o líder russo prometeu “responder com veemência” ao que chamou de agressão ucraniana.
“Foi uma boa conversa, mas não será suficiente para trazer paz imediata”, disse Trump, que voltou à presidência em meio a uma relação tensa com o governo ucraniano. A ligação entre os dois líderes ocorre num momento delicado, em que os EUA seguem como principais aliados da Ucrânia, mas com sinais de distanciamento político desde a volta de Trump à Casa Branca.
Putin, por sua vez, já havia colocado em dúvida qualquer avanço nas negociações de paz, afirmando que a Ucrânia não demonstra interesse real em diálogo. O novo ataque parece apenas confirmar essa percepção no Kremlin.
Impacto militar e simbólico para a Rússia
Além dos prejuízos materiais, o ataque expõe falhas na segurança e vigilância militar russa. As autoridades do país classificaram a ação como um ato terrorista e prometeram reforçar medidas defensivas em suas bases.
A dificuldade em repor os aviões danificados agrava a situação: diferentemente dos mísseis, que podem ser rapidamente substituídos, aeronaves estratégicas levam anos e bilhões para serem fabricadas.
A Ucrânia, ao realizar esse tipo de ofensiva longe do front, sinaliza que sua capacidade de ação vai além das trincheiras e pode atingir pontos estratégicos do inimigo em qualquer parte do território.
[ Fonte: G1.Globo ]