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Ciência

Como vamos saber de vez se os microplásticos estão destruindo a nossa saúde

Microplásticos já foram encontrados no sangue, no cérebro e até nos testículos humanos. Mas será que eles fazem mal à saúde? A ciência ainda não tem provas definitivas, porque faltam ensaios clínicos em humanos. Um novo estudo aponta caminhos para finalmente responder a essa questão.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Do oceano às nuvens, dos alimentos ao corpo humano, os microplásticos estão em toda parte. Mas, apesar da onipresença dessas partículas, ainda não existe prova científica direta de que sejam prejudiciais à nossa saúde. A ausência de ensaios clínicos em humanos dificulta a resposta. Agora, pesquisadores começaram a delinear protocolos que podem nos levar à confirmação definitiva.

Onde já encontramos microplásticos no corpo

Pesquisas recentes já detectaram fragmentos de plástico em locais surpreendentes do organismo humano: no sangue, no cérebro, nas fezes e até nos testículos. Também foram encontrados em amostras de leite materno.

Embora a simples presença dessas partículas cause alarme, ainda não se sabe se elas afetam diretamente o funcionamento do corpo. Até agora, os estudos disponíveis apenas associaram a presença de microplásticos a certas complicações de saúde, mas sem estabelecer uma relação de causa e efeito.

O desafio de medir o invisível

Segundo o professor Baoshan Xing, especialista em química ambiental da Universidade de Massachusetts Amherst, a dificuldade começa antes mesmo de avaliar os impactos: não existe um protocolo padrão para identificar e quantificar micro e nanoplásticos em organismos vivos.

A maior parte das técnicas atuais funciona bem em ambientes simples, como a água. Já em tecidos biológicos, compostos por gorduras, proteínas e fibras, a análise se torna muito mais complexa. É preciso adaptar métodos de digestão, separação e detecção dependendo do tipo de amostra — seja humana, vegetal ou animal.

Formato importa

Outro problema é que muitos estudos assumem que os microplásticos sejam sempre esféricos. Mas eles podem ter diferentes formas, o que altera a forma como circulam pelo corpo. Cavidades microscópicas em partículas irregulares, por exemplo, podem acumular substâncias tóxicas, ampliando o risco potencial.

Por isso, os pesquisadores defendem protocolos capazes de analisar não apenas a quantidade de partículas, mas também suas características físicas, como tipo de polímero, formato e superfície.

O papel da inteligência artificial

O volume de dados necessário para mapear microplásticos em organismos é enorme. Para acelerar esse processo, cientistas já testam algoritmos de aprendizado de máquina que podem reduzir tempo e custos na identificação e caracterização dessas partículas.

Isso abre caminho para, em um futuro próximo, sermos capazes de medir com precisão onde e como os microplásticos se acumulam no corpo humano.

Quando teremos respostas definitivas

De acordo com Xing, “não está longe o dia em que poderemos detectar, caracterizar e quantificar micro e nanoplásticos em amostras biológicas com precisão”.

A partir daí, será possível realizar estudos clínicos que estabeleçam se essas partículas realmente causam danos à saúde humana — e em que grau. Só então teremos a resposta definitiva para uma das maiores preocupações ambientais e médicas do nosso tempo.

Até lá, cautela

Enquanto a ciência não traz conclusões claras, especialistas recomendam adotar precauções simples, como reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, limitar o uso de plásticos descartáveis e evitar produtos que contenham microplásticos adicionados, como alguns cosméticos e até chicletes.

Afinal, mesmo que ainda não exista prova científica definitiva, tudo indica que ingerir pedaços de plástico diariamente não deve ser inofensivo.

 

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