No Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, o Brasil apresentou seu novo submarino convencional: o Almirante Karam (S43). A embarcação integra o PROSUB, iniciativa que moderniza a capacidade militar do país e fortalece sua presença no Atlântico Sul. Além do lançamento, o governo confirmou avanços no Álvaro Alberto, o primeiro submarino nuclear brasileiro. A mensagem é clara — o Brasil quer ocupar posição de destaque no cenário naval latino-americano.
O Almirante Karam: mais um passo na expansão submarina do Brasil
A Marinha do Brasil lançou ao mar o submarino Almirante Karam, o quarto convencional construído pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos. A inauguração foi na quarta e contou com o “batismo” feito pela ministra do STF Cármen Lúcia. Antes de realizar missões, o submarino… pic.twitter.com/k7Hxe6fILO
— InfoMoney (@infomoney) November 27, 2025
O Almirante Karam é o quarto submarino diesel-elétrico da classe Riachuelo, desenvolvida a partir do projeto francês Scorpène. Ele se junta ao Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42), apresentados em anos anteriores no mesmo complexo industrial. A construção é fruto de cooperação tecnológica com a França e envolveu mais de 2.000 profissionais brasileiros.
Seu próximo estágio será a fase de testes de aceitação no mar, etapa que valida desempenho, profundidade, navegação e sigilo acústico antes da incorporação definitiva à Marinha.
Capacidades técnicas e função estratégica
Projetado para missões de monitoramento, patrulha e coleta de inteligência, o Almirante Karam reforça o controle brasileiro sobre a chamada Amazônia Azul — área marítima com cerca de 5,7 milhões de km² que abriga reservas de petróleo, rotas comerciais e biodiversidade.
Como submarino convencional, opera com propulsão diesel-elétrica silenciosa, adequada para operações de sigilo e vigilância prolongada. Sua função estratégica ultrapassa o poder bélico: representa soberania territorial, proteção de recursos naturais e defesa de fronteiras oceânicas.
PROSUB e o marco histórico: o primeiro submarino nuclear brasileiro
Além do Almirante Karam, o PROSUB anunciou avanços no Submarino Álvaro Alberto, o primeiro do país com propulsão nuclear. O projeto, considerado o mais ambicioso da história naval brasileira, permitirá maior velocidade, autonomia submersa por longos períodos e redução de necessidade de reabastecimento — vantagens decisivas frente a modelos convencionais.
A estimativa é que o Álvaro Alberto seja concluído em 2033, embora o cronograma dependa de acordos tecnológicos com a França e disponibilidade orçamentária. Quando operacional, o Brasil será o único país do hemisfério sul com tal capacidade, aproximando-se do grupo restrito composto por Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China.
Brasil consolida protagonismo militar na região
O Complexo Naval de Itaguaí, onde os submarinos são construídos e mantidos, já é a maior base do gênero na América Latina. Com o PROSUB em andamento, o país se destaca como polo tecnológico naval, expandindo sua capacidade industrial e reduzindo dependência externa em sistemas de defesa.
A apresentação do Almirante Karam simboliza mais que um lançamento — é sinal de continuidade, ambição estratégica e fortalecimento geopolítico do Brasil no Atlântico Sul. O submarino nuclear, por sua vez, pode representar um ponto de virada histórico na balança militar do continente.
[ Fonte: Canal26 ]