A tecnologia por trás do sistema foi desenvolvida pela Universidade de São Petersburgo. O Brics Pay usará um modelo descentralizado de mensagens fronteiriças (DCMS), que dispensa a infraestrutura tradicional dominada pelos EUA.
Entre as ferramentas, está o SBP russo, que permite transferências usando apenas o número de telefone e já é usado por mais de 200 instituições financeiras. A grande novidade, porém, é a integração com o Pix, o que abre espaço para que brasileiros façam transferências internacionais com a mesma praticidade de pagar uma conta no bar da esquina.
Impacto nas moedas locais e no comércio
Segundo o economista Adenauer Rockenmeyer, do Corecon-SP, a plataforma deve estimular transações diretas em moedas locais, sem precisar converter para dólar. Isso reduz taxas, agiliza o processo e fortalece a circulação do Pix fora do Brasil.
O especialista também avalia que o sistema pode ameaçar a supremacia do dólar. Isso porque o Brics Pay não depende da rede SWIFT — mecanismo centralizado que domina o mercado global — e adota uma infraestrutura descentralizada, mais difícil de ser controlada ou alvo de sanções internacionais.
Um movimento estratégico
Na prática, cada transação realizada pelo Brics Pay é uma operação a menos em dólar, enfraquecendo sua influência no comércio global. Além de dar mais autonomia financeira ao bloco, o sistema pode atrair outros países interessados em escapar das oscilações e custos da moeda norte-americana.
O lançamento do Brics Pay mostra que o bloco está disposto a desafiar diretamente a hegemonia do dólar e, ao mesmo tempo, expandir o alcance do Pix para além das fronteiras brasileiras. Resta saber se essa aposta vai realmente mudar o jogo do comércio internacional ou se o mercado seguirá preso à moeda americana.
[Fonte: Metro1]