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Ciência

Buraco negro da Via Láctea pode voltar a despertar, mas a Terra não corre perigo, aponta estudo

Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, pode voltar a ficar ativo quando nossa galáxia colidir com a Grande Nuvem de Magalhães daqui a cerca de 2 bilhões de anos. Apesar do evento impressionante, cientistas afirmam que a Terra permanecerá protegida.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os buracos negros supermassivos estão entre os objetos mais extremos do universo. Além de engolirem matéria, eles desempenham um papel decisivo na evolução das galáxias, regulando a formação de estrelas e influenciando a distribuição de gás cósmico.

No centro da Via Láctea está Sagittarius A* (Sgr A*), um buraco negro com massa equivalente a aproximadamente quatro milhões de sóis. Atualmente, ele se encontra em um estado de baixa atividade. No entanto, astrônomos acreditam que essa tranquilidade não será permanente.

Segundo estudos recentes, Sagittarius A* deverá voltar a entrar em uma fase de intensa atividade quando a Via Láctea colidir com a Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã localizada a cerca de 200 mil anos-luz da Terra. Embora esse cenário pareça saído de um filme de ficção científica, os pesquisadores destacam que o fenômeno só deverá acontecer daqui a aproximadamente 2 bilhões de anos.

O que fará Sagittarius A* “despertar”

Sagitarius
© Mark D. Gorski et al. (CC BY 4.0)

A futura colisão entre a Via Láctea e a Grande Nuvem de Magalhães provocará uma enorme reorganização gravitacional.

Durante esse processo, grandes quantidades de gás serão canalizadas para o centro da nossa galáxia. Esse material passará a alimentar Sagittarius A*, formando um disco de acreção ao redor do buraco negro.

À medida que o gás gira em velocidades próximas à da luz, ele aquece a milhões de graus e passa a emitir intensa radiação em diferentes comprimentos de onda, incluindo infravermelho, ultravioleta e raios X.

Quando isso acontece, o buraco negro deixa de ser relativamente silencioso e se transforma em um Núcleo Galáctico Ativo (AGN), um dos objetos mais luminosos do universo.

James Webb encontrou uma pista sobre o passado da Via Láctea

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) também contribuiu para compreender como esse processo ocorre.

Uma das descobertas mais importantes foi a observação da galáxia conhecida como The Sparkler, localizada a cerca de 9 bilhões de anos-luz da Terra.

Segundo os pesquisadores, essa galáxia apresenta características semelhantes às que a Via Láctea provavelmente possuía quando era muito jovem.

Embora tenha apenas cerca de 3% da massa da nossa galáxia, The Sparkler é cercada por aproximadamente 24 aglomerados globulares. Em comparação, a Via Láctea abriga cerca de 200 desses agrupamentos estelares.

Para o astrônomo Aaron Romanowsky, um dos autores do estudo, observar essa galáxia é como viajar ao passado e investigar a origem dos aglomerados globulares, um dos antigos mistérios da astronomia.

Por que os buracos negros ativos são tão importantes

Buraco Negro
© BoliviaInteligente – Unsplash

Quando um buraco negro permanece em estado de baixa atividade, sua influência sobre a galáxia é relativamente limitada.

Já durante uma fase ativa, enormes quantidades de matéria são capturadas continuamente. Parte dessa energia é convertida em radiação extremamente intensa, enquanto alguns buracos negros também lançam jatos de partículas que podem se estender por milhares de anos-luz.

Segundo a astrofísica Nathalie Degenaar, da Universidade de Amsterdã, o material aquecido emite energia em praticamente todo o espectro eletromagnético, desde a luz visível até raios X e infravermelho.

Esses processos ajudam a controlar a formação de novas estrelas e influenciam profundamente a evolução das galáxias ao longo de bilhões de anos.

A Terra estará em perigo?

Apesar do impacto visual que esse cenário desperta, os cientistas afirmam que não há motivo para preocupação.

Mesmo quando Sagittarius A* voltar a ficar ativo, sua distância da Terra continuará sendo enorme: aproximadamente 26 mil anos-luz.

Segundo Joseph Michail, pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, essa distância é suficiente para reduzir significativamente a intensidade da radiação antes que ela alcance o Sistema Solar.

Além disso, a Terra continuará protegida por diversos mecanismos naturais, como a atmosfera, o campo magnético terrestre e o próprio disco de gás da Via Láctea, que absorve parte dessa energia.

O professor Carlos Frenk, da Universidade de Durham, também afirma que o futuro núcleo galáctico ativo gerado pela colisão com a Grande Nuvem de Magalhães não deverá representar um risco significativo para a vida no planeta.

Sagittarius A* já apresentou sinais de atividade

Embora hoje seja considerado relativamente tranquilo, Sagittarius A* nem sempre permaneceu inativo.

Observações recentes realizadas pelo telescópio IXPE, da NASA, indicam que o buraco negro sofreu uma pequena erupção há cerca de 200 anos.

Os astrônomos também acreditam que explosões muito mais intensas ocorreram em um passado distante e podem ter sido responsáveis pela formação das gigantescas Bolhas de Fermi, duas estruturas que se estendem acima e abaixo do plano da Via Láctea.

Esses registros mostram que períodos de atividade fazem parte da evolução natural dos buracos negros supermassivos.

Assim, embora Sagittarius A* deva voltar a “despertar” no futuro, esse evento representa apenas mais um capítulo da longa história cósmica da nossa galáxia — e não uma ameaça ao planeta Terra.

 

[ Fonte: Ok Diario ]

 

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