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Ciência

O que existia antes do Universo? Da flutuação quântica às galáxias, a ciência explica a origem do cosmos

Muito antes das primeiras estrelas surgirem, pequenas flutuações quânticas e uma expansão extremamente rápida prepararam o Universo para dar origem a galáxias, planetas e, bilhões de anos depois, à vida.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O que existia antes do Big Bang? Essa é uma das perguntas mais fascinantes da cosmologia moderna. Embora a ciência ainda não tenha uma resposta definitiva, os modelos atuais sugerem que o Universo não começou exatamente com o Big Bang. Antes da fase quente que conhecemos hoje, ocorreu uma série de eventos fundamentais que preparou o cenário para o nascimento do cosmos.

Nesse período remoto, o Universo era extraordinariamente uniforme. Não existiam estrelas, galáxias nem qualquer estrutura complexa. Ainda assim, essa aparente simplicidade escondia pequenas irregularidades que, ao longo de bilhões de anos, dariam origem a tudo o que conhecemos.

Hoje, os cientistas acreditam que compreender esse momento inicial é essencial para explicar por que o Universo desenvolveu sua enorme diversidade de estruturas, em vez de permanecer homogêneo para sempre.

Antes do Big Bang, o vazio não era realmente vazio

Big Bang3
© Getty Images – Science Photo Library

Quando se fala em “antes do Big Bang”, muitas pessoas imaginam um vazio absoluto. A física quântica, porém, descreve um cenário bastante diferente.

Mesmo no chamado vácuo quântico, existem pequenas flutuações de energia que surgem espontaneamente. Essas oscilações acontecem de forma aleatória e representam uma característica fundamental da mecânica quântica.

Nos primeiros instantes da história cósmica, o Universo era preenchido por um plasma extremamente quente e denso, formado por partículas que colidiam continuamente e interagiam por meio das forças fundamentais da natureza.

À medida que o Universo começou a se expandir, essas colisões tornaram-se menos frequentes.

Cerca de um segundo após o início da expansão, os neutrinos deixaram de interagir com o plasma e passaram a viajar livremente pelo espaço. Até hoje, essas partículas são consideradas uma das possíveis chaves para explicar por que o Universo contém muito mais matéria do que antimatéria.

Muito mais tarde, aproximadamente 380 mil anos depois, foi a vez dos fótons se desacoplarem da matéria. O plasma tornou-se transparente e a luz pôde finalmente viajar pelo cosmos.

Essa radiação ainda existe e pode ser observada atualmente como a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, considerada um verdadeiro fóssil do Universo primitivo.

A inflação cósmica mudou tudo em uma fração de segundo

Antes da fase quente do Big Bang, os cosmólogos acreditam que ocorreu um fenômeno conhecido como inflação cósmica.

Durante um intervalo extremamente curto, o espaço-tempo sofreu uma expansão exponencial gigantesca.

Essa expansão explica por que o Universo apresenta uma geometria quase plana e uma distribuição tão homogênea em grandes escalas.

Mas seu papel vai muito além disso.

A inflação ampliou pequenas flutuações quânticas microscópicas, transformando-as em variações de densidade suficientemente grandes para influenciar toda a evolução do Universo.

É como se uma superfície inicialmente quase lisa tivesse recebido pequenas ondulações invisíveis que, posteriormente, serviram como o relevo sobre o qual toda a estrutura cósmica seria construída.

A gravidade transformou pequenas diferenças em galáxias

Depois que as flutuações cresceram durante a inflação, entrou em ação outra protagonista da história cósmica: a gravidade.

Regiões ligeiramente mais densas começaram a atrair mais matéria do que as áreas vizinhas.

Ao longo de milhões e bilhões de anos, essas pequenas diferenças foram se ampliando continuamente.

O resultado desse processo foi a formação das primeiras estrelas, galáxias, aglomerados de galáxias, filamentos cósmicos e imensos vazios que hoje compõem a chamada teia cósmica.

Sem essas minúsculas flutuações originadas no mundo quântico, toda a matéria permaneceria distribuída de maneira uniforme pelo espaço. Nesse cenário, estrelas, planetas e até a própria vida provavelmente jamais teriam surgido.

A radiação cósmica ainda guarda as marcas desse passado

Big Bang (3)
© Олег Мороз – Unsplash

Os cientistas sabem que essas perturbações realmente existiram porque elas deixaram uma assinatura extremamente sutil na radiação cósmica de fundo.

Mapas produzidos por missões espaciais revelam pequenas diferenças de temperatura que correspondem justamente às primeiras variações de densidade do Universo.

Esses registros funcionam como uma fotografia da infância do cosmos e fornecem algumas das evidências mais importantes em favor da teoria da inflação.

Hoje, a cosmologia busca ir ainda mais longe.

Além de compreender como a gravidade organizou a matéria, pesquisadores tentam identificar evidências diretas da origem quântica dessas flutuações. O grande desafio continua sendo desenvolver uma teoria capaz de unificar a gravidade com a mecânica quântica, duas das descrições mais bem-sucedidas da natureza, mas que ainda permanecem incompatíveis entre si.

Enquanto essa resposta definitiva não chega, cada novo avanço aproxima a ciência da compreensão de como pequenas flutuações ocorridas no Universo primordial acabaram moldando tudo o que existe hoje, das galáxias aos seres humanos que tentam desvendar essa própria história.

 

[ Fonte: El Mostrador ]

 

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