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Captura de Nicolás Maduro completa um mês: o que mudou na Venezuela desde a operação dos EUA

Um mês após a prisão de Nicolás Maduro em uma ação militar liderada pelos Estados Unidos, a Venezuela vive uma guinada acelerada em sua política e economia. Abertura do setor petrolífero ao capital estrangeiro, retomada do diálogo com Washington e libertação de presos políticos redesenham o país sob forte pressão internacional.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Na madrugada de 3 de janeiro, explosões em Caracas e cidades vizinhas marcaram o início de uma das operações mais dramáticas da história recente da Venezuela. Horas depois, Donald Trump confirmou a captura de Nicolás Maduro. Trinta dias mais tarde, os efeitos da intervenção americana já são visíveis: mudanças profundas no petróleo, na diplomacia e na situação de presos políticos colocaram o país em rota de transformação acelerada.

Bombardeios, prisão e transferência para Nova York

Conjunto da Nike usado por Maduro viraliza e causa corrida inesperada por peças
© https://x.com/Albertopugilat

Os ataques atingiram instalações estratégicas como o quartel Fuerte Tiuna e a Base Aérea La Carlota. Poucas horas depois, Trump anunciou a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O casal foi retirado de Caracas, levado para Nova York e apresentado à Justiça dois dias depois, sob acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e armas e conspiração. Ambos se declararam inocentes.

No mesmo dia da audiência, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina, dando início a um período de governo marcado por negociações intensas com Washington e por uma reorientação econômica rápida.

Petróleo volta ao centro da estratégia

Petroleo No Brasil
© David Thielen – Unsplash

Uma das primeiras mudanças práticas foi a retomada do envio de petróleo venezuelano aos Estados Unidos. Em paralelo, o governo interino anunciou uma reforma da Lei de Hidrocarbonetos, abrindo o setor a empresas estrangeiras.

Até então, companhias interessadas em extrair petróleo precisavam operar em joint ventures com a estatal PDVSA, que mantinha o controle da produção e da comercialização. Com a nova regra, empresas passam a poder atuar por conta própria, assumindo riscos e investimentos — uma mudança estrutural para um país que, por décadas, manteve forte controle estatal sobre seus recursos energéticos.

Trump chegou a afirmar publicamente que definiria quais empresas petrolíferas poderiam investir na Venezuela, enquanto a Casa Branca anunciou que a receita inicial das vendas seria administrada sob supervisão americana.

Reaproximação diplomática com Washington

Outro movimento simbólico foi o anúncio da reabertura da embaixada dos EUA em Caracas, fechada desde 2019, quando as relações diplomáticas foram rompidas. Washington também nomeou uma nova representante para o país, Laura Dogu.

Em meados de janeiro, Delcy Rodríguez se reuniu na capital venezuelana com o diretor da CIA, John Ratcliffe. Nesta semana, ela voltou a se encontrar com Dogu, sinalizando a tentativa de institucionalizar o diálogo após anos de distanciamento.

Apesar disso, a presidente interina tem alternado gestos de cooperação com declarações públicas de que “nenhum agente externo” governa o país, em resposta às falas de Trump sobre seu suposto controle da Venezuela.

Libertação de presos políticos acelera

Desde 8 de janeiro, centenas de detidos por motivos políticos foram soltos. A ONG Foro Penal contabiliza 344 libertações até agora, enquanto o governo fala em mais de 600, sem divulgar listas completas.

Além disso, Delcy Rodríguez enviou ao Legislativo um pedido de aprovação de uma lei de anistia geral. Segundo o Foro Penal, ainda permanecem presos 687 opositores, entre eles dezenas de estrangeiros. Entre as medidas anunciadas está também o fechamento do El Helicoide, prisão que se tornou símbolo de denúncias de tortura.

Um país em transição sob pressão externa

Em apenas um mês, a Venezuela passou de um regime isolado a um governo interino que reabre canais com Washington, flexibiliza regras para investidores estrangeiros e promove libertações em massa. A velocidade das mudanças reflete o peso da intervenção americana e a centralidade do petróleo nas negociações.

Ainda é cedo para medir os efeitos de longo prazo. A economia segue fragilizada, o cenário político permanece instável e parte significativa da oposição cobra garantias de uma transição democrática real. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos avançam sobre um setor energético estratégico, enquanto Caracas tenta equilibrar soberania e sobrevivência econômica.

O primeiro mês pós-Maduro deixou claro que a Venezuela entrou em uma nova fase — marcada por decisões rápidas, influência externa direta e um futuro ainda em aberto, acompanhado de perto pela comunidade internacional.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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