Pular para o conteúdo
Tecnologia

Centros de dados podem quase triplicar consumo de água em cinco anos com avanço da IA

A expansão da inteligência artificial pode elevar drasticamente a demanda de água dos centros de dados. Segundo a Rystad Energy, o consumo direto global para resfriamento pode chegar a 644 bilhões de litros por ano até 2030.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A corrida pela inteligência artificial está criando uma demanda gigantesca por capacidade computacional. E além da enorme quantidade de eletricidade necessária para alimentar servidores, outro recurso começa a ganhar importância nessa expansão: a água.

Uma análise da Rystad Energy estima que os centros de dados consumiram diretamente cerca de 222 bilhões de litros de água para resfriamento em 2025. Sem medidas significativas de economia, esse volume pode alcançar quase 644 bilhões de litros anuais em 2030.

Isso significaria quase triplicar o consumo em apenas cinco anos.

O cenário, porém, não é inevitável. Tecnologias mais eficientes poderiam reduzir a demanda para aproximadamente 543 bilhões de litros. Com medidas agressivas de economia, o consumo poderia ficar próximo de 388 bilhões.

Inteligência artificial aumenta necessidade de resfriamento

Data Centers2
© Krzysztof Kowalik – Unsplash

A expansão está diretamente relacionada ao crescimento da IA.

Servidores especializados utilizados para treinar e executar modelos avançados trabalham com enormes cargas computacionais e produzem grandes quantidades de calor. Esse calor precisa ser removido continuamente para evitar problemas nos equipamentos.

A quantidade de água necessária depende de vários fatores, incluindo localização, temperatura ambiente e tecnologia de resfriamento.

Os 644 bilhões de litros estimados pela Rystad consideram apenas a água consumida diretamente pelos centros de dados. Existe ainda uma pegada indireta associada à geração da eletricidade utilizada pelas instalações.

Novas tecnologias podem economizar bilhões de litros

A tecnologia escolhida para controlar a temperatura dos servidores será decisiva.

Novos sistemas de resfriamento líquido diretamente nos racks conseguem retirar calor dos equipamentos com maior eficiência. Isso também pode facilitar a utilização de sistemas secos no restante da instalação.

Plataformas de próxima geração, como a Vera Rubin, da Nvidia, podem se beneficiar dessas tecnologias.

Existe, porém, uma troca entre consumo de água e eletricidade.

Segundo a Rystad Energy, sistemas de resfriamento seco podem economizar aproximadamente 2,15 litros de água para cada kWh de carga computacional. Em contrapartida, podem exigir entre 0,30 e 0,74 kWh adicionais de eletricidade.

Portanto, economizar água dentro do centro de dados não significa necessariamente diminuir sua pegada hídrica total.

Localização pode mudar completamente o consumo

O clima também produz diferenças enormes.

Dados da Amazon Web Services mostram como uma mesma empresa pode apresentar resultados completamente diferentes dependendo da região.

Em 2025, instalações da AWS em Estocolmo registraram aproximadamente 0,02 litro de água por kWh. Em Jacarta, o indicador chegou a 2,85 litros por kWh.

A diferença supera cem vezes.

Entre grandes operadores, a AWS informou média de 0,12 litro por kWh em 2025. A Meta registrou 0,19 litro em 2024, enquanto a Microsoft informou 0,27 litro em seu ano fiscal de 2025.

Esses números, entretanto, não devem ser utilizados diretamente como um ranking. As empresas adotam metodologias diferentes e operam centros de dados em regiões com características climáticas distintas.

Regiões com pouca água estão entre as mais preocupantes

Planeta Com água1
© J K – Unsplash

A localização das futuras instalações representa outro desafio.

Segundo a Rystad Energy, regiões classificadas com estresse hídrico alto ou extremamente alto poderão representar 34% do consumo direto de água dos centros de dados em 2030.

Entre as áreas consideradas especialmente vulneráveis estão regiões da Índia e do Texas.

A adoção obrigatória das tecnologias de resfriamento menos dependentes de água poderia reduzir em até 45% o consumo dos centros de dados localizados nessas áreas.

Grandes empresas também estão estabelecendo metas ambientais. Amazon, Google, Microsoft e Meta pretendem se tornar “water positive” até 2030, buscando devolver ao meio ambiente mais água do que consomem.

Governos começam a criar novas regras

O crescimento dos centros de dados também está chamando a atenção dos governos.

A Comissão Europeia trabalha em padrões de desempenho e sistemas de classificação para essas instalações. Singapura estabeleceu como referência um consumo inferior a dois litros de água por kWh.

Nos Estados Unidos, as regras variam entre os estados, enquanto autoridades analisam os efeitos dos novos projetos sobre redes elétricas e recursos hídricos.

A expansão da IA continuará exigindo cada vez mais capacidade computacional. A questão agora é como construir essa infraestrutura sem transformar a água em mais um gargalo da revolução tecnológica.

Para a Rystad Energy, o resultado dependerá principalmente das tecnologias de resfriamento, da localização dos centros de dados, da origem da eletricidade e da rapidez com que empresas e governos adotarem medidas para reduzir o consumo.

 

[ Fonte: El Periódico de la Eenergía ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados