Robôs humanoides assumem funções estratégicas
A UBTECH Robotics assinou um contrato de 264 milhões de yuans — cerca de R$ 199 milhões — para fornecer seus robôs Walker S2 aos postos de fronteira de Fangchenggang, na região de Guangxi, que faz divisa com o Vietnã. Segundo o jornal South China Morning Post, trata-se de uma das maiores implementações reais de robôs humanoides já feitas pelo governo chinês.
Essas máquinas vão controlar o fluxo de pessoas, orientar viajantes, ajudar em patrulhas, realizar tarefas logísticas e até dar suporte a serviços comerciais. Além disso, parte da frota será enviada para inspeções em fábricas de aço, cobre e alumínio. As primeiras entregas começam em dezembro.
A medida é mais um capítulo do esforço da China para transformar robôs humanoides em ferramentas de trabalho de fato — e não apenas em demonstrações de laboratório.
Walker S2: o robô que troca a própria bateria

O Walker S2 é apresentado pela UBTECH como um robô industrial capaz de executar tarefas complexas de manipulação. Ele tem 1,76 metro de altura, mãos com precisão submilimétrica e força para carregar até 15 kg em cada braço. Também se agacha, inclina o tronco e faz movimentos mais próximos dos humanos do que os robôs tradicionais.
Mas o recurso mais impressionante é a capacidade de trocar sozinho sua bateria descarregada por outra totalmente carregada. A função evita paradas, permite turnos contínuos e reduz a necessidade de intervenção humana — algo crucial em operações de patrulha.
No início de novembro, a empresa publicou um vídeo mostrando uma frota de robôs Walker S2 caminhando em direção a contêineres industriais, anunciando sua primeira entrega em massa. A meta é ambiciosa: 500 unidades até o fim do ano e 10 mil por ano a partir de 2027, enquanto os custos caem gradualmente.
Um país que já trata robôs como funcionários públicos

A introdução dos Walker S2 nas fronteiras não é exatamente isolada. A China vem testando robôs humanoides em várias áreas do serviço público:
- No Aeroporto Internacional de Hangzhou Xiaoshan, um robô semelhante já foi usado para tirar dúvidas de passageiros.
- Em Tianjin, durante a Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai deste ano, autoridades de imigração utilizaram um robô multilíngue da iBen Intelligence.
- Cidades como Shenzhen, Xangai e Chengdu já contam com robôs de patrulha policial circulando pelas ruas.
O ritmo acelerado levou o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China a criar um comitê nacional dedicado exclusivamente à robótica humanoide — um sinal claro de que o país quer liderar essa corrida.
O futuro da vigilância automatizada

A adoção de robôs humanoides nas fronteiras levanta questões importantes sobre privacidade, segurança e o futuro das patrulhas. Ao mesmo tempo, mostra como a China está disposta a transformar robótica em política pública — e não apenas em espetáculo tecnológico.
Nos próximos anos, veremos até onde esse modelo pode ir. E, mais importante: veremos se a mistura entre vigilância, automação e inteligência artificial vai redefinir a forma como países controlam suas fronteiras.
[Fonte: Olhar Digital]