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Ciência

Cientistas conseguem recuperar duas horas de sono em estudo sobre Alzheimer e fazem descoberta surpreendente

Pesquisadores descobriram que células de defesa do cérebro podem provocar distúrbios do sono associados ao Alzheimer. Experimentos com camundongos revelaram uma possível estratégia para futuros tratamentos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma descoberta inesperada pode mudar a maneira como a ciência compreende os problemas de sono associados ao Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, conseguiram recuperar mais de duas horas de sono por dia em camundongos com alterações cerebrais semelhantes às da doença. O resultado surpreendeu porque os animais melhoraram sem que fosse necessário eliminar as placas de proteínas tradicionalmente associadas ao Alzheimer. A chave estava em células do próprio sistema imunológico cerebral.

Cientistas descobrem uma nova causa para a perda de sono no Alzheimer

Durante décadas, pesquisadores investigaram como o acúmulo de placas de beta-amiloide interfere no funcionamento dos neurônios e contribui para o desenvolvimento do Alzheimer.

Agora, um estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia aponta para outro elemento importante: a micróglia.

Essas células fazem parte do sistema imunológico do cérebro. Em condições normais, ajudam a eliminar resíduos, combater ameaças e proteger os neurônios.

Entretanto, quando encontram placas de beta-amiloide, podem desencadear uma resposta inflamatória excessiva.

Segundo os pesquisadores, essa reação pode prejudicar os mecanismos cerebrais responsáveis pelo sono.

A descoberta sugere que não são apenas as placas ou os neurônios danificados que contribuem para a insônia associada ao Alzheimer, mas também a resposta imunológica do organismo.

Experimento recuperou mais de duas horas de sono por dia

Para investigar o fenômeno, os cientistas utilizaram camundongos geneticamente modificados para desenvolver alterações semelhantes às observadas no Alzheimer.

Os animais foram acompanhados em diferentes fases da vida, enquanto equipamentos registravam sua atividade cerebral e seus padrões de sono.

Em uma etapa do experimento, os pesquisadores administraram pexidartinibe, medicamento capaz de bloquear sinais necessários à sobrevivência das células da micróglia.

Após 14 dias, aproximadamente 87% dessas células haviam sido temporariamente eliminadas.

O resultado surpreendeu a equipe: os animais passaram a dormir mais de duas horas adicionais por dia.

Além disso, apresentaram períodos mais longos de sono NREM, que inclui as fases profundas e restauradoras do descanso.

O aspecto mais intrigante foi que as placas de beta-amiloide continuaram presentes no cérebro, mesmo depois da melhora significativa do sono.

Por que o sono profundo é tão importante para o cérebro?

O sono não serve apenas para recuperar a energia depois de um dia cansativo.

Durante suas diferentes fases, o cérebro realiza processos essenciais para consolidar memórias, regular atividades neuronais e manter seu funcionamento.

O sono NREM profundo também está associado à eliminação de resíduos metabólicos.

A pesquisa identificou uma diferença entre o envelhecimento normal e as alterações provocadas pelo Alzheimer.

Enquanto o envelhecimento tende a reduzir principalmente o sono REM, associado aos sonhos, as alterações semelhantes às do Alzheimer afetaram especialmente o sono NREM.

Outro resultado inesperado foi que os distúrbios apareceram relativamente cedo e não pioraram proporcionalmente ao aumento das placas cerebrais.

Isso reforça a hipótese de que a inflamação desencadeada pela micróglia desempenha um papel importante na perda de sono.

Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos

O estudo foi liderado por Shannon L. Macauley e Nicholas J. Constantino, da Universidade de Kentucky.

Os resultados, detalhados no artigo científico publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, apontam para uma possível mudança na estratégia de tratamento dos distúrbios do sono associados à doença.

Em vez de eliminar as células imunológicas, os cientistas querem descobrir maneiras de controlar sua atividade excessiva.

Isso é importante porque a micróglia desempenha funções essenciais para a proteção do cérebro.

A equipe está investigando medicamentos já conhecidos, incluindo a metformina, utilizada no tratamento do diabetes, e o estiripentol, empregado em determinados tipos de epilepsia.

O objetivo é compreender se essas substâncias podem modificar o metabolismo das células imunológicas e reduzir a inflamação prejudicial ao sono.

Essas possibilidades ainda são experimentais e não representam tratamentos comprovados para pacientes com Alzheimer.

Exames cerebrais também podem ajudar no diagnóstico precoce

Além da descoberta relacionada ao sono, os pesquisadores identificaram padrões de atividade elétrica que podem ajudar a diferenciar alterações associadas ao Alzheimer daquelas provocadas pelo envelhecimento normal.

Esses sinais foram observados por meio de eletroencefalografia, técnica que registra a atividade elétrica cerebral.

No futuro, equipamentos portáteis poderiam permitir o acompanhamento de pacientes em casa ou em clínicas com menos recursos.

Isso poderia facilitar a identificação de alterações que justificassem exames mais específicos.

Entretanto, os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos com seres humanos.

A descoberta também não significa que os pesquisadores encontraram uma cura para o Alzheimer. Os experimentos foram realizados em animais e demonstraram melhora do sono, não a reversão da doença.

Ainda assim, o trabalho apresenta uma possibilidade promissora: melhorar a qualidade do sono sem necessariamente remover as placas de beta-amiloide.

Se os resultados forem reproduzidos com segurança em humanos, poderão contribuir para novas abordagens destinadas a preservar o descanso e a qualidade de vida de pessoas com Alzheimer.

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