A três dias do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, as pesquisas mantêm indefinida a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os levantamentos divulgados nesta semana mostram vantagens numéricas pequenas para o senador. Os resultados, porém, precisam ser lidos com atenção às margens de erro, às datas das entrevistas e à diferença entre votos totais e válidos.
PoderData mostra Flávio com 51% e Lula com 49%

A pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira, 22 de outubro aponta Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%.
Na comparação com a rodada anterior, o candidato do PL oscilou um ponto percentual para baixo, enquanto o presidente avançou na mesma proporção. O movimento reduziu a distância numérica, mas permanece dentro da margem de erro de 1,6 ponto percentual.
O instituto realizou quatro mil entrevistas por telefone entre 19 e 21 de outubro, em 865 municípios das 27 unidades da Federação. O nível de confiança informado é de 95%.
Financiado com recursos próprios, o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07926/2026. A leitura apresentada pelo instituto é de empate técnico.
Quaest também indica uma diferença estreita
Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, 21 de outubro, Flávio aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Esses percentuais correspondem aos votos totais.
Brancos, nulos e entrevistados que disseram não pretender votar somaram 9%. Outros 2% estavam indecisos. Na rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, o senador tinha 46%, enquanto o presidente registrava os mesmos 44%.
A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%. Encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, o estudo tem registro BR-08535/2026.
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde sem receber uma lista de candidatos, os dois marcaram 40%.
Votos totais e válidos não são a mesma medida
Comparar diretamente os 45% da Quaest com os 51% do PoderData produz uma impressão enganosa. Os números citados utilizam bases diferentes.
Nos votos totais, aparecem também respostas como branco, nulo e indecisão. Para calcular a estimativa de votos válidos, os institutos retiram essas categorias e redistribuem proporcionalmente os percentuais dos candidatos.
Na conversão apresentada para a Quaest, Flávio fica com 50,56% e Lula com 49,44%. Isso aproxima a leitura dos dois levantamentos, embora não torne suas metodologias idênticas. Pesquisas de institutos diferentes continuam sendo medições separadas, realizadas em períodos e com procedimentos próprios.
A maioria afirma que já decidiu o voto

Outro recorte da rodada PoderData/Aya mostra um eleitorado majoritariamente definido. Ao todo, 94% disseram que já escolheram seu candidato e não pretendem mudar.
Entre os apoiadores de Flávio, essa proporção chega a 97%. Entre os de Lula, é de 94%. No conjunto dos entrevistados, 6% afirmaram que ainda podem rever a escolha.
O resultado ajuda a dimensionar o desafio das campanhas na reta final. Existe um grupo aberto a mudar de posição, mas a maior parte declara uma preferência consolidada. A disposição informada na entrevista, entretanto, continua sendo uma declaração naquele momento, não uma garantia de comportamento no domingo.
Empate técnico não significa resultado empatado
A expressão resume a proximidade das estimativas diante da incerteza amostral. Ela não transforma os percentuais em uma previsão de igualdade nas urnas.
Também é preciso evitar tratar oscilações pequenas como uma virada comprovada. No PoderData, o avanço de Lula e o recuo de Flávio foram de um ponto; na Quaest, o presidente ficou estável e o senador oscilou um ponto para baixo.
As pesquisas oferecem retratos da disputa durante a coleta. A definição da Presidência dependerá dos votos efetivamente registrados e da apuração oficial, não da posição numérica de um candidato em um levantamento isolado.