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Ciência

Cérebro de ratos apresenta sinais ligados ao Alzheimer antes de surgirem placas da doença

Estudo identificou alterações na atividade elétrica de animais jovens, ainda sem sinais evidentes de neurodegeneração. Os resultados podem orientar pesquisas sobre detecção precoce, mas precisam ser investigados em humanos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Mudanças no funcionamento do cérebro podem aparecer antes de alguns dos sinais mais conhecidos do Alzheimer. Uma pesquisa liderada pela Universidade Politécnica de Madri, em colaboração com o Instituto Cajal do CSIC, encontrou alterações nos ritmos cerebrais de camundongos jovens usados para estudar a doença. Os animais ainda não apresentavam placas amiloides, inflamação cerebral ou perda de neurônios detectáveis nessa fase. O achado aponta uma possível pista para investigar os estágios iniciais da patologia.

Os primeiros sinais apareceram na atividade elétrica

Anestesia Cerebrais
© Canva/Divulgação/ND

Publicado na revista Neurobiology of Disease, o trabalho analisou registros de eletroencefalografia intracraniana, uma técnica que capta sinais elétricos por meio de eletrodos posicionados no interior do crânio.

Os pesquisadores utilizaram o modelo 5XFAD, formado por camundongos geneticamente modificados para desenvolver características associadas ao Alzheimer. A comparação incluiu animais desse modelo e camundongos de controle em três faixas etárias: um mês, três a quatro meses e dez a 12 meses.

Nos mais jovens, a equipe encontrou redução da potência de oscilações lentas e aumento de oscilações de alta frequência. Também observou mudanças na relação entre esses ritmos, indicando uma organização anormal da atividade das redes cerebrais.

Antes das placas não significa ausência de alterações biológicas

Um detalhe do estudo ajuda a interpretar o resultado. Embora os animais jovens ainda não apresentassem placas amiloides, os pesquisadores já detectavam formas da proteína beta-amiloide no córtex e no hipocampo.

Portanto, os sinais elétricos apareceram antes de depósitos e danos evidentes nos tecidos, mas não necessariamente antes de qualquer mudança molecular relacionada à doença.

Essa distinção evita interpretar o trabalho como a descoberta de um cérebro completamente saudável que já permitiria prever o Alzheimer. O experimento identificou alterações funcionais em um modelo animal com predisposição genética conhecida para desenvolver a patologia.

O cérebro parecia mais excitável

As oscilações de alta frequência observadas nos animais jovens ocorreram na faixa de 100 a 500 hertz. Segundo a divulgação da pesquisa, esse aumento é compatível com hiperexcitabilidade cerebral, uma condição na qual as redes apresentam atividade elétrica excessivamente facilitada.

A equipe também encontrou uma relação alterada entre as oscilações rápidas e ritmos mais lentos, conhecidos como ondas theta. O interesse está tanto na intensidade dos sinais quanto na maneira como diferentes frequências se coordenam.

Na apresentação da pesquisa divulgada pela Fundação madri+d, com informações da universidade, os autores destacam essas alterações como possíveis marcadores funcionais precoces.

As diferenças não evoluíram de maneira uniforme

Nos camundongos adultos, o artigo descreve alterações semelhantes nos ritmos cerebrais, acompanhadas de atividade epileptiforme e crises convulsivas. Nessa etapa, os registros sugerem um comprometimento mais evidente das redes.

Entretanto, nos animais mais velhos, os pesquisadores não encontraram diferenças consistentes nas características espectrais do eletroencefalograma em relação aos controles da mesma idade.

Isso mostra que o comportamento desses sinais varia conforme a fase analisada. Um marcador útil no início pode não manter a mesma capacidade de distinguir os grupos durante toda a progressão da doença. O estudo, portanto, não apresenta uma medida que simplesmente aumenta de forma contínua com o avanço do Alzheimer.

O que falta descobrir em humanos

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© Lia Koltyrina (Shutterstock)

Daniel González-Nieto, responsável pela investigação, ressalta que ainda é necessário determinar se alterações semelhantes aparecem em pessoas com predisposição para desenvolver Alzheimer.

A possibilidade discutida pela equipe é combinar sinais eletrofisiológicos com exames de imagem e marcadores moleculares presentes no líquido cefalorraquidiano ou no sangue. Essa abordagem reuniria informações sobre funcionamento e alterações biológicas do cérebro, em vez de depender de um único indicador.

O objetivo de longo prazo é melhorar a identificação de fases iniciais e estudar oportunidades de intervenção. Os resultados atuais, porém, vêm de camundongos e de registros intracranianos. Eles não demonstram que um eletroencefalograma convencional já possa prever quem desenvolverá Alzheimer, nem estabelecem um novo teste clínico para pessoas sem sintomas.

 

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