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Ciência

Parecia um tornado, mas não era: fenômeno raro arranca telhado de rodoviária no Chile

Um redemoinho assustador atingiu Santiago, no Chile, arrancando estruturas e espalhando destroços. Meteorologistas descobriram que se tratava de um gustnado, fenômeno pouco conhecido e potencialmente perigoso.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma tempestade transformou uma rodoviária de Santiago, no Chile, em cenário de destruição. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram pedaços de telhado sendo arremessados pelo ar enquanto um redemoinho avançava sobre o terminal. Inicialmente confundido com um tornado, o fenômeno recebeu outra classificação após uma investigação meteorológica. Os especialistas identificaram um gustnado, um tipo de vórtice que se forma próximo ao solo e pode provocar danos consideráveis.

Redemoinho surpreendeu passageiros em Santiago

O episódio aconteceu em 13 de outubro de 2026, durante uma forte tempestade que atingiu a capital chilena.

Na região de Estación Central, o vento arrancou parte da cobertura do Terminal Rodoviário Alameda, espalhando fragmentos de estruturas pelo ar.

Vídeos registraram os destroços girando acima do terminal, criando uma cena semelhante à passagem de um tornado.

A tempestade também provocou quedas de árvores e danos em outras regiões da cidade.

Diante das imagens, surgiu a suspeita de que Santiago tivesse sido atingida por um tornado de baixa intensidade.

Entretanto, após analisar registros meteorológicos, vídeos e os danos encontrados no local, a Direção Meteorológica do Chile (DMC) chegou a uma conclusão diferente.

O fenômeno era compatível com um gustnado, um redemoinho associado às fortes rajadas de uma tempestade.

O que é um gustnado e como ele se forma?

A palavra gustnado combina os termos ingleses gust, que significa rajada de vento, e tornado.

Apesar da semelhança visual, os dois fenômenos apresentam diferenças importantes.

Um tornado está associado a uma circulação atmosférica organizada que se estende da base de uma nuvem de tempestade até a superfície.

Já o gustnado surge próximo ao chão, geralmente na região conhecida como frente de rajada.

Esse processo começa quando uma massa de ar frio desce rapidamente de uma tempestade e se espalha horizontalmente ao atingir o solo.

Ao encontrar o ar ambiente, a corrente pode produzir pequenas áreas de rotação.

Quando essa rotação se intensifica, surge um redemoinho capaz de levantar poeira, galhos e até fragmentos de construções.

A principal diferença é que o gustnado não apresenta uma conexão vertical contínua com a base da nuvem, característica fundamental para distingui-lo de um tornado convencional.

Queda de temperatura de quase 10 graus ajudou a explicar o fenômeno

A investigação chilena encontrou sinais meteorológicos compatíveis com a passagem de uma intensa frente de rajada.

Na estação Quinta Normal, em Santiago, a temperatura caiu aproximadamente 10 °C em um intervalo de uma hora, passando de cerca de 17 °C para 7,5 °C.

Ao mesmo tempo, a pressão atmosférica aumentou aproximadamente sete hectopascais.

Também foram registradas chuvas intensas, granizo e forte atividade elétrica.

Segundo a análise divulgada pelo portal especializado Meteored, os meteorologistas identificaram danos localizados, sem o corredor de destruição típico de muitos tornados.

A ausência de uma nuvem em formato de funil conectada ao solo também contribuiu para a classificação.

Gustnados são perigosos mesmo sem serem tornados?

Sim. Embora geralmente sejam pequenos e de curta duração, esses redemoinhos podem apresentar rajadas suficientemente fortes para causar acidentes.

O maior risco está nos objetos que podem ser lançados pelo vento, como placas, telhas, galhos e estruturas metálicas.

Por isso, a recomendação durante tempestades severas é procurar abrigo em construções resistentes e evitar permanecer próximo a janelas ou estruturas vulneráveis.

Os gustnados também podem ocorrer no Brasil, especialmente durante tempestades intensas na primavera e no verão.

A diferença entre eles e os tornados é explicada em materiais meteorológicos da Purdue University, que destacam a origem próxima ao solo e a ausência de ligação com a base das nuvens.

O episódio de Santiago demonstra que nem todo redemoinho destrutivo é um tornado. Mesmo fenômenos menos conhecidos podem representar riscos reais e exigir atenção das autoridades meteorológicas.

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