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Ciência

Cientistas descobrem detalhes inéditos sobre o cometa 3I/ATLAS — e sua origem desafia o que se imaginava

Novas observações do cometa interestelar 3I/ATLAS revelaram uma composição química incomum e indicam que ele pode ter se formado ao redor de uma estrela muito mais antiga que o Sol. O objeto oferece uma oportunidade única para investigar como eram os primeiros sistemas planetários do universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O cometa interestelar 3I/ATLAS continua surpreendendo os astrônomos. Dois estudos científicos publicados recentemente indicam que o objeto possui uma composição química diferente da observada em cometas do Sistema Solar e, mais impressionante ainda, pode ter se formado ao redor de uma estrela com mais que o dobro da idade do Sol.

As descobertas foram possíveis graças às observações realizadas pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) e pelo Telescópio Espacial James Webb. Juntos, os resultados oferecem uma das melhores oportunidades já obtidas para estudar um corpo celeste formado em outro sistema planetário e preservar pistas sobre os primeiros bilhões de anos da história do universo.

Composição química revela uma origem muito antiga

Estamos diante da possível descoberta do século? A NASA detecta pela primeira vez sinais de um elemento vital fora do Sistema Solar no cometa interestelar 3I/ATLAS
© NASA / ESA.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar identificado atravessando o Sistema Solar, depois de 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov. Ao contrário de seus antecessores, porém, ele permaneceu visível por tempo suficiente para permitir uma análise detalhada de sua composição.

Pesquisadores liderados por Cyrielle Opitom, ao lado de Jean Manfroid e Damien Hutsemékers, analisaram o gás liberado pelo cometa usando o instrumento UVES, instalado no Very Large Telescope.

A equipe mediu proporções isotópicas de carbono e nitrogênio presentes em moléculas de cianeto na nuvem de gás que envolve o cometa. Esses isótopos funcionam como uma espécie de “impressão digital”, permitindo reconstruir o ambiente onde o objeto se formou.

Segundo os pesquisadores, os valores encontrados são diferentes dos registrados em cometas do Sistema Solar e apontam para um ambiente muito antigo, localizado nas regiões mais externas de uma estrela pobre em elementos pesados.

O que torna o 3I/ATLAS tão especial

Os cientistas consideram os cometas interestelares verdadeiros fósseis da formação planetária.

Como nasceram ao redor de outras estrelas, esses objetos carregam informações preservadas sobre sistemas planetários completamente diferentes do nosso. Quando um deles cruza o Sistema Solar, os astrônomos têm uma oportunidade rara de investigar materiais formados a centenas ou milhares de anos-luz de distância.

Em comunicado do ESO, Cyrielle Opitom definiu esses corpos como “fósseis” de processos de formação planetária ocorridos muito longe da Terra, mas que podem ser estudados relativamente de perto.

O brilho incomum do 3I/ATLAS foi decisivo para esse avanço científico. No caso de 1I/ʻOumuamua, nenhum gás foi detectado. Já 2I/Borisov era fraco demais para permitir medições comparáveis.

James Webb reforça as conclusões

De Donde Viene Atlas
© University of Hawaii/NASA

Um segundo estudo, liderado por Martin Cordiner, utilizou observações do Telescópio Espacial James Webb e encontrou resultados compatíveis com o primeiro trabalho.

Além de confirmar proporções isotópicas semelhantes de carbono, a equipe identificou níveis elevados de deutério, conhecido como hidrogênio pesado.

A combinação desses dados fortalece a hipótese de que o cometa surgiu nas regiões externas de uma estrela de baixa metalicidade — termo usado para descrever estrelas que possuem poucos elementos mais pesados que o hélio. Essas estrelas se formaram quando o universo ainda era muito jovem e sua composição química era bastante diferente da atual.

Segundo Rosemary Dorsey, o 3I/ATLAS oferece uma oportunidade extraordinária para estudar um sistema planetário formado muito antes do nascimento do Sol.

Um visitante que ajuda a entender o passado do universo

Os resultados indicam que o cometa pode ter mais que o dobro da idade do Sol, tornando-se uma das amostras naturais mais antigas já estudadas pelos astrônomos.

Por isso, o interesse científico em torno do objeto vai muito além de sua passagem pelo Sistema Solar. Cada medição ajuda a reconstruir as condições físicas e químicas existentes nos primeiros bilhões de anos da Via Láctea.

As observações com o Very Large Telescope estão chegando ao fim porque o cometa se afasta do Sol e perde brilho rapidamente. Isso reduz o tempo disponível para coletar novos dados.

No futuro, o Extremely Large Telescope (ELT), atualmente em construção pelo ESO, deverá ampliar significativamente a capacidade de estudar objetos interestelares. O observatório será capaz de analisar até visitantes muito menos brilhantes que o 3I/ATLAS, aumentando as chances de compreender melhor esses raros mensageiros vindos de outros sistemas estelares.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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