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Tecnologia

Cientistas transformaram uma propriedade curiosa do som em uma nova forma de propulsão

Pesquisadores descobriram uma maneira curiosa de transformar ondas sonoras em movimento, criando dispositivos tão pequenos que a ideia parece saída de um filme de ficção científica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

E se um simples alto-falante pudesse fazer um robô se mover sem bateria, engrenagens ou motor convencional? Essa possibilidade deixou de ser apenas uma ideia distante. Pesquisadores desenvolveram estruturas microscópicas capazes de aproveitar determinadas frequências sonoras para produzir força e controlar pequenos dispositivos. O princípio parece simples, mas suas aplicações podem levar a uma nova geração de máquinas extremamente leves e difíceis de imaginar pelos padrões atuais.

Uma ideia inspirada em uma garrafa

A tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, utiliza um fenômeno físico conhecido como ressonância de Helmholtz. É o mesmo princípio que ajuda a produzir aquele som característico quando alguém sopra sobre a abertura de uma garrafa.

Dentro de uma cavidade, o ar pode oscilar em uma frequência específica. Os pesquisadores perceberam que, ao reduzir esse conceito a estruturas minúsculas e controlar cuidadosamente sua geometria, seria possível fazer muito mais do que simplesmente produzir um som.

Quando uma onda sonora atinge a frequência adequada, o ar dentro da cavidade começa a oscilar intensamente. Parte dele sai por uma pequena abertura formando um jato relativamente concentrado, enquanto o ar que retorna entra de maneira mais espalhada.

Essa diferença cria uma força resultante capaz de movimentar a estrutura. Ou seja, o som não precisa simplesmente empurrar o objeto por fora. A própria cavidade funciona como uma espécie de conversor acústico, transformando uma frequência específica em movimento.

E existe outra vantagem: essas estruturas podem ser produzidas com materiais variados, incluindo polímeros, plásticos obtidos por impressão 3D e vidro.

Um simples som pode decidir para onde o robô vai

Para testar a ideia, a equipe construiu pequenos barcos equipados com até três ressonadores. Cada um deles foi projetado para responder a uma frequência diferente e produzir força em uma determinada direção.

Isso permitiu criar uma espécie de controle remoto acústico. Em vez de instalar motores separados para cada movimento, os pesquisadores podiam simplesmente emitir diferentes tons a partir de um alto-falante.

Ao alterar a frequência, conseguiam ativar um determinado ressonador e modificar o comportamento do dispositivo. Dessa maneira, os pequenos barcos foram capazes de avançar, mudar de direção, desviar de obstáculos e seguir trajetórias programadas.

A proposta é particularmente interessante porque uma única fonte sonora pode controlar diferentes funções de um mesmo dispositivo. Basta projetar cavidades que respondam a frequências distintas.

Na prática, isso abre uma possibilidade diferente da tradicional miniaturização de motores: em vez de colocar mais componentes dentro de um robô cada vez menor, parte do controle poderia permanecer do lado de fora.

O experimento chegou ao ar — e ficou ainda menor

Depois dos testes com barcos, os pesquisadores levaram o conceito para uma escala ainda mais impressionante. Utilizando técnicas de nanofabricação e impressão 3D, criaram pequenos dispositivos voadores chamados microfliers.

Nesse caso, o sistema utiliza ultrassom, com frequências acima da capacidade de audição humana. Um dos protótipos pesava somente 150 microgramas e utilizava três cavidades microscópicas para gerar força vertical.

O comportamento lembra, em certa medida, o funcionamento de um pequeno foguete: o fluxo de ar produzido pelas cavidades cria o empuxo necessário para tirar o dispositivo do chão.

Outro projeto seguiu uma abordagem diferente. Pequenas pás eram movimentadas pela energia acústica e chegaram a atingir cerca de 13.000 rotações por minuto, produzindo sustentação de maneira semelhante à de um helicóptero.

Os resultados mostram que o princípio não está limitado a veículos sobre a água. Ele também pode ser aplicado a máquinas extremamente leves que precisam se deslocar pelo ar.

O futuro pode ter robôs controlados por frequências

O aspecto mais promissor da pesquisa talvez esteja justamente naquilo que ela elimina. Dependendo da aplicação, um dispositivo pode dispensar bateria própria, engrenagens e determinados atuadores magnéticos.

Os pesquisadores imaginam estruturas com muitos ressonadores integrados, cada um ajustado para responder a uma frequência diferente. Ao emitir determinados sons, seria possível fazer partes específicas de uma máquina se moverem, dobrarem ou vibrarem.

Ainda é uma tecnologia experimental, e existe uma distância considerável entre esses protótipos e robôs autônomos produzidos em larga escala. Mesmo assim, o conceito aponta para uma alternativa curiosa à corrida tradicional por motores cada vez menores.

Em vez de colocar toda a tecnologia dentro da máquina, o controle poderia vir de fora. E o responsável por movimentar esses robôs não seria necessariamente uma bateria ou um motor microscópico, mas algo muito mais simples e abundante: o som.

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