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Ciência

Encontrar um novo propósito depois dos 50 pode ser uma das chaves para envelhecer melhor

Ter projetos, objetivos e motivos para continuar planejando o futuro pode ser tão importante quanto cuidar da alimentação, do sono e da atividade física. Especialistas explicam por que encontrar novos propósitos depois dos 50 anos pode favorecer o bem-estar e uma longevidade mais saudável.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Depois dos 50 anos, acreditar que os principais objetivos da vida já ficaram para trás pode ter consequências que vão além do estado emocional.

Com o aumento da expectativa de vida, especialistas defendem que envelhecer de maneira saudável também envolve continuar construindo projetos, cultivando relações e encontrando razões para acordar todos os dias com alguma expectativa sobre o futuro.

Durante décadas, a vida costuma seguir uma sequência relativamente previsível: estudar, trabalhar, construir uma carreira, formar uma família e buscar estabilidade financeira. Quando muitos desses objetivos são alcançados, porém, surge uma pergunta difícil: o que fazer com as próximas décadas?

Para Alicia Rozenblum, psicopedagoga e especialista em longevidade, encontrar essa resposta é parte fundamental do envelhecimento saudável.

Ela chama esse fenômeno de “segunda revolução da longevidade”. A primeira foi viver mais. A segunda será descobrir o que fazer com todos esses anos adicionais.

Ter um propósito pode ajudar o cérebro e o corpo

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© Unsplash

Propósito não significa necessariamente estabelecer uma grande missão para a vida.

Pode ser aprender algo, cuidar de alguém, participar de atividades comunitárias, desenvolver um hobby, trabalhar em um novo projeto ou simplesmente continuar perseguindo objetivos que façam sentido.

A psicóloga Milagros Abud explica que propósito e metas também não são exatamente a mesma coisa.

O propósito está relacionado ao motivo pelo qual fazemos determinadas escolhas. As metas são os caminhos utilizados para transformar esse sentido em algo concreto.

Por isso, elas podem mudar ao longo da vida.

Essa capacidade de atualização torna-se especialmente importante conforme envelhecemos. Algo que fazia sentido aos 30 anos pode deixar de ter a mesma importância aos 60.

O neurologista e neurocientista Claudio Waisburg destaca ainda que atividades associadas a um propósito costumam manter o cérebro estimulado.

Relações sociais, voluntariado, projetos comunitários, hobbies e objetivos pessoais envolvem interação, aprendizagem e, em alguns casos, atividade física. Esses fatores podem contribuir para preservar a saúde cerebral ao longo dos anos.

A sensação de “já consegui tudo” pode ser uma armadilha

Existe até um conceito relacionado a esse fenômeno: a chamada “falácia da chegada”.

Popularizada pelo psicólogo Tal Ben-Shahar, ela descreve a crença de que alcançar determinado objetivo produzirá felicidade permanente.

Na prática, porém, nosso cérebro se adapta rapidamente às conquistas.

A professora de fisiologia Mónica de la Fuente, da Universidade Complutense de Madri, afirma que perder objetivos e motivações pode prejudicar tanto a saúde mental quanto a física.

Quando existem projetos pela frente, sistemas cerebrais relacionados à motivação e ao bem-estar permanecem ativos. Quando desaparecem os desafios, por outro lado, podem surgir apatia, cansaço e tristeza.

A especialista também relaciona estados prolongados de estresse ao aumento do cortisol, inflamação e processos oxidativos que podem afetar o organismo.

Isso não significa que simplesmente “ter um propósito” garanta uma vida longa. Longevidade depende de muitos fatores, incluindo genética, condições socioeconômicas, acesso à saúde, alimentação, exercícios e sono.

Mas o sentido de vida pode funcionar como mais uma peça desse quebra-cabeça.

A aposentadoria pode ser um momento decisivo

A aposentadoria é uma das fases em que essa questão costuma aparecer com mais intensidade.

Durante décadas, o trabalho não oferece apenas dinheiro. Ele também determina horários, relações sociais, hábitos e boa parte da identidade de uma pessoa.

Quando essa estrutura desaparece, algumas pessoas experimentam inicialmente uma sensação de liberdade. Depois, porém, pode surgir um período de desorientação.

Isso acontece porque aposentar-se atualmente não significa necessariamente entrar nos últimos anos de vida.

Com o aumento da longevidade, uma pessoa pode ter 20 ou 30 anos de vida ativa depois de deixar o mercado de trabalho.

Rozenblum considera justamente por isso a aposentadoria um “momento de virada”.

É possível aprender uma nova habilidade, estudar novamente, realizar trabalho voluntário, começar outra atividade profissional ou finalmente dedicar tempo a interesses que ficaram adiados durante décadas.

A vocação, afinal, não precisa ser escolhida uma única vez aos 17 ou 18 anos.

Como encontrar um novo propósito depois dos 50

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© Unsplash

No livro “A Nova Longevidade”, Rozenblum e Abud defendem que a reinvenção pode acontecer em diferentes áreas: pessoal, profissional, afetiva, social e até na maneira como nos relacionamos com o próprio corpo.

Abud recupera ainda ideias do neurologista e psiquiatra Viktor Frankl, criador da logoterapia e autor de “Em Busca de Sentido”.

Um dos caminhos envolve a auto-observação: sair do piloto automático e identificar aquilo que sabemos fazer, gostamos de criar ou podemos oferecer aos outros.

Outro passa pelas experiências que o mundo proporciona, incluindo relações, histórias pessoais e novos aprendizados.

Por fim, existe a dimensão da atitude: a maneira como lidamos com limitações, incertezas, perdas e frustrações inevitáveis.

Encontrar propósito, portanto, não exige descobrir uma missão extraordinária.

Pode significar simplesmente continuar tendo algo que desperte curiosidade, gere vínculos e faça o futuro parecer interessante.

Viver mais anos é uma das grandes conquistas da sociedade moderna. O próximo desafio talvez seja garantir que essas décadas adicionais não sejam apenas uma extensão da vida, mas um período que ainda tenha projetos, descobertas e significado.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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