Durante muito tempo, a clonagem de animais de estimação pareceu algo distante, restrito à ficção científica ou a excentricidades de celebridades. No entanto, esse mercado existe há cerca de 20 anos e vem crescendo de forma constante. Hoje, empresas especializadas oferecem a clonagem genética de cães, gatos e até cavalos, prometendo preservar a aparência e parte das características biológicas de animais que já morreram.
Um mercado em expansão silenciosa
Companhias como a norte-americana Viagen e a espanhola Ovoclone estão entre as mais conhecidas do setor. O serviço completo pode custar em torno de 50 mil euros, enquanto a simples preservação genética — coleta e congelamento de células da pele — gira entre 1.500 e 3.000 dólares. Segundo estimativas do setor, o mercado global de clonagem de animais de estimação movimentou cerca de 300 milhões de dólares em 2024 e pode ultrapassar 1,5 bilhão até 2034.
Apesar do alto custo, as empresas afirmam que seus clientes não se resumem a milionários. Há tutores que optam por financiar o procedimento, guardar o material genético por anos ou enxergar a clonagem como uma extensão do vínculo emocional com o animal.
Como funciona a clonagem de pets
A técnica utilizada é semelhante à que deu origem à ovelha Dolly, nos anos 1990. A partir de uma biópsia de pele — feita com o animal ainda vivo ou logo após a morte — as células são cultivadas em laboratório. O núcleo de uma dessas células é transferido para um óvulo doador, que teve seu material genético removido. O embrião é então implantado em uma fêmea que atua como mãe substituta.
O resultado é um filhote com cerca de 99,9% do DNA do animal original. Ainda assim, as empresas deixam claro: o clone não é o mesmo animal. Ele nasce como um filhote, com personalidade própria, influenciada pelo ambiente, pela educação e pelas experiências vividas.

Ética, bem-estar animal e controvérsias
É justamente nesse ponto que surgem as maiores críticas. Especialistas em bioética e direitos animais questionam o uso de fêmeas como mães substitutas e o alto número de tentativas necessárias até que um clone saudável nasça. Estudos indicam que a eficiência da clonagem em cães é baixa, em torno de 2%, o que significa muitas gestações que não chegam a termo.
Defensores da prática afirmam que os animais envolvidos recebem cuidados veterinários rigorosos e que futuras tecnologias, como úteros artificiais, poderiam reduzir o impacto sobre mães gestantes. Já os críticos argumentam que a clonagem reforça uma relação instrumental com seres sencientes e ignora a enorme quantidade de animais em abrigos aguardando adoção.
Ciência, afeto e limites humanos
Mesmo entre os defensores da clonagem, há um consenso: é possível copiar o corpo, mas não a história. Pequenas variações biológicas são inevitáveis, e o comportamento nunca será uma réplica perfeita. Como resumiu a cantora Barbra Streisand, que também recorreu à clonagem: “Você pode clonar a aparência de um cachorro, mas não pode clonar a alma”.
A clonagem de animais de estimação, portanto, não é apenas um serviço científico. É um espelho de como lidamos com o amor, a perda e a dificuldade humana de aceitar que a morte — inclusive a de quem amamos — faz parte da vida.