O anúncio foi feito durante a COP30, pela ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, em reunião da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Na prática, o país declarou a sua Amazônia como zona totalmente protegida contra exploração de petróleo e contra projetos de mineração de grande porte.
Isso transforma a Colômbia no primeiro país da Amazônia a adotar, de forma integral, uma política de proibição de petróleo e mineração em toda a extensão amazônica sob seu território. A medida chega em um momento delicado, quando vários governos da região discutem expandir atividades extrativas como forma de impulsionar a economia.
O contraste com o cenário brasileiro chamou atenção. Poucas semanas antes, o Brasil autorizou testes para exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o que reacendeu debates sobre os limites entre desenvolvimento e proteção ambiental.
O tamanho da área protegida impressiona

A nova política cobre mais de 48 milhões de hectares. Isso equivale a cerca de 42% do território continental colombiano e aproximadamente 7% de toda a Amazônia sul-americana.
Entram nessa blindagem ambiental regiões como:
- Amazonas
- Caquetá
- Putumayo
- Guaviare
- Guainía
- Vaupés
Essas áreas vinham sofrendo forte pressão de atividades ilegais, como desmatamento, grilagem de terras, garimpo clandestino e abertura de estradas ilegais. Segundo dados apresentados no encontro, há pelo menos 43 blocos de petróleo mapeados e quase 300 pedidos de mineração em situação irregular dentro da região.
Com a nova regra, o governo proíbe a criação de novos contratos de petróleo e qualquer autorização para mineração de grande escala, criando um novo marco legal de proteção ambiental.
Proteção ambiental como estratégia de segurança
A Colômbia deixou claro que a medida não é apenas simbólica. O objetivo é direto: reduzir o avanço do desmatamento, frear a expansão de redes criminosas ligadas à mineração ilegal e diminuir os conflitos armados associados ao controle de terras na Amazônia.
A decisão também reforça compromissos já assumidos pelo país dentro do Acordo de Paris e do seu Plano Nacional de Contenção do Desmatamento, criado para reverter anos de perda acelerada de floresta nativa.
Para o governo colombiano, petróleo e mineração não são mais compatíveis com o modelo de futuro que o país deseja para a Amazônia.
A proposta de uma “Aliança Amazônica pela Vida”
Durante a COP30, a ministra Irene Vélez propôs a criação de uma “Aliança Amazônica pela Vida”. A ideia é unir os países amazônicos em torno de políticas comuns de proteção ambiental, combate a crimes ambientais, segurança hídrica e preservação da biodiversidade.
Em seu discurso, ela reforçou que a Amazônia não pode mais ser vista como fronteira de exploração de petróleo ou mineração, mas como o centro das estratégias de enfrentamento da crise climática.
Uma de suas frases mais repercutidas foi direta: “Os rios não têm fronteiras. A vida também não. Proteger a Amazônia não é um sacrifício econômico, é uma decisão ética e científica.”
O contraste com o Brasil e o debate sobre petróleo
A ministra brasileira Marina Silva participou do encontro e voltou a defender a proposta do governo Lula de criar um plano internacional para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Segundo ela, o próprio Brasil reconhece que vive contradições internas na área de petróleo e transição energética.
Apesar disso, Marina evitou comentar diretamente a liberação recente de exploração de petróleo na costa amazônica. A decisão da Colômbia, agora oficial, tende a aumentar a pressão interna e externa sobre o Brasil e outros países que ainda apostam em petróleo e mineração como pilares econômicos na Amazônia.
A tendência é que o movimento colombiano forçe uma nova rodada de debates sobre proteção ambiental, petróleo e mineração em toda a região.
O que isso significa para o futuro da Amazônia
A decisão da Colômbia marca um divisor de águas. Ao barrar petróleo e mineração em toda a sua Amazônia, o país redefine o peso da proteção ambiental nas discussões econômicas e climáticas. Agora, resta saber se os vizinhos seguirão o mesmo caminho ou manterão o modelo extrativista que já mostrou seus limites ao longo das últimas décadas.
[Fonte: Tempo]