Antes que pareça exagero, vale esclarecer: não é marketing e tampouco encenação. Trata-se de um uso real do calor geotérmico, em um cenário onde a natureza dita as regras. A iniciativa chama atenção não apenas pela criatividade, mas também pela forma como transforma um ambiente hostil em experiência cultural, turística e gastronômica única.
Um forno natural criado pela própria Terra
No sul da Guatemala, a cerca de 40 quilômetros da capital, o vulcão Pacaya se mantém ativo há séculos. Sua paisagem é marcada por rochas escurecidas, vapor constante e temperaturas que podem ultrapassar os 1.000 °C em pontos específicos. Foi ali que surgiu a ideia mais improvável: usar o calor do vulcão como forno para pizzas.
O responsável pelo projeto é David García, um cozinheiro guatemalteco que, em 2013, observou turistas assando marshmallows nas rochas quentes. A cena aparentemente banal despertou uma pergunta simples e ousada: e se fosse possível cozinhar algo mais elaborado usando essa mesma energia?
Após anos de testes, ajustes e cuidados com segurança, a ideia ganhou forma. Em 2019, o experimento virou atração fixa.
Como funciona uma pizza assada em lava vulcânica
O processo foge completamente do padrão de qualquer pizzaria tradicional. Não há forno a lenha, gás ou eletricidade. Tudo depende do calor natural do solo vulcânico.
A massa é preparada previamente e levada até uma área considerada segura do Pacaya. Ali, a pizza é colocada diretamente sobre rochas aquecidas pela atividade do vulcão. Em cerca de dez minutos, a combinação de calor intenso e superfície mineral assa a massa, derrete o queijo e sela os ingredientes.
O resultado é uma pizza com textura crocante e um leve sabor defumado, resultado do ambiente e da temperatura extrema.

Uma experiência gastronômica que exige preparo
Visitar a pizzaria do Pacaya não é simples. O trajeto até o ponto de preparo envolve uma caminhada exigente, com subida de terrenos irregulares e exposição ao clima do local. O acesso acontece sempre com acompanhamento de guias especializados, que monitoram a atividade do vulcão.
Atualmente, cerca de 400 turistas por semana encaram a aventura, sempre com reserva antecipada e seguindo protocolos de segurança rigorosos.
Muito além da curiosidade culinária
Mais do que uma excentricidade, o projeto se tornou um símbolo de criatividade latino-americana e de turismo de experiência. A combinação entre risco controlado, paisagem extrema e gastronomia transformou o Pacaya em destino internacional.
Para quem busca algo diferente, a proposta vai além do sabor: é a chance de provar uma comida preparada com o calor mais primitivo do planeta — a energia direta do interior da Terra.