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Tecnologia

De pasante a CEO: a história do jovem que virou líder da empresa mais valiosa da Europa

Ele começou a carreira instalando monitores e hoje comanda uma gigante da tecnologia. Com decisões ousadas e foco em inovação, Christian Klein levou a SAP ao topo do mercado europeu — e ao futuro da inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Há histórias de ascensão profissional que parecem tiradas de filmes, mas a de Christian Klein é real e impressionante. O que começou em um porão cheio de cabos, quando ele era apenas um adolescente, se transformou em uma jornada rumo ao topo de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Aos 39 anos, Klein assumiu o comando da SAP e, desde então, vem moldando o futuro da companhia — e do setor.

 

De aprendiz técnico a líder global

Chirsitan Klein 1
© Axios – YouTube

Christian Klein entrou na SAP com 15 anos como estagiário na área de suporte técnico. Seu trabalho inicial era instalar antigos monitores nas estações de trabalho. Com o tempo, percorreu diversos cargos dentro da empresa, acumulando conhecimento estratégico. Apesar de críticas por nunca ter atuado fora da SAP, Klein argumenta que essa trajetória lhe deu uma visão completa do funcionamento interno da companhia.

Nomeado CEO em 2019, Klein liderou uma das transformações mais significativas da SAP: a migração para a nuvem, a simplificação dos sistemas e a incorporação da inteligência artificial como eixo central da estratégia.

 

SAP, nuvem e inteligência artificial

Durante o evento anual da SAP em Orlando, Klein apresentou o Joule, um copiloto de IA capaz de aumentar a produtividade em até 30%. A ideia é clara: a SAP quer ir além de vender software — ela busca ser uma parceira estratégica para antecipar riscos e acelerar decisões.

Um exemplo disso é a parceria com a startup Perplexity, especializada em buscas inteligentes com linguagem natural. Os dados são integrados via Business Data Cloud, que conecta informações internas da SAP a fontes externas, como redes sociais e sistemas de terceiros.

Klein sabe que tecnologia sozinha não transforma empresas: “Você pode ter a melhor ferramenta, mas se não mudar a cultura, ela não serve para nada”, afirma. Seu estilo de gestão é direto e participativo. Durante a pandemia, tomou decisões rápidas, mesmo sendo acusado de “microgestão”. Para ele, em tempos de crise, é essencial mergulhar nos detalhes.

 

Um gigante que enfrentou riscos para crescer

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© Sean Pollock – Unsplash

A transição para a nuvem não foi simples. No início, as ações da empresa caíram, mas a estratégia de longo prazo deu certo. Atualmente, a SAP vale mais de US$ 338 bilhões e se tornou a empresa mais valiosa da Europa, superando gigantes como Louis Vuitton e Novo Nordisk.

Desde 2024, Klein também assumiu a presidência do conselho executivo, consolidando ainda mais seu papel como principal líder da companhia. Naquele mesmo ano, recebeu quase US$ 20,5 milhões em remuneração, sendo 92% em ações e bônus. Já o histórico fundador da SAP, Hasso Plattner, deixou o conselho de supervisão, dando lugar a Pekka Ala-Pietilä, ex-Nokia.

 

Inovação, regulação e os próximos passos

Klein é crítico das regulações fragmentadas na União Europeia. Segundo ele, a ausência de regras unificadas dificulta a inovação e prejudica a competitividade do bloco. “Cada país tem suas próprias normas. Assim, não somos uma união de verdade”, afirma.

Para ele, o futuro passa pela inteligência artificial, automação e computação quântica. A SAP já estuda como usar a tecnologia quântica para melhorar cadeias logísticas complexas. A missão de Klein permanece clara: ajudar empresas a funcionarem melhor — com ousadia, inovação e foco no longo prazo.

 

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