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Tecnologia

Empresas já se preparam para um futuro em que funcionários dividirão tarefas com agentes de IA

A inteligência artificial está transformando a estrutura das empresas e pode criar um cenário em que gestores precisem coordenar pessoas e sistemas autônomos ao mesmo tempo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A inteligência artificial já deixou de ser apenas uma ferramenta para responder perguntas ou automatizar tarefas simples. Com o avanço dos agentes inteligentes, capazes de executar processos completos com pouca intervenção humana, as empresas começam a repensar sua própria estrutura. Especialistas acreditam que essa transformação não afetará apenas os funcionários, mas também mudará profundamente o papel dos gestores, que precisarão aprender a liderar equipes compostas por profissionais e sistemas de IA trabalhando lado a lado.

As empresas já começam a redesenhar seus times para a era dos agentes inteligentes

Durante décadas, a função de um gerente foi relativamente clara: distribuir tarefas, acompanhar resultados, orientar colaboradores e garantir que os objetivos fossem cumpridos. Agora, porém, esse modelo começa a passar por uma das maiores transformações desde o surgimento da informática corporativa.

O motivo é o avanço dos chamados agentes de inteligência artificial. Diferentemente dos chatbots tradicionais, esses sistemas conseguem receber um objetivo, consultar diferentes fontes de informação, tomar decisões limitadas e executar uma sequência completa de atividades com diferentes níveis de autonomia.

À medida que essas soluções passam a fazer parte dos processos centrais das empresas, surge uma nova necessidade: definir quem será responsável por supervisioná-las, avaliar seu desempenho e integrá-las ao trabalho das equipes humanas.

Segundo uma análise publicada pela consultoria McKinsey em julho de 2026, essa mudança poderá levar à criação de estruturas organizacionais mais enxutas, com menos níveis hierárquicos e uma nova função de liderança dedicada à coordenação simultânea de pessoas e agentes inteligentes.

Em vez de analisar profissões inteiras, muitas empresas passaram a estudar cada cargo tarefa por tarefa. O objetivo é identificar quais atividades continuam exigindo intervenção humana, quais podem ser potencializadas com inteligência artificial e quais poderão ser totalmente delegadas aos agentes digitais.

Julie Goran, sócia da McKinsey, cita um exemplo interessante. Se um agente de IA conseguir assumir cerca de 40% das tarefas realizadas atualmente por um profissional, a empresa não deveria pensar apenas em reduzir custos. O verdadeiro desafio seria decidir como utilizar esse tempo liberado para desenvolver novas iniciativas, aumentar a inovação ou ampliar a capacidade estratégica do colaborador.

A consultoria também menciona o caso de uma empresa de tecnologia que pretende triplicar seu tamanho nos próximos cinco anos sem ampliar proporcionalmente o número de funcionários. A estratégia não tem como foco principal reduzir postos de trabalho, mas permitir que o crescimento da empresa deixe de depender exclusivamente da contratação contínua de novos profissionais.

O gerente do futuro poderá coordenar pessoas e dezenas de inteligências artificiais

Essa transformação levanta questões que, até pouco tempo atrás, pareciam pertencer apenas à ficção científica. Será que agentes inteligentes passarão a fazer parte oficialmente do organograma de uma empresa? Quantos sistemas um gestor conseguirá supervisionar ao mesmo tempo? Como medir o desempenho de uma inteligência artificial em comparação ao de um colaborador humano?

Para a McKinsey, nenhum líder empresarial precisou enfrentar um desafio semelhante até hoje. A mudança acontece justamente em um momento em que muitos gestores intermediários já administram equipes maiores e acumulam responsabilidades ligadas a metodologias como Agile e DevOps, muitas vezes sem treinamento específico para isso.

No modelo chamado de organização agêntica, proposto pela consultoria, pequenos grupos de profissionais poderão supervisionar dezenas de agentes especializados. Em algumas experiências iniciais analisadas pela empresa, equipes compostas por apenas duas a cinco pessoas já conseguem coordenar entre 50 e 100 agentes de IA envolvidos em processos completos, como atendimento a clientes, integração de novos usuários e fechamento de relatórios financeiros.

Mesmo nesse cenário altamente automatizado, os seres humanos continuam exercendo um papel essencial. Caberá aos gestores definir objetivos estratégicos, resolver situações excepcionais, validar resultados e assumir a responsabilidade final pelas decisões tomadas pelos sistemas inteligentes.

Outro ponto destacado pela McKinsey é que simplesmente disponibilizar ferramentas de IA aos funcionários não garante ganhos reais de produtividade. As empresas que obtêm melhores resultados são justamente aquelas que primeiro escolhem áreas específicas com maior potencial de transformação e redesenham completamente seus processos antes de ampliar o uso da tecnologia.

Um exemplo citado pela consultoria envolve uma seguradora que concentrou seus esforços em departamentos como análise de sinistros, subscrição e tecnologia. Em vez de perguntar apenas onde a IA poderia ajudar, a empresa revisou cada etapa do trabalho para definir quais tarefas permaneceriam com pessoas, quais seriam transferidas aos agentes inteligentes e quais deixariam de existir.

Tudo indica que o cargo de gerente não desaparecerá, mas sofrerá uma profunda evolução. O profissional do futuro deverá desenvolver competências que nenhuma geração anterior precisou dominar: coordenar equipes híbridas, equilibrando o trabalho humano com sistemas autônomos cada vez mais sofisticados. Nesse novo ambiente corporativo, liderar deixará de significar apenas administrar pessoas e passará a envolver também a gestão inteligente da colaboração entre humanos e inteligência artificial.

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