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Ciência

Depois de 11 anos revelando os segredos de Marte, uma das missões mais importantes da NASA chega ao fim de forma inesperada

Durante mais de uma década, a sonda MAVEN ajudou cientistas a entender como Marte perdeu sua atmosfera e sua água. Agora, após meses de tentativas frustradas para restabelecer contato com a espaçonave, a NASA confirmou aquilo que pesquisadores temiam: a missão chegou definitivamente ao fim.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Poucas missões espaciais contribuíram tanto para desvendar a história de Marte quanto a MAVEN. Lançada em 2013, a sonda da NASA passou mais de 11 anos orbitando o planeta vermelho, coletando dados fundamentais para compreender como um mundo que talvez tenha sido habitável se transformou no ambiente árido e hostil que conhecemos hoje.

Mas essa jornada científica chegou ao fim. Após mais de seis meses tentando recuperar o contato com a espaçonave, a NASA anunciou oficialmente o encerramento da missão. Segundo a agência espacial, a MAVEN não pode mais ser recuperada e perdeu a capacidade de realizar suas operações científicas e de retransmissão de dados.

A notícia representa o desfecho de uma situação que preocupava a comunidade científica desde dezembro do ano passado, quando a sonda desapareceu repentinamente dos sistemas de comunicação da NASA.

O que aconteceu com a MAVEN

A perda de contato ocorreu em 6 de dezembro, logo após a espaçonave emergir da região atrás de Marte em relação à Terra.

Até aquele momento, todos os sistemas da missão funcionavam normalmente. Os dados de telemetria indicavam que a sonda estava operando sem qualquer anomalia significativa.

No entanto, após surgir novamente do outro lado do planeta, a MAVEN simplesmente deixou de responder.

Durante os meses seguintes, engenheiros da NASA realizaram diversas tentativas para restabelecer a comunicação, mas nenhuma delas teve sucesso.

Uma pequena quantidade de dados recebida após a falha forneceu uma pista importante: a sonda parecia estar em modo de segurança e girando em velocidade incomum.

Segundo a investigação preliminar, essa rotação excessiva pode ter consumido rapidamente a energia das baterias, comprometendo o sistema de comunicação e tornando impossível recuperar o controle da espaçonave.

Embora os especialistas continuem analisando as causas exatas da falha, a comissão responsável pela avaliação concluiu que a missão não tem mais condições de ser restaurada.

Uma missão que superou todas as expectativas

A MAVEN, sigla para Mars Atmosphere and Volatile Evolution, foi lançada em novembro de 2013 e chegou a Marte menos de um ano depois.

Inicialmente, a missão havia sido planejada para durar apenas um ano. No entanto, a espaçonave continuou funcionando muito além do esperado, acumulando mais de uma década de observações científicas.

Curiosamente, a NASA estimava que a sonda possuía combustível suficiente para continuar operando até 2030.

Isso torna seu encerramento ainda mais inesperado.

Ao longo de sua vida útil, a MAVEN tornou-se uma das principais ferramentas para investigar a atmosfera marciana e os processos que transformaram o planeta ao longo de bilhões de anos.

O mistério da água desaparecida de Marte

Uma das grandes questões da ciência planetária sempre foi entender o que aconteceu com a antiga atmosfera de Marte.

Evidências geológicas indicam que o planeta já teve rios, lagos e possivelmente oceanos em sua superfície. Para que isso fosse possível, Marte precisaria possuir uma atmosfera muito mais densa do que a atual.

A missão MAVEN foi criada justamente para investigar como esse ambiente desapareceu.

No ano passado, a sonda realizou uma das observações mais importantes de sua história ao registrar diretamente um fenômeno conhecido como “sputtering”, ou pulverização atmosférica.

Esse processo ocorre quando partículas carregadas do vento solar atingem a atmosfera e literalmente expulsam átomos para o espaço.

Como Marte perdeu seu campo magnético há bilhões de anos, sua atmosfera ficou exposta continuamente ao bombardeio dessas partículas energéticas.

A descoberta confirmou que esse mecanismo desempenhou um papel central na perda gradual da atmosfera marciana e, consequentemente, de sua água.

Auroras, tempestades solares e apoio aos robôs em Marte

As contribuições da MAVEN foram muito além do estudo da perda atmosférica.

A missão descobriu um novo tipo de aurora marciana e mostrou que tempestades solares podem acelerar significativamente a erosão da atmosfera do planeta.

Além da pesquisa científica, a sonda desempenhou uma função operacional essencial.

Ela atuava como uma ponte de comunicação entre a Terra e os veículos que exploram a superfície marciana, retransmitindo dados enviados por robôs como os rovers da NASA.

Graças a esse trabalho, milhares de imagens, medições e descobertas chegaram aos cientistas ao longo dos últimos anos.

O fim da missão, mas não do legado

Embora a MAVEN tenha deixado de operar, seu impacto científico está longe de terminar.

Os dados coletados durante mais de uma década continuarão sendo analisados por pesquisadores nos próximos anos e provavelmente darão origem a novas descobertas sobre a história de Marte.

Essas informações também serão fundamentais para os planos de futuras missões tripuladas ao planeta vermelho. Compreender como a radiação solar afeta Marte e quais riscos os astronautas enfrentarão é uma etapa essencial para qualquer tentativa de enviar seres humanos ao planeta.

A MAVEN pode ter encerrado sua jornada silenciosamente em órbita de Marte, mas o conhecimento que acumulou continuará ajudando a humanidade a desvendar os mistérios do Sistema Solar — e a preparar o caminho para a próxima era da exploração espacial.

 

 

 

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