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Ciência

Descoberta em asteroide japonês desafia teorias sobre a origem da água na Terra

Um estudo recente com amostras do asteroide Ryugu revelou sinais de água líquida circulando muito mais tarde do que os cientistas acreditavam ser possível. O achado pode reescrever hipóteses sobre a formação dos planetas e até sobre a origem da água que cobre grande parte do nosso planeta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Analisando rochas coletadas pela sonda japonesa Hayabusa2, pesquisadores encontraram evidências de atividade hídrica tardia em Ryugu, um asteroide considerado cápsula do tempo do Sistema Solar. A descoberta abre novas perspectivas sobre como a água se espalhou pelo espaço e reacende debates sobre a formação da Terra.

A água, que cobre mais de 70% da superfície do nosso planeta, ainda guarda mistérios sobre sua verdadeira origem. Cientistas já sabiam que asteroides e cometas poderiam ter desempenhado papel crucial nesse processo, mas novas análises de amostras coletadas pela missão Hayabusa2 colocam em xeque antigas certezas.

A missão que trouxe rochas do espaço

Asteroides Venideros
© NASA.

A sonda Hayabusa2, da Agência Espacial Japonesa (JAXA), foi lançada em 2014 e chegou ao asteroide Ryugu em 2018. Durante sua operação, coletou fragmentos da superfície e do interior do objeto, retornando à Terra em 2020 com cerca de 5,4 gramas de material intacto.

Essas amostras, mantidas em estado quase virgem, são consideradas registros fósseis do Sistema Solar primitivo. O objetivo inicial era entender melhor a composição química dos asteroides e seu papel no transporte de moléculas essenciais, como água e compostos orgânicos, até planetas em formação.

O que os cientistas descobriram

De acordo com o novo estudo, publicado no Space.com, o asteroide progenitor de Ryugu exibiu sinais claros de circulação de fluidos muito mais tarde do que o previsto. A evidência veio de desequilíbrios químicos detectados nas rochas, que indicam que a presença de água não se esgotou tão rapidamente quanto se imaginava.

“Descobrimos que Ryugu preservava um registro prístino da atividade hídrica, mostrando que os fluidos se moveram por suas rochas muito depois do que pensávamos possível”, explicou Tsuyoshi Iizuka, da Universidade de Tóquio e membro da equipe de pesquisa.

Essa constatação desafia a ideia de que a água em asteroides teria desaparecido apenas nos primeiros estágios do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos.

Por que isso importa?

Oceano Pode Gerar Energia
© Unsplash – Matt Hardy

A principal implicação do estudo é que asteroides como Ryugu podem ter armazenado água líquida por períodos muito mais longos do que o previsto, o que aumenta as chances de que esses corpos celestes tenham contribuído para levar água — e talvez ingredientes da vida — para planetas jovens como a Terra.

Se confirmado em outros asteroides, o fenômeno pode mudar o entendimento sobre os mecanismos que garantiram a abundância de água em nosso planeta. Até hoje, uma das maiores questões da ciência é se ela veio primordialmente do interior da Terra ou se foi entregue por colisões cósmicas ao longo da formação planetária.

O legado de Ryugu

Os cientistas acreditam que Ryugu, classificado como um asteroide do tipo C (rico em carbono), seja um fragmento de um corpo maior que se partiu no passado distante. Sua composição o torna um laboratório natural para investigar processos químicos e físicos que marcaram o início do Sistema Solar.

Além disso, o fato de as amostras estarem intactas — sem contaminação terrestre — oferece uma oportunidade única de observar diretamente como moléculas essenciais se preservaram e evoluíram no espaço profundo.

E os próximos passos?

Com as análises de Ryugu em andamento, a expectativa agora é pelo material trazido pela missão OSIRIS-REx, da NASA, que coletou amostras do asteroide Bennu e deve ampliar ainda mais o banco de dados disponível para os cientistas.

Esses projetos mostram que cada pequeno fragmento de rocha espacial pode carregar pistas decisivas sobre a maior de todas as perguntas: como a vida e seus ingredientes chegaram até aqui.

 

[ Fonte: Rosario3 ]

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