A revista Time revelou sua aguardada seleção anual dos 100 destinos mais impactantes do planeta. E embora o mundo esteja repleto de lugares incríveis, apenas dois países sul-americanos conquistaram seu espaço na lista de 2024. Muito além de praias e paisagens, essas escolhas refletem uma nova forma de viajar — mais consciente, sensorial e ligada às raízes. Veja por que Chile e Argentina mereceram esse destaque.
Chile: entre cerimônias de chá e raízes rurais

O Chile foi reconhecido por unir inovação e tradição de forma surpreendente. Um dos destaques é o restaurante Yum Cha, em Santiago, uma casa discreta que começou com jantares íntimos para dois convidados e se transformou em referência gastronômica. Seu menu degustação com dez etapas é harmonizado com chás especiais — como o oolong taiwanês ou o chá vermelho coreano — e oferece uma experiência quase espiritual, inspirada em rituais asiáticos, mas com identidade chilena.
Já fora da capital, a Ruta de los Abastos, na região de O’Higgins, propõe um mergulho profundo na cultura do interior chileno. A proposta inclui colheitas de algas com comunidades locais em Pichilemu, visitas a vinhedos familiares e almoços com produtores. O turismo aqui é regenerativo, com foco em fortalecer a relação entre o viajante, o território e os saberes ancestrais. Para a Time, é um exemplo de como o turismo pode ser autêntico e sustentável ao mesmo tempo.
Argentina: natureza que se cura e se revela

A segunda aparição sul-americana na lista é a Argentina, representada pela Reserva Iberá, na província de Corrientes. Esse imenso ecossistema de banhados e florestas é palco de um dos projetos de rewilding mais ambiciosos do mundo. Desde 2021, animais que haviam desaparecido da região há décadas voltaram a viver em liberdade: veados-campeiros, tamanduás, pecaris e até o imponente jaguar.
Hoje, pelo menos 25 jaguares habitam a reserva, ajudando a restaurar o equilíbrio ecológico. Mas o Iberá é mais que um santuário de fauna. É uma experiência de reconexão com o ambiente natural, um espaço onde o visitante pode observar de perto como o ser humano pode contribuir para regenerar a vida selvagem.
A Time destacou o valor simbólico e ambiental da reserva, reforçando que o turismo não precisa ser destrutivo — ao contrário, pode ser um motor de conservação e renascimento.
Turismo como transformação e pertencimento
As escolhas da revista refletem uma tendência clara: o turismo está migrando do superficial para o essencial. Mais do que visitar pontos turísticos, o viajante de hoje busca vivências que toquem, ensinem e transformem. E tanto o Chile quanto a Argentina estão liderando esse movimento com propostas que valorizam o local, o sustentável e o humano.
Esses dois países mostram que a América do Sul tem muito mais a oferecer do que se imagina. Em 2024, a experiência turística não se mede apenas por selfies ou likes, mas pela profundidade do encontro com o mundo — e, por que não, consigo mesmo.