Ficar acordado até mais tarde pode parecer uma forma simples de ganhar tempo. Porém, quando esse hábito encurta o descanso diariamente, seus efeitos podem aparecer além do cansaço. Pesquisadores da Universidade Columbia investigaram uma redução moderada do sono, próxima de situações comuns da rotina. O trabalho encontrou mudanças pequenas, mas mensuráveis, no peso e na circunferência da cintura dos participantes em comparação com períodos de descanso adequado.
Uma redução de sono próxima da vida real

Segundo a Universidade Columbia, muitos experimentos anteriores investigaram restrições severas, com oportunidades de dormir próximas de quatro horas por noite. Esses protocolos ajudam a estudar a privação intensa, mas representam apenas parte das experiências cotidianas.
A equipe liderada por Marie-Pierre St-Onge buscou analisar uma perda menos extrema e mais prolongada. Os participantes receberam a orientação de atrasar o horário habitual de deitar em 90 minutos durante uma fase de seis semanas.
Em outra fase, também de seis semanas, mantiveram seu descanso habitual. Os pesquisadores acompanharam o sono e a atividade com dispositivos usados no pulso, além de medir indicadores corporais. Na prática, a redução média do sono ficou perto de 80 minutos por noite.
O que mudou no peso e na cintura

A análise publicada na Annals of Internal Medicine reuniu dados de dois ensaios randomizados com desenho cruzado. Nesse formato, os participantes passam pelas duas condições, separadas por um intervalo.
O trabalho incluiu 95 adultos com risco cardiometabólico elevado, que habitualmente dormiam pelo menos sete horas. A redução efetiva foi de 78,4 minutos por noite.
Em comparação com a condição de sono adequado, o peso apresentou uma diferença média de 0,45 quilo. A circunferência da cintura aumentou 0,52 centímetro, enquanto o tempo sedentário cresceu cerca de 17 minutos por dia.
Os números representam médias do grupo. Portanto, não permitem prever exatamente quanto uma pessoa ganhará ao dormir menos.
Mais horas acordado também significaram mais inatividade
A equipe observou maior tempo sedentário mesmo depois de considerar que os participantes ficavam acordados por mais tempo. Esse resultado sugere que prolongar o dia não significa necessariamente aproveitar as horas extras para se movimentar.
Ainda assim, o estudo não estabelece uma explicação única para a mudança de peso. A própria Columbia destaca a necessidade de investigar melhor os mecanismos envolvidos. O aumento da inatividade oferece uma pista, mas não encerra a questão.
Seis semanas não permitem prever um ano inteiro
Os autores classificaram os efeitos como modestos. Também apontaram que a duração da intervenção pode ter sido insuficiente para identificar mudanças na composição corporal.
Isso limita extrapolações. Multiplicar os 450 gramas por vários períodos de seis semanas não demonstra quanto alguém ganharia ao longo de um ano. O organismo e os hábitos podem mudar com o tempo.
Além disso, a amostra tinha risco cardiometabólico elevado. Os resultados não descrevem automaticamente todas as faixas etárias e condições de saúde.
O descanso também entra na conta
As orientações do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos recomendam entre sete e nove horas de sono por noite para adultos. A instituição também ressalta que as necessidades variam e que períodos de recuperação podem exigir mais descanso.
O estudo acrescenta evidências de que o sono merece espaço nas estratégias de controle do peso. Alimentação e movimento continuam relevantes, mas a rotina de descanso ajuda a completar essa avaliação. A perda diária de pouco mais de uma hora pode parecer discreta; mantida durante semanas, ela já produziu diferenças mensuráveis neste experimento.