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Ciência

Vulcão adormecido há quase 500 anos desperta e NASA registra imagens impressionantes

Um vulcão adormecido durante séculos voltou a entrar em erupção na Rússia. Imagens inéditas de um satélite da NASA mostram como a lava transformou a paisagem ao longo dos meses.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Depois de quase cinco séculos sem uma erupção conhecida, um vulcão localizado em uma das regiões mais isoladas do planeta voltou a expelir lava. O fenômeno aconteceu na Rússia, poucos dias após um terremoto de magnitude 8,8. Agora, imagens divulgadas pela NASA revelam como a atividade vulcânica modificou o terreno durante meses. O registro também demonstra uma nova capacidade de acompanhar desastres naturais diretamente do espaço.

Um vulcão que estava adormecido há séculos voltou à atividade

O vulcão Krasheninnikov fica na península de Kamchatka, no extremo oriental da Rússia, uma região conhecida por sua intensa atividade sísmica e vulcânica.

Sua última erupção conhecida havia ocorrido por volta de 1550. Isso significa que aproximadamente 475 anos se passaram antes de o vulcão voltar a apresentar atividade eruptiva em agosto de 2025.

O episódio começou poucos dias depois de um terremoto de magnitude 8,8 atingir a região em 30 de julho daquele ano.

A proximidade entre os acontecimentos levantou uma hipótese: o forte abalo sísmico poderia ter contribuído para a reativação do vulcão.

Entretanto, os cientistas ainda não estabeleceram uma relação definitiva de causa e efeito.

O Krasheninnikov possui dois cones vulcânicos principais. Foi o cone norte que voltou a expelir lava, formando fluxos que avançaram principalmente em direção ao leste.

A atividade continuou durante 2026, permitindo que pesquisadores acompanhassem a evolução da erupção por um período prolongado.

Um satélite registrou a transformação do vulcão durante oito meses

Vulcão adormecido há quase 500 anos desperta e NASA registra imagens impressionantes
© Pexels

O registro foi realizado pelo NISAR, satélite desenvolvido conjuntamente pela NASA e pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO).

A missão foi projetada para observar mudanças na superfície terrestre, incluindo movimentações do solo, transformações em geleiras, alterações florestais e atividade vulcânica.

Em 25 de dezembro de 2025, o equipamento realizou sua primeira observação do Krasheninnikov, quando ainda concluía procedimentos iniciais de calibração.

Nos meses seguintes, o satélite retornou repetidamente à mesma região.

Os cientistas reuniram 17 imagens obtidas até agosto de 2026 e produziram uma animação mostrando a expansão dos fluxos de lava.

O resultado foi divulgado em 24 de setembro pela NASA.

Na sequência, é possível observar a lava preenchendo inicialmente uma depressão próxima ao topo, avançando para uma cratera maior e depois se espalhando pela encosta em uma formação semelhante a um leque.

A animação original está disponível no estúdio de visualização científica da NASA, que publicou os registros produzidos pela missão.

A tecnologia consegue observar o terreno mesmo durante tempestades

Uma das características mais importantes do NISAR é sua capacidade de observar a superfície independentemente das condições de iluminação.

Diferentemente de câmeras convencionais, o satélite utiliza radar de abertura sintética, conhecido pela sigla SAR.

Esse sistema emite pulsos de micro-ondas em direção à Terra e analisa os sinais refletidos pelo terreno.

Com o processamento dessas informações, os pesquisadores conseguem identificar características da superfície e acompanhar mudanças ao longo do tempo.

A tecnologia funciona durante o dia e à noite, além de conseguir atravessar nuvens que normalmente impediriam observações ópticas.

Essa capacidade é especialmente importante em Kamchatka, onde as condições meteorológicas frequentemente dificultam o monitoramento.

No caso do Krasheninnikov, cada pixel das imagens analisadas representa uma área aproximada de 10 por 10 metros.

A lava recente aparece com tonalidade mais clara nas imagens de radar porque reflete os sinais de maneira diferente das superfícies ao redor.

Isso permite distinguir o avanço dos fluxos mesmo quando neve, nuvens ou condições atmosféricas adversas dificultam outras formas de observação.

Por que essa descoberta representa um avanço para a ciência?

O NISAR utiliza dois sistemas de radar que operam em comprimentos de onda diferentes.

O radar de banda L, utilizado nas observações do vulcão, consegue atravessar parte da vegetação e fornecer informações sobre o terreno.

Já o radar de banda S oferece dados complementares sobre características da superfície e da cobertura vegetal.

Segundo o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, a missão permite observar sistematicamente praticamente todos os cerca de 1.300 vulcões ativos localizados acima do nível do mar.

Para pesquisadores, isso representa uma mudança significativa em comparação com a situação de duas décadas atrás, quando imagens de radar eram menos frequentes e mais difíceis de obter.

O geofísico Matthew Pritchard, da Universidade Cornell, destacou que a regularidade das observações é essencial para acompanhar fenômenos naturais.

No caso do Krasheninnikov, o satélite realizou passagens em duas direções orbitais diferentes a cada ciclo de aproximadamente 12 dias.

Essa repetição permitiu reconstruir o desenvolvimento da erupção com um nível de continuidade difícil de alcançar por métodos tradicionais.

O que as imagens podem revelar sobre futuras erupções?

A observação frequente de vulcões permite identificar alterações no relevo, expansão de fluxos de lava e deformações na superfície.

Em determinadas situações, mudanças na forma do terreno podem indicar movimentação de magma abaixo da superfície.

Essas informações podem complementar dados sísmicos, medições de gases e observações realizadas por equipes em solo.

Entretanto, acompanhar uma erupção não significa necessariamente conseguir prever quando a próxima acontecerá.

Os processos vulcânicos são complexos, e diferentes fatores podem influenciar seu comportamento.

O Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian acompanha a atividade do Krasheninnikov e reúne informações sobre sua história eruptiva.

Para a comunidade científica, o principal valor das imagens está na possibilidade de compreender melhor como uma erupção evolui e modifica a paisagem.

Embora o fenômeno tenha ocorrido em uma região remota da Rússia, a tecnologia utilizada possui aplicações internacionais.

Países expostos a terremotos, vulcões e deslizamentos poderão se beneficiar de observações semelhantes.

O despertar do Krasheninnikov demonstra que mesmo sistemas vulcânicos aparentemente adormecidos podem voltar à atividade depois de séculos. Ao mesmo tempo, mostra como a observação espacial está ampliando a capacidade humana de acompanhar as transformações do planeta.

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