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Ciência

Dormir mal pode envelhecer o cérebro mais rápido do que o tempo

Um novo estudo sueco revela que noites mal dormidas podem acelerar o envelhecimento cerebral em até um ano. O sono ruim estaria ligado a processos inflamatórios e à dificuldade do cérebro em eliminar toxinas, aumentando o risco de deterioração cognitiva e doenças como o Alzheimer.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A privação de sono não afeta apenas o humor ou a disposição — também pode estar envelhecendo o seu cérebro. Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, descobriram que dormir mal acelera o envelhecimento cerebral, em parte por aumentar a inflamação e dificultar a limpeza de resíduos tóxicos. O achado, baseado em dados de mais de 27 mil pessoas, reforça a importância de um descanso de qualidade para a saúde mental.

Um cérebro mais velho do que o corpo

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© Unsplash – Shawn Day

Segundo o estudo, publicado pela equipe da pesquisadora Abigail Dove, cada ponto a menos na pontuação de sono saudável representa cerca de seis meses extras de envelhecimento cerebral. Na prática, pessoas com sono ruim apresentaram cérebros até um ano mais velhos do que sua idade real.

Os cientistas analisaram exames cerebrais de mais de 27.500 adultos e idosos que participam do UK Biobank, um dos maiores projetos de pesquisa médica do mundo. Além das imagens de ressonância magnética, os participantes responderam questionários sobre a qualidade do sono e forneceram amostras de sangue para medir níveis de inflamação.

Inflamação: o elo entre o sono e o envelhecimento

Os resultados mostraram que quanto pior o sono, mais rápido o cérebro envelhece. A equipe também descobriu que a inflamação sistêmica — um processo que ocorre quando o corpo reage a estresse ou doenças — explicou cerca de 10% da ligação entre sono ruim e envelhecimento cerebral acelerado.

“Dormir mal pode contribuir diretamente para o envelhecimento do cérebro”, explicou Dove em comunicado. “Como o sono é um fator modificável, isso significa que podemos, potencialmente, prevenir ou retardar o declínio cognitivo apenas melhorando nossos hábitos noturnos.”

O papel da “faxina cerebral”

Durante o sono, o cérebro ativa um sistema de drenagem conhecido como sistema glinfático, responsável por eliminar resíduos e proteínas tóxicas. Quando o descanso é insuficiente, esse processo falha, permitindo o acúmulo de substâncias como beta-amiloide e tau, associadas à doença de Alzheimer.

Com o tempo, a falta de sono reparador pode causar danos cumulativos, dificultando a comunicação entre neurônios e comprometendo funções como memória, atenção e tomada de decisões.

Impacto além do cérebro

Os pesquisadores também ressaltam que o sono deficiente afeta a saúde cardiovascular, outro fator que pode influenciar o envelhecimento cerebral. Pressão alta, batimentos irregulares e má oxigenação durante a noite criam um ambiente de estresse constante para o sistema nervoso.

Embora o estudo não comprove uma relação causal direta, a associação é clara: dormir mal parece acelerar os processos de desgaste cerebral.

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© Pexels

Os autores reforçam que boas noites de sono são um dos hábitos mais poderosos para preservar o cérebro. Estabelecer horários regulares, reduzir o uso de telas antes de dormir e manter o ambiente escuro e silencioso são estratégias simples que podem fazer diferença a longo prazo.

Como resume Dove: “O sono é uma das poucas variáveis que podemos controlar. Melhorá-lo pode ser a chave para manter o cérebro jovem — por dentro e por fora.”

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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