A guerra entre Rússia e Ucrânia tem mudado não apenas fronteiras, mas também a forma de lutar. Um novo vídeo divulgado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) mostra soldados russos sendo perseguidos e atacados por drones FPV — sigla para “First Person View” (Visão em Primeira Pessoa). A tecnologia, originalmente usada para fins civis, tornou-se uma arma barata, eficaz e estratégica na guerra moderna.
Imagens impactantes e recado direto
As filmagens, registradas nas últimas duas semanas, revelam drones seguindo tropas inimigas em campo aberto, ajustando sua rota em tempo real até atingir os alvos. De acordo com o SBU, aproximadamente 860 militares russos foram atingidos nesse tipo de operação.
“Eles atuam com precisão e sem piedade, pois esta é uma justa vingança por cada crime cometido em nossa terra”, declarou o órgão em comunicado. Segundo o governo ucraniano, os ataques “não deixaram chance alguma ao inimigo”, embora não haja confirmação sobre o número exato de mortes mostradas no vídeo.
Como funcionam os drones FPV
Diferente dos drones tradicionais, os FPV são controlados por operadores em solo que utilizam óculos de realidade virtual para visualizar, em tempo real, o caminho percorrido pelo equipamento. Essa interface permite maior controle de manobra e precisão no ataque.
Com voos rápidos, curtos e baixos, os drones FPV são difíceis de detectar e interceptar por sistemas de defesa aérea convencionais. São pequenos, pesam em média até 3 quilos (incluindo explosivos) e podem atingir alvos a distâncias que variam de 5 km a 20 km, dependendo do modelo.
Além disso, como são fáceis de transportar, esses drones podem ser usados em regiões remotas ou de difícil acesso, tornando-se ideais para ações surpresa ou ofensivas relâmpago.
Uma arma de guerra de baixo custo
Um dos principais atrativos da estratégia ucraniana com drones FPV é o custo reduzido. Cada unidade pode custar menos de US$ 500 (cerca de R$ 3 mil), de acordo com a agência Reuters. Isso torna possível fabricar e lançar grandes quantidades, algo impensável com armamentos convencionais.
A Ucrânia tem incentivado o desenvolvimento local desses drones, adaptando modelos civis para uso militar. O exemplo mais robusto é o “Baba Yaga”, uma versão maior capaz de transportar até 15 quilos de explosivos. Equipado com câmeras térmicas, ele é projetado para ataques noturnos e operações de longo alcance.
Operação Teia de Aranha e prejuízos bilionários
Os drones não servem apenas para atacar tropas no campo. Com eles, a Ucrânia também realizou a chamada “Operação Teia de Aranha”, na qual bases aéreas russas foram bombardeadas com danos estimados em US$ 7 bilhões. A ofensiva demonstrou como pequenos dispositivos, se bem coordenados, podem gerar impacto estratégico e financeiro significativo.
Enquanto isso, a Rússia enfrenta dificuldades para conter essa nova forma de combate. Os sistemas de defesa convencionais, projetados para aeronaves e mísseis maiores, têm baixa eficiência contra enxames de drones leves e ágeis.
[ Fonte: G1.Globo ]