Em uma época repleta de aplicativos para treinar o cérebro, suplementos e métodos que prometem preservar a memória, a neurociência aponta para uma solução muito mais simples: movimentar o corpo.
E isso não significa necessariamente passar horas na academia ou seguir uma rotina intensa de exercícios.
Qualquer atividade física é melhor do que permanecer completamente sedentário. Entre as diferentes possibilidades, duas práticas cotidianas aparecem como particularmente interessantes para a saúde cerebral: caminhar e dançar.
Além de serem acessíveis para grande parte das pessoas, ambas estimulam mecanismos importantes relacionados à memória, às emoções e à capacidade de adaptação do cérebro.
Caminhar pode trazer benefícios para memória e cérebro

Caminhar parece simples demais para ser considerado um exercício poderoso para o cérebro. No entanto, justamente por sua simplicidade, a atividade pode ser facilmente incorporada à rotina.
A caminhada pode fortalecer a comunicação entre circuitos cerebrais envolvidos no controle das emoções, na resolução de problemas e na memória.
Essa melhor integração entre diferentes áreas do cérebro está associada a uma maior preservação das funções cognitivas e pode contribuir para diminuir fatores relacionados ao risco de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Outro possível benefício está relacionado à comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.
Segundo o neurocientista Nas, citado pela Vogue Italia, caminhar durante cerca de 20 minutos, três vezes por semana, pode favorecer o tecido responsável por conectar os dois hemisférios.
Essa estrutura desempenha um papel importante na troca de informações entre diferentes regiões do cérebro e pode ter efeitos positivos sobre a memória.
A vantagem é que não é necessário transformar a caminhada em uma sessão esportiva intensa. O simples hábito de caminhar regularmente já representa uma maneira de aumentar o nível de atividade física.
Dançar funciona como exercício para corpo e mente
A segunda atividade acrescenta outro componente importante: música.
Dançar exige que o cérebro coordene diversas tarefas simultaneamente. É necessário acompanhar o ritmo, controlar movimentos, tomar decisões rapidamente, interpretar estímulos musicais e lidar com emoções.
Essa combinação transforma a dança em um exercício particularmente completo para o cérebro.
Segundo Nas, a necessidade constante de tomar pequenas decisões durante os movimentos ajuda a manter o cérebro ativo e dinâmico.
Quando praticada regularmente, a dança também pode beneficiar a memória e contribuir para preservar funções cognitivas ao longo do envelhecimento.
Outra vantagem é sua versatilidade.
Estudos sobre dança e movimento também investigam possíveis benefícios para a mobilidade de pessoas com Parkinson, além de efeitos positivos sobre humor e bem-estar emocional.
Não é preciso reservar horas para fazer exercícios

Para muitas pessoas, o principal obstáculo para uma rotina mais ativa é a falta de tempo.
Uma alternativa é parar de pensar na atividade física exclusivamente como um compromisso separado do restante do dia.
Pequenas mudanças podem aumentar significativamente a quantidade de movimento.
Usar as escadas em vez do elevador, caminhar para fazer compras, percorrer pequenos trajetos a pé ou substituir o carro pela bicicleta são maneiras simples de incluir atividade física na rotina.
Até tarefas domésticas e outras atividades cotidianas podem contribuir para diminuir o tempo passado sentado.
O segredo pode estar simplesmente em se movimentar mais
Caminhar e dançar não são soluções milagrosas capazes de impedir o envelhecimento cerebral ou garantir proteção contra doenças neurodegenerativas.
Ainda assim, fazem parte de um conjunto de hábitos associados à manutenção da saúde física e cognitiva.
A grande vantagem é justamente a simplicidade.
Não é necessário comprar equipamentos, frequentar uma academia ou seguir um programa complicado. Para oferecer novos estímulos ao cérebro, muitas vezes o primeiro passo pode ser literalmente levantar da cadeira e começar a se movimentar.
[ Fonte: ELLE ]