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Ciência

Einstein acerta de novo: telescópio flagra fenômeno raro previsto há mais de um século

Uma imagem impressionante capturada pelo telescópio Euclides confirma uma das previsões mais fascinantes de Albert Einstein e abre caminho para novas descobertas sobre o universo invisível.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Mais de um século após a formulação da teoria da relatividade geral, Albert Einstein continua a ter suas ideias confirmadas pela ciência moderna. Em sua primeira grande descoberta, o telescópio Euclides, da Agência Espacial Europeia (ESA), identificou um anel de Einstein — uma das manifestações mais impressionantes da chamada lente gravitacional. A observação não apenas comprova a teoria de Einstein, mas também revela detalhes cruciais sobre a estrutura do cosmos.

O que é um anel de Einstein

O fenômeno ocorre quando a luz de uma galáxia distante é distorcida por um objeto massivo — como outra galáxia — que está entre ela e o observador. Essa curvatura da luz, provocada pela gravidade, forma um círculo perfeito de luz chamado anel de Einstein, caso o alinhamento entre os corpos celestes seja exato. Esse efeito é uma das demonstrações práticas da relatividade geral, que prevê que a gravidade pode curvar o espaço-tempo.

No caso registrado pelo Euclides, o anel foi formado a partir da luz de uma galáxia que está a 4,4 bilhões de anos-luz da Terra, curvada pela galáxia NGC 6505, localizada a 590 milhões de anos-luz. O alinhamento raro entre essas galáxias produziu um anel perfeito, o primeiro encontrado pelo telescópio desde seu lançamento.

Um fenômeno raro e valioso

A descoberta é tão incomum que a própria ESA estima que o telescópio Euclides encontrará no máximo 20 anéis de Einstein durante toda a sua operação. Por isso, este primeiro anel poderá receber o nome de “anel de Altieri”, em homenagem ao pesquisador Bruno Altieri, responsável pela descoberta.

Além de sua beleza visual, o anel oferece uma oportunidade única para os cientistas estudarem a massa da galáxia NGC 6505, incluindo a misteriosa matéria escura. Com base no desvio da luz, os pesquisadores calcularam que cerca de 11% da massa no centro da galáxia é composta por matéria escura — um dado relevante, considerando que essa substância, embora invisível, representa 85% da matéria total do universo.

A missão do Euclides e o futuro da cosmologia

Lançado em julho de 2023, o telescópio espacial Euclides foi projetado para mapear em 3D o universo com uma precisão nunca antes alcançada. Seu objetivo é cobrir cerca de 14.000 graus quadrados do céu, registrando mais de 100.000 lentes gravitacionais ao longo da missão. Esses dados permitirão aos cientistas entender melhor como a matéria visível e a matéria escura se distribuíram ao longo da história do universo.

A confirmação da teoria de Einstein, 110 anos depois, reforça a importância de continuar explorando o cosmos. Com cada nova imagem captada, o Euclides nos aproxima de respostas sobre a origem, a composição e o destino do universo.

[Fonte: Terra]

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