O El Niño está ganhando força e deve alcançar sua intensidade máxima por volta de dezembro, segundo um alerta divulgado nesta quinta-feira (8) pela Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU. O episódio pode se tornar um dos mais intensos desde pelo menos 1950. A expectativa é de temperaturas acima da média em grande parte do planeta, acompanhadas por mudanças na distribuição das chuvas.
O Pacífico pode alcançar um novo recorde

As projeções reunidas no boletim climático para outubro a dezembro de 2026 apontam uma anomalia média de aproximadamente 3,7 °C na região monitorada pelo índice Niño 3.4 Esse valor representa a diferença entre a temperatura superficial do oceano e a média de referência.
Portanto, o número não significa que todo o planeta ficará 3,7 °C mais quente. A previsão se refere a uma área específica do Pacífico equatorial, fundamental para acompanhar a evolução do fenômeno.
Se confirmado, o resultado ultrapassará o recorde anterior de 2,6 °C registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. Além disso, os modelos indicam que o aquecimento continuará aumentando antes do pico previsto para dezembro.
A previsão ainda é uma estimativa. O recorde dependerá das temperaturas efetivamente observadas ao longo dos próximos meses.
Como o oceano modifica o clima
O funcionamento do El Niño, explicado pela agência americana NOAA, envolve uma interação entre o oceano e a atmosfera.Quando os ventos alísios enfraquecem, águas quentes se deslocam para as regiões central e oriental do Pacífico tropical.
Essa mudança altera onde calor e umidade chegam à atmosfera. Como consequência, os padrões de circulação e de chuva também se reorganizam, com efeitos que podem alcançar regiões distantes.
O fenômeno integra um ciclo natural chamado El Niño–Oscilação Sul. Sua fase oposta, a La Niña, apresenta águas mais frias que a média em parte do Pacífico equatorial.
Embora os impactos sejam mais fortes nos trópicos, o El Niño pode modificar condições meteorológicas em diferentes continentes. A intensidade do episódio influencia as probabilidades desses efeitos, mas não determina sozinha o que acontecerá em cada local.
Mais chuva em algumas regiões, menos em outras

O alerta sobre o fortalecimento do fenômeno indica maior probabilidade de condições úmidas no sudeste da América do Sul. O noroeste do continente, por outro lado, aparece entre as áreas com tendência a condições mais secas.
Outras regiões também podem enfrentar alterações importantes. A distribuição desigual das chuvas aumenta a preocupação com secas e enchentes, enquanto temperaturas elevadas podem agravar os efeitos sobre comunidades e atividades econômicas.
Essas projeções descrevem tendências para uma estação inteira. Não significam que choverá mais ou fará mais calor todos os dias. Também não permitem antecipar, isoladamente, uma enchente ou uma onda de calor em determinada cidade.
O pico não representa o fim do episódio
A probabilidade de o El Niño persistir até fevereiro de 2027 é próxima de 100%, segundo a avaliação da OMM. Assim, atingir a intensidade máxima em dezembro não significa desaparecer logo depois.
O acompanhamento dos próximos meses será importante para atualizar as estimativas e orientar medidas de preparação. Informações sazonais ajudam a reconhecer riscos com antecedência, enquanto os serviços meteorológicos nacionais e locais detalham sua evolução.
Para agricultores, gestores de água e equipes de emergência, essa combinação permite planejar respostas conforme as condições de cada região. O principal sinal do alerta é que a influência do El Niño poderá continuar além do fim de 2026.