Os cientistas identificaram pelo menos três nuvens de partículas solares que poderão interagir com a magnetosfera terrestre ao longo do fim de semana. A previsão é de uma tempestade de intensidade moderada, classificada como G2, que poderá provocar efeitos temporários em sistemas tecnológicos e ampliar a área de observação das auroras.
Três erupções solares podem afetar a Terra até domingo

A origem da atividade está associada à região solar AR4549, uma área de manchas solares que apresentou instabilidade magnética nos últimos dias.
Essa região produziu erupções capazes de lançar material da atmosfera externa do Sol para o espaço. O fenômeno é conhecido como ejeção de massa coronal (EMC) e pode transportar bilhões de toneladas de plasma e campos magnéticos pelo Sistema Solar.
De acordo com os alertas do Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA, agência norte-americana responsável pelo monitoramento da atividade solar, a primeira nuvem deverá alcançar a Terra na sexta-feira, 9 de outubro.
O impacto poderá provocar o período de maior instabilidade geomagnética, com possibilidade de atingir o nível G2.
Outras duas nuvens de partículas deverão passar próximas ao planeta no sábado (10) e no domingo (11). Esses encontros poderão prolongar a atividade magnética durante o fim de semana, embora a intensidade real dependa das características do material solar.
As previsões podem mudar conforme novos dados sejam coletados por satélites e observatórios espaciais.
Onde será possível observar as auroras boreais?
As auroras são fenômenos luminosos produzidos quando partículas energéticas interagem com gases presentes nas camadas superiores da atmosfera terrestre.
Normalmente, essas luzes aparecem em regiões próximas aos polos magnéticos. Entretanto, durante tempestades geomagnéticas mais intensas, a área de ocorrência pode se expandir para latitudes menores.
Caso a tempestade alcance a intensidade prevista, moradores de regiões do norte dos Estados Unidos, incluindo áreas de Nova York e Idaho, poderão ter a oportunidade de observar auroras boreais.
Na Europa, a Escócia e outras regiões do norte do Reino Unido também estão entre os locais com possibilidade de visualização.
No Hemisfério Sul, o fenômeno poderá ser observado em áreas do sul da Nova Zelândia e na Tasmânia, na Austrália, onde recebe o nome de aurora austral.
O Brasil não está entre as regiões com previsão de visibilidade, pois sua localização geográfica fica distante das áreas normalmente afetadas por tempestades dessa intensidade.
A possibilidade de observação também depende da ausência de nuvens, da intensidade da atividade geomagnética e da quantidade de iluminação artificial.
Como uma tempestade solar produz luzes coloridas no céu?

O campo magnético terrestre funciona como uma barreira natural contra grande parte das partículas carregadas provenientes do Sol.
Quando uma ejeção de massa coronal atinge essa proteção, pode ocorrer uma transferência de energia que provoca perturbações temporárias na magnetosfera.
Parte dessa energia é direcionada para as regiões polares, onde partículas energéticas interagem com átomos e moléculas de oxigênio e nitrogênio presentes na atmosfera.
Essas interações fazem com que os gases liberem energia na forma de luz, produzindo os tons verdes, vermelhos, violetas e azulados característicos das auroras.
A NASA explica que as diferentes cores das auroras dependem principalmente dos gases envolvidos e da altitude em que ocorrem as interações.
Quanto maior a intensidade da tempestade geomagnética, maior poderá ser a expansão da região iluminada em direção a latitudes mais baixas.
Tempestade geomagnética oferece riscos à população?
A escala utilizada pela NOAA classifica as tempestades geomagnéticas em cinco níveis, de G1, considerado menor, até G5, classificado como extremo.
Uma tempestade G2 representa uma perturbação moderada e, normalmente, não oferece riscos diretos às pessoas na superfície terrestre.
Entretanto, esse tipo de evento pode provocar pequenas oscilações em redes elétricas localizadas em latitudes elevadas, além de interferências temporárias nas comunicações por rádio de alta frequência.
Sistemas de navegação por satélite também podem apresentar pequenas alterações de precisão durante períodos de maior atividade geomagnética.
Esses efeitos são monitorados por agências especializadas, que acompanham continuamente o comportamento do vento solar e as condições do campo magnético terrestre.
Como acompanhar a chegada das auroras em tempo real?
Para quem está nas regiões com possibilidade de observação, o momento exato da chegada da tempestade será determinante.
A NOAA disponibiliza um mapa de previsão de auroras atualizado continuamente, capaz de estimar a localização e a intensidade do fenômeno com antecedência aproximada de 30 a 90 minutos.
A ferramenta permite acompanhar a expansão das áreas iluminadas nos hemisférios Norte e Sul.
Os especialistas recomendam procurar locais afastados das luzes das cidades, com horizonte desobstruído e céu limpo, preferencialmente durante a noite.
Embora a tempestade prevista para este fim de semana seja considerada moderada, a sequência de erupções solares demonstra como a atividade do Sol pode produzir efeitos perceptíveis a milhões de quilômetros de distância.
O episódio também reforça a importância do monitoramento espacial para antecipar fenômenos capazes de afetar tecnologias essenciais e, ao mesmo tempo, proporcionar um dos espetáculos naturais mais impressionantes do planeta.