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Ciência

Ela tem apenas 25 anos e desenvolveu um gel que pode ajudar o coração a reparar danos deixados por um infarto

Um hidrogel produzido a partir de tecido placentário apresentou resultados promissores em laboratório e agora avança para novos testes. A tecnologia mira uma das maiores limitações do coração após um infarto.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Sobreviver a um infarto não significa que o coração conseguiu se recuperar completamente. Parte do músculo atingido pode ser substituída por uma cicatriz permanente, comprometendo seu funcionamento ao longo dos anos. Agora, uma jovem bióloga e sua equipe trabalham em uma alternativa surpreendente: um material injetável desenvolvido a partir de tecido placentário que pretende criar condições para favorecer a recuperação da região lesionada.

Uma bióloga de 25 anos está por trás de uma pesquisa que chama atenção

Pilar Ferrer, de apenas 25 anos, é formada em Ciências Biológicas pela Universidade Favaloro e participa de um projeto que tenta enfrentar um dos grandes desafios da medicina regenerativa: reparar os danos permanentes provocados por um infarto no músculo cardíaco.

A pesquisa trabalha no desenvolvimento de um hidrogel injetável capaz de ser aplicado diretamente sobre o tecido lesionado.

Ferrer é bolsista de doutorado do CONICET no Instituto de Medicina Translacional, Transplante e Bioengenharia (IMETTyB) e integra o Laboratório de Medicina Regenerativa Cardiovascular, dirigido pelas pesquisadoras Daniela Olea e María del Rosario Bauzá.

O projeto também conta com a colaboração da Amnios BMA, especializada no processamento de membrana amniótica.

Por trás da pesquisa existe uma pergunta que a medicina tenta responder há muito tempo: seria possível criar condições para que uma região do coração lesionada por um infarto consiga recuperar parte do tecido perdido?

É justamente nesse ponto que entra o hidrogel.

O problema começa quando o coração tenta cicatrizar depois do infarto

Durante um infarto, a interrupção do fluxo sanguíneo impede que uma região do coração receba oxigênio suficiente. Dependendo da duração e da extensão do episódio, células do músculo cardíaco podem morrer.

O tratamento rápido consegue salvar vidas e limitar os danos, mas existe uma dificuldade adicional.

O coração humano possui capacidade muito limitada de regenerar o músculo perdido.

Como consequência, a região afetada pode ser substituída por tecido cicatricial. Essa cicatriz ajuda a manter a estrutura do órgão, mas não consegue desempenhar as mesmas funções do músculo cardíaco saudável.

Com o passar do tempo, isso pode favorecer complicações como insuficiência cardíaca e alterações graves no ritmo do coração. Em situações mais avançadas, alguns pacientes podem chegar à necessidade de um transplante.

O hidrogel estudado pela equipe de Ferrer pretende atuar justamente nesse ambiente.

A ideia é aplicar o material diretamente sobre a região lesionada para criar uma espécie de suporte biológico capaz de oferecer melhores condições para as células saudáveis ao redor.

E o material escolhido para construir essa estrutura vem de uma fonte bastante inesperada.

O segredo do hidrogel está em uma estrutura encontrada na placenta

Ela tem apenas 25 anos e desenvolveu um gel que pode ajudar o coração a reparar danos deixados por um infarto
© Hannah Barata -Pexels

A matéria-prima utilizada no desenvolvimento é a membrana amniótica, um tecido associado à placenta que já possui diferentes aplicações na medicina, inclusive em tratamentos relacionados a feridas e queimaduras.

Mas existe um detalhe importante: o hidrogel desenvolvido pela equipe não utiliza células-tronco.

Um tecido é formado não apenas por células, mas também por uma estrutura ao redor delas, conhecida como matriz extracelular. É justamente esse suporte que interessa aos pesquisadores.

Depois de processada, essa matriz pode ser transformada em um material capaz de ser aplicado na região cardíaca lesionada.

A proposta é que o hidrogel funcione como uma espécie de “andaime” biológico temporário.

Em vez de simplesmente substituir o tecido perdido, ele pretende criar um ambiente mais favorável para a atividade das células saudáveis e para processos associados à reparação do coração.

Essa característica torna a tecnologia especialmente interessante porque procura trabalhar junto aos mecanismos biológicos do próprio organismo.

Mas entre funcionar em células dentro de um laboratório e se transformar em um tratamento disponível para pacientes existe um caminho científico longo.

Os primeiros resultados foram promissores e agora começa uma etapa decisiva

O desenvolvimento já superou sua fase inicial de testes realizados com células.

Segundo os pesquisadores, os resultados obtidos nessa etapa foram considerados animadores, permitindo que o projeto avançasse para uma fase mais complexa: os estudos em animais.

Esses experimentos são fundamentais.

Eles permitem observar como o hidrogel se comporta dentro de um organismo vivo, avaliar possíveis efeitos adversos e descobrir se os benefícios observados em condições laboratoriais conseguem se repetir em um sistema biológico muito mais complexo.

Também será necessário determinar aspectos como quantidade, forma de aplicação, permanência do material no organismo e capacidade efetiva de contribuir para a recuperação da região cardíaca lesionada.

Somente depois de resultados suficientemente consistentes poderão ser consideradas as etapas necessárias para iniciar estudos clínicos em seres humanos.

Portanto, ainda não se trata de um tratamento disponível para pessoas que sofreram infarto.

O hidrogel permanece em fase experimental e terá de superar diferentes avaliações científicas e regulatórias antes de chegar aos hospitais.

Ainda assim, o objetivo declarado da equipe é justamente alcançar essa etapa.

Se os próximos experimentos confirmarem os resultados iniciais e demonstrarem segurança, uma estrutura obtida a partir de tecido placentário poderá abrir uma nova possibilidade para enfrentar uma das consequências mais difíceis do infarto.

A grande promessa não está em fazer um coração simplesmente voltar ao estado anterior, mas em encontrar uma maneira de ajudá-lo a lidar melhor com algo que naturalmente faz com enorme dificuldade: reconstruir o tecido que perdeu.

[Fonte: Noticias]

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