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Ciência

Emagrecimento e saúde muscular nem sempre caminham juntos

O jejum em dias alternados ganhou fama como estratégia eficaz para perder gordura. Mas novas evidências científicas indicam que seus efeitos vão além do emagrecimento. Um estudo recente acende um alerta importante sobre o que pode estar sendo perdido junto com o peso na balança.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O interesse por métodos de emagrecimento rápidos e eficientes nunca foi tão alto. Entre eles, o jejum em dias alternados se popularizou por prometer redução de peso sem a necessidade de controlar horários diários de refeições. No entanto, a ciência começa a mostrar que os resultados podem exigir mais cautela do que se imaginava.

O que é o jejum em dias alternados

Conhecido pela sigla ADF (Alternate Day Fasting), o jejum em dias alternados funciona com a alternância entre dias de forte restrição calórica e dias de alimentação livre. Nos dias de jejum, o consumo é limitado a uma pequena refeição, geralmente entre 400 e 600 calorias. Nos dias seguintes, não há restrições específicas.

Diferente do jejum intermitente tradicional, que foca em janelas de horário, o ADF trabalha com ciclos completos de 24 horas. Estudos anteriores já associaram esse método a redução de peso corporal, diminuição da gordura, melhora nos níveis de colesterol, triglicerídeos e alguns marcadores cardiovasculares.

O estudo que levantou o alerta

Pesquisadores de Singapura publicaram na revista científica Nutrients um estudo focado especificamente nos efeitos do ADF sobre a massa muscular. A pesquisa acompanhou 37 homens jovens, com idades entre 21 e 35 anos, todos com sobrepeso e índice de massa corporal médio de 26,7 kg/m².

Durante quatro semanas, os participantes seguiram o protocolo de jejum em dias alternados. Nos dias de restrição, consumiam apenas líquidos sem calorias e uma refeição pequena. Nos dias sem restrição, podiam se alimentar livremente.

Proteína não foi suficiente para proteger os músculos

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles seguiu o ADF sem suplementação, enquanto o outro recebeu proteína do soro do leite (whey protein) nos dias de jejum. A ideia era verificar se a ingestão extra de proteína ajudaria a preservar a massa muscular.

Ao final do experimento, ambos os grupos apresentaram perda de peso e redução significativa do percentual de gordura corporal. No entanto, também houve diminuição da massa muscular em todos os participantes, inclusive entre aqueles que receberam suplementação proteica.

Segundo os pesquisadores, a quantidade de proteína oferecida pode ter sido insuficiente para evitar esse efeito. Além disso, a ingestão total de proteínas nos dias de alimentação livre não foi rigorosamente controlada, o que pode ter contribuído para os resultados.

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© FreePik

O jejum funciona para emagrecer?

Os autores do estudo são claros: o jejum em dias alternados é eficaz para reduzir peso e gordura corporal, mas não protege automaticamente a musculatura. Isso é um ponto crítico, já que a massa muscular é fundamental para o metabolismo, a força física e a saúde a longo prazo.

A perda de músculo pode comprometer resultados futuros, favorecer o reganho de peso e afetar a qualidade de vida, especialmente ao longo do envelhecimento.

Caminhos para tornar a estratégia mais segura

Especialistas sugerem que o ADF pode se tornar uma ferramenta mais equilibrada se for combinado com outras estratégias. Entre elas estão o aumento da ingestão proteica total, a prática regular de treinamento de força e o uso de suplementos específicos, como leucina ou aminoácidos essenciais.

A principal conclusão é que o método não deve ser adotado de forma isolada ou sem acompanhamento. Para quem considera o jejum em dias alternados, a orientação de profissionais de saúde, aliada a um plano alimentar bem estruturado e exercícios adequados, é essencial para emagrecer sem sacrificar a saúde muscular.

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