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Tecnologia

Enquanto a Europa ainda decide o futuro do carro elétrico, a China já traçou seu caminho até 2040

A meta é ambiciosa: 85% dos carros vendidos na China em 2040 serão elétricos ou híbridos plug-in. Mas o país quer ir além — quer transformar a mobilidade autônoma em parte do cotidiano e liderar a próxima revolução automotiva.
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Tempo de leitura: 3 minutos

 A China acaba de apresentar um plano detalhado para dominar o futuro da indústria automotiva até 2040. Com foco em veículos elétricos, automação e redução drástica de emissões, o país busca consolidar sua liderança global, enquanto Europa e Estados Unidos ainda debatem como equilibrar sustentabilidade, indústria e competitividade.

A nova estratégia do gigante automotivo

Carros Elétricos
© Eren Goldman – Unsplash

Enquanto a União Europeia discute como abandonar o motor a combustão e enfrenta resistência de montadoras tradicionais, a China já colocou tudo no papel. A China Society of Automotive Engineers (CSAE) revelou o Energy-Saving and New Energy Vehicle Technology Roadmap 3.0, documento que define a direção do setor até 2040.

Foram 18 meses de trabalho e 2.000 especialistas envolvidos na criação da nova “bíblia” automotiva chinesa. O foco é duplo: acelerar a eletrificação da frota e preparar o terreno para veículos autônomos — tudo isso com uma meta de emissões 60% menores até 2040.

O conceito 1+5+26: o motor da transformação

A CSAE estruturou seu plano em torno de um conceito estratégico: 1+5+26.

  • 1 grande roadmap geral define os objetivos macro.

  • 5 grupos tecnológicos organizam as áreas prioritárias de inovação.

  • 26 temas de pesquisa aprofundam o desenvolvimento de soluções específicas.

Entre as metas mais ambiciosas:

  • As emissões da indústria automotiva devem atingir seu pico em 2028 e cair 60% até 2040.

  • 85% dos carros vendidos em 2040 serão de “nova energia” — elétricos e híbridos plug-in — e 80% deles totalmente elétricos.

  • A partir de 2035, todo carro de passeio será, no mínimo, híbrido.

  • Tecnologias de condução autônoma de nível 4 e 5 devem se tornar comuns, com veículos totalmente independentes de fatores climáticos ou luminosos.

Uma revolução também na indústria

O presidente da CSAE, Zhang Jinhua, destacou que esta versão da roadmap se diferencia das anteriores por seu foco produtivo: não basta desenvolver tecnologia — é preciso industrializá-la de forma limpa e eficiente.

O plano prevê a criação de uma rede integrada na nuvem para suportar veículos autônomos, com sistemas conectados de segurança e monitoramento em tempo real. O objetivo final é ousado: “zero acidentes, zero vítimas e alta eficiência”.

Para alcançar isso, será implantado um novo sistema de classificação e métricas ambientais, incentivando montadoras a reduzir custos e otimizar processos por meio da análise de dados e integração digital de toda a cadeia — da fabricação ao pós-venda.

Baterias de estado sólido e a aposta de 2035

Carros Hidrogenio
© CHUTTERSNAP – Unsplash

Um dos pilares da estratégia é o avanço das baterias de estado sólido, consideradas o “santo graal” da eletrificação por oferecerem autonomia superior a mil quilômetros e maior segurança.

A China quer iniciar sua produção em pequena escala até 2030, com um salto industrial previsto para 2035, quando espera que essa tecnologia domine o mercado global.

Uma década de evolução acelerada

A primeira versão do plano, lançada em 2016, envolveu 500 especialistas e focava sete tecnologias-chave — desde carros elétricos e de hidrogênio até veículos conectados e leves. Em 2020, o programa foi expandido para o modelo 1+9, com 1.000 participantes e metas ambientais mais rigorosas.

Agora, com o Roadmap 3.0, a China dobra a aposta. E o resultado já aparece: a previsão para 2025 era que os carros de “nova energia” representassem 20% das vendas. Em setembro de 2025, essa fatia já ultrapassava 50%.

O caminho até 2040

Com metas claras, prazos definidos e uma máquina estatal e industrial perfeitamente alinhada, a China mostra que não pretende apenas seguir a transição elétrica — ela quer liderá-la.

Enquanto a Europa ainda debate como equilibrar empregos, meio ambiente e competitividade, Pequim avança como um bloco único, transformando sua visão em realidade.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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