Pular para o conteúdo
Ciência

Estação científica na Antártida registra a temperatura mais baixa da Terra desde 2012

Base Concordia registrou -84,1 °C durante o inverno antártico. Cientistas explicam por que esse frio extremo não contradiz o aquecimento global.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O interior da Antártida voltou a chamar a atenção da comunidade científica após registrar a temperatura mais baixa medida na Terra desde 2012. Durante o inverno do hemisfério sul, a estação de pesquisa Concordia marcou impressionantes -84,1 °C, reforçando as condições extremas do continente mais frio do planeta.

Embora o recorde possa parecer contraditório em meio às discussões sobre as mudanças climáticas, especialistas destacam que eventos isolados de frio intenso não anulam a tendência de aquecimento global, já que clima e tempo atmosférico operam em escalas diferentes.

Concordia registrou a menor temperatura da Terra em mais de uma década

Existe Um Vulcão Na Antártida Que Lança Cristais De Ouro Na Atmosfera — E Os Cientistas Ainda Não Sabem Exatamente Como Isso Acontece
© Copernicus Sentinel-2

Segundo a Smithsonian Magazine, a estação científica Concordia registrou -119,4 graus Fahrenheit, equivalentes a -84,1 °C, no dia 18 de julho. A medição foi confirmada duas vezes, às 6h25 e às 6h34 da manhã, tornando-se a menor temperatura oficialmente registrada na Terra desde 2012.

A estação é administrada em conjunto pelo Programa Nacional de Pesquisa Antártica da Itália e pelo Instituto Polar Francês Paul-Émile Victor. Ela está localizada sobre uma camada de gelo com cerca de 3.292 metros de espessura, no alto do planalto da Antártida Oriental, a mais de 965 quilômetros da costa. Essa posição favorece a formação de algumas das condições atmosféricas mais rigorosas do planeta.

Apesar do novo recorde recente, a estação já registrou temperaturas ainda menores. Em 2010, os termômetros marcaram -85,8 °C, que continua sendo o menor valor já observado em Concordia.

O frio extremo faz parte da rotina dos pesquisadores

Os cientistas que vivem e trabalham em Concordia estão acostumados a enfrentar temperaturas próximas de -80 °C durante boa parte do inverno antártico. Ainda assim, o registro deste ano chamou a atenção até mesmo dos pesquisadores mais experientes.

Em declarações reproduzidas pela Live Science, o químico atmosférico, glaciologista e chefe da estação, Gabriele Carugati, classificou as medições como “extraordinárias” e afirmou que elas demonstram como o clima da Antártida ainda pode apresentar grande variabilidade.

Segundo Carugati, esse tipo de evento não deve ser interpretado como uma evidência contra o aquecimento global.

“O aquecimento global descreve tendências de longo prazo em escala planetária, enquanto eventos meteorológicos isolados ainda podem produzir episódios excepcionais de frio“, explicou o pesquisador.

Ele acrescentou que a Antártida é influenciada por processos atmosféricos extremamente complexos, o que significa que uma temperatura muito baixa em uma região específica não altera o quadro geral de aumento da temperatura média do planeta.

A Antártida continua sofrendo os efeitos do aquecimento global

A pequena criatura escondida sob o gelo da Antártida que pode mudar a luta contra um dos cânceres mais agressivos
© Unsplash

Mesmo registrando episódios extremos de frio, a Antártida segue enfrentando mudanças provocadas pelo aquecimento global.

O continente perde massa de gelo continuamente, enquanto o Oceano Austral apresenta um aquecimento gradual. Essas alterações afetam diretamente diversos organismos que dependem desse ecossistema.

Entre os mais vulneráveis está o krill antártico, espécie essencial para a cadeia alimentar marinha. Populações de pinguins e focas-peludas antárticas também sofrem os impactos das mudanças no gelo marinho e nas condições do oceano, que afetam sua alimentação e reprodução.

Do frio recorde a um inverno surpreendentemente quente

Curiosamente, o novo recorde de frio aconteceu poucas semanas depois de outro evento climático incomum registrado no mesmo continente, mas com características completamente opostas.

No dia 6 de junho, a base argentina Esperanza, localizada na Península Antártica, registrou 15,2 °C, a maior temperatura já medida durante o inverno naquela região.

A marca ocorreu durante uma intensa onda de calor, que manteve as temperaturas acima do ponto de congelamento por aproximadamente três semanas consecutivas.

Em entrevista ao The Guardian, o climatologista Raúl Cordero, da Universidade de Groningen, classificou a situação como “uma verdadeira loucura”. Segundo ele, as temperaturas ficaram cerca de 2 °C acima da média para o período, configurando uma anomalia climática extremamente significativa.

Apesar do novo registro em Concordia, o recorde absoluto oficial de frio na superfície terrestre continua pertencendo à estação russa Vostok, também localizada na Antártida Oriental. Em 21 de julho de 1983, os instrumentos registraram impressionantes -89,2 °C, a menor temperatura oficialmente medida na Terra.

 

[ Fonte: Infobae ]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados