Pular para o conteúdo
Tecnologia

Este pequeno robô não tem motor, mas consegue saltar dezenas de vezes a própria altura

Pesquisadores desenvolveram um robô macio capaz de repetir movimentos surpreendentes sem motores convencionais. O segredo está escondido na própria estrutura do dispositivo.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine um pequeno robô que não precisa de rodas, engrenagens ou um motor para se movimentar. Em vez disso, ele recebe energia de uma fonte externa, acumula essa energia em seu próprio corpo e a transforma em movimento. Parece simples, mas o resultado é bastante incomum: dependendo de como foi construído, o dispositivo consegue avançar, saltar e até disparar para cima repetidamente.

O movimento começa de uma maneira quase imperceptível

O dispositivo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e tem um formato que lembra o contorno de uma lágrima. Sua estrutura é formada principalmente por uma fita de elastômero de cristal líquido, um material flexível capaz de mudar de forma quando recebe energia.

Em uma das extremidades existe uma pequena peça rígida de alumínio em formato de V. É justamente a combinação desses dois elementos que transforma uma deformação aparentemente simples em um movimento muito mais impressionante.

Quando uma fonte de luz infravermelha é direcionada ao robô, a superfície do elastômero começa a se contrair. A fita então passa a girar, mas a peça rígida impede que toda a estrutura simplesmente role sobre si mesma.

O resultado é uma torção progressiva. O material vai acumulando energia elástica, de maneira semelhante ao que acontece quando uma faixa de borracha é torcida.

A cada instante, mais energia fica armazenada na estrutura. Até que chega um momento em que o sistema alcança um ponto crítico.

É aí que o comportamento do pequeno robô muda completamente.

Uma pequena mudança transforma a torção em um salto

Quando a energia acumulada é liberada de uma só vez, a peça de alumínio em forma de V atinge o chão e impulsiona o robô para o alto. O mais curioso, porém, acontece depois do salto.

Enquanto permanece no ar, a estrutura começa a se desenrolar e recuperar sua configuração original. Quando volta a tocar o chão, já está praticamente preparada para iniciar novamente o mesmo processo.

Assim, se continuar recebendo luz infravermelha suficiente, o robô pode repetir o ciclo sucessivas vezes sem precisar que alguém o reposicione ou acione um mecanismo externo.

Os pesquisadores também descobriram que a geometria da peça de alumínio exerce uma influência enorme sobre o comportamento do dispositivo.

Com um ângulo de aproximadamente 120 graus, por exemplo, o robô tende a se deslocar de maneira mais rasteira. Quando o ângulo cai para cerca de 90 graus, o movimento se transforma em saltos para frente.

Já com aproximadamente 50 graus, o pequeno dispositivo consegue realizar saltos predominantemente verticais.

O centro de massa também pode ser ajustado para melhorar a estabilidade e controlar o deslocamento.

Nos modelos mais bem ajustados, os pesquisadores registraram saltos verticais superiores a 80 vezes a altura do próprio robô. No deslocamento horizontal, o dispositivo conseguiu percorrer mais de três vezes o comprimento de seu corpo.

O verdadeiro teste aconteceu longe da bancada

Para descobrir se o mecanismo funcionaria apenas em condições controladas, a equipe levou os experimentos para diferentes tipos de terreno.

O robô foi testado sobre grama, areia, pedras, cobertura vegetal, superfícies inclinadas e até regiões onde água e terra se encontram.

Esse detalhe é importante porque um dos grandes desafios da robótica é desenvolver máquinas capazes de se locomover em ambientes irregulares sem depender necessariamente de rodas, pernas rígidas ou sistemas mecânicos complexos.

É justamente nesse cenário que a robótica macia pode ganhar espaço. Em vez de tentar reproduzir a arquitetura tradicional de uma máquina, esses sistemas utilizam materiais flexíveis capazes de deformar, armazenar energia e produzir movimento.

Por enquanto, os pesquisadores deixam claro que o dispositivo não possui uma aplicação comercial imediata. Ainda assim, o conceito pode abrir caminho para pequenos robôs destinados à exploração de terrenos difíceis, operações em ambientes onde máquinas convencionais encontram obstáculos ou até sistemas capazes de se deslocar em grupo.

O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

No fim, a grande inovação está justamente em algo que parece simples: a luz fornece energia, o material a armazena por meio da torção e a própria estrutura transforma essa energia em movimento.

Ou seja, não é preciso um motor tradicional para fazer o robô saltar. Basta manter o sistema recebendo a energia necessária para que ele continue se preparando e repetindo o movimento.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados