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Ciência

Blue Origin recebeu uma missão da NASA que pode transformar a exploração de Marte

Uma nova infraestrutura espacial promete resolver um dos problemas menos visíveis da exploração de Marte: como manter cada vez mais missões conectadas enquanto a quantidade de dados não para de crescer.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Explorar Marte não significa apenas pousar robôs, analisar rochas ou procurar sinais de vida. Existe uma infraestrutura invisível por trás de praticamente tudo isso: a capacidade de enviar e receber informações a milhões de quilômetros de distância. Conforme o número de missões aumenta, os sistemas atuais começam a enfrentar um desafio que será ainda maior no futuro. Agora, a NASA decidiu preparar uma solução de outra escala.

O problema que aparece quando Marte fica mais movimentado

Rovers, módulos de pouso e orbitadores marcianos produzem enormes quantidades de dados. Imagens de alta resolução, medições científicas, comandos, informações de navegação e comunicações operacionais precisam chegar aos centros de controle na Terra.

Hoje, parte dessa tarefa depende de orbitadores que funcionam como repetidores. O sistema é eficiente, mas foi desenvolvido para um cenário em que havia relativamente poucas missões trabalhando simultaneamente ao redor do planeta.

Esse cenário pode mudar rapidamente nas próximas décadas. Mais robôs significam mais dados e mais necessidade de comunicação constante. Se futuras missões tripuladas forem adicionadas à equação, a demanda será ainda maior.

É justamente nesse ponto que entra o novo projeto da NASA. A agência selecionou a Blue Origin para desenvolver uma infraestrutura dedicada às comunicações marcianas. O contrato pode chegar a cerca de US$ 700 milhões e prevê a entrega do principal veículo até o fim de 2028.

A expectativa é que o sistema comece a operar por volta de 2030.

O novo satélite funcionará como um intermediário

A peça central da proposta será o Mars Telecommunications Orbiter (MTO), um satélite que ficará em órbita de Marte e terá uma função relativamente simples de explicar: receber informações das missões próximas ao planeta e retransmiti-las para a Terra.

Na prática, ele funcionará como uma espécie de grande repetidor espacial.

Rovers e módulos poderão enviar seus dados ao MTO, que ficará responsável por encaminhá-los às estações terrestres. O sistema também poderá distribuir informações e serviços de navegação entre diferentes veículos marcianos.

A diferença estará principalmente na capacidade e na continuidade da comunicação. A NASA pretende criar uma infraestrutura capaz de lidar com um volume de dados muito maior e oferecer mais flexibilidade às missões.

Para construir o MTO, a Blue Origin partirá de uma plataforma que já está sendo produzida pela empresa: o Blue Ring, desenvolvido em Huntsville, no Alabama.

A arquitetura combina propulsão química e elétrica solar, permitindo diferentes estratégias para manobras e deslocamentos prolongados. A plataforma também foi projetada para transportar cargas úteis e oferecer recursos de comunicação, processamento e armazenamento de dados.

Marte pode ganhar algo parecido com uma rede própria

O projeto não significa que astronautas terão uma conexão de internet semelhante à disponível na Terra. A distância entre os dois planetas continuará impondo atrasos de vários minutos para que uma mensagem atravesse o espaço.

A proposta é outra: criar uma infraestrutura orbital dedicada que torne a comunicação entre as diferentes missões muito mais organizada, resistente e capaz de acompanhar o crescimento da exploração marciana.

A NASA já trabalha com tecnologias como a Delay/Disruption Tolerant Networking (DTN), desenvolvida para lidar justamente com redes em que atrasos e interrupções são inevitáveis.

Nesse contexto, o MTO seria mais uma peça de uma estratégia maior para levar as comunicações espaciais além da órbita terrestre.

E existe uma razão para isso ser tão importante. Antes de Marte receber uma quantidade muito maior de robôs e, eventualmente, seres humanos, será necessário garantir que essas missões consigam conversar entre si e com a Terra.

O projeto escolhido pela NASA representa justamente esse passo: transformar a comunicação em uma infraestrutura permanente ao redor de Marte, em vez de depender apenas dos sistemas criados para uma era de poucas missões.

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