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Tecnologia

O PISA encontrou um comportamento preocupante — e ele pode estar acontecendo dentro das empresas

Os resultados de uma conhecida avaliação internacional escondem um alerta que vai muito além das escolas. Em plena corrida pela inteligência artificial, empresas também deveriam prestar atenção.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma prova aplicada a adolescentes de diferentes países parece ter pouco a dizer sobre reuniões corporativas, relatórios financeiros ou decisões tomadas por executivos. Mas os resultados mais recentes do PISA revelam um comportamento que pode estar se repetindo diariamente nos escritórios. Em um mundo onde a inteligência artificial entrega respostas em segundos, saber usar tecnologia deixou de ser suficiente. O verdadeiro diferencial começa justamente depois que a máquina responde.

O problema não está apenas dentro das salas de aula

O PISA encontrou um comportamento preocupante — e ele pode estar acontecendo dentro das empresas
© Pexels

Os resultados do PISA 2025 voltaram a colocar a educação no centro das discussões. A avaliação internacional analisa diferentes capacidades dos estudantes, incluindo compreensão de informações, resolução de problemas e avaliação de fontes.

Mas existe outra maneira de interpretar esses dados.

Segundo uma análise da especialista em inovação e liderança Micaela Akawie, publicada originalmente pela Forbes, algumas das dificuldades identificadas entre os estudantes encontram paralelos diretos no mercado de trabalho.

Um dos sinais mais interessantes aparece na leitura.

Os resultados indicam dificuldades para avaliar se uma fonte é confiável, combinar informações provenientes de diferentes textos e analisar conteúdos criticamente. Além disso, a proporção dos chamados “leitores apressados” praticamente dobrou entre 2018 e 2025.

São pessoas que percorrem rapidamente as informações e respondem depressa, mas acabam cometendo mais erros.

Agora basta transportar esse comportamento para uma empresa.

Em vez de textos escolares, coloque relatórios, apresentações, pesquisas de mercado e indicadores. No lugar das perguntas de uma prova, imagine decisões que podem movimentar dinheiro, alterar uma estratégia ou definir o futuro de um projeto.

E acrescente uma inteligência artificial capaz de produzir uma resposta convincente em poucos segundos.

Nesse momento, o problema deixa de ser exclusivamente educacional.

Ter inteligência artificial disponível não significa saber utilizá-la

O PISA encontrou um comportamento preocupante — e ele pode estar acontecendo dentro das empresas
© Imagem gerada com IA

Nos últimos anos, empresas correram para incorporar ferramentas de IA, automatizar tarefas e oferecer novos recursos aos funcionários.

Só que existe uma diferença entre acesso à tecnologia e capacidade de utilizá-la bem.

Uma IA pode permitir que alguém processe uma quantidade muito maior de informação sem necessariamente melhorar sua capacidade de interpretar esses dados. Da mesma forma, pode entregar uma resposta rapidamente sem garantir que a pergunta original tenha sido boa.

E velocidade não transforma automaticamente uma decisão em uma decisão correta.

Os resultados analisados do PISA apontam justamente para essa diferença: estudantes que utilizam inteligência artificial e, ao mesmo tempo, aprendem a avaliar criticamente suas respostas apresentam desempenho melhor do que aqueles que recorrem à tecnologia sem desenvolver essa capacidade de análise.

Nas empresas, o desafio é parecido.

Implementar uma ferramenta pode levar semanas. Desenvolver pensamento crítico, capacidade de julgamento e novas formas de trabalhar pode levar muito mais tempo.

É por isso que a discussão sobre quais habilidades serão importantes na era da IA começa a fugir daquela antiga divisão entre competências “humanas” e “tecnológicas”.

As duas estão ficando cada vez mais conectadas.

Quanto mais poderosa fica a tecnologia, mais importantes podem se tornar algumas habilidades humanas

Essa aparente contradição também aparece no Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial.

Inteligência artificial e Big Data estão entre as competências cuja importância cresce mais rapidamente. Ao mesmo tempo, empregadores continuam valorizando pensamento analítico, liderança, resiliência, flexibilidade, agilidade e influência social.

Não se trata, portanto, de escolher entre saber trabalhar com IA ou desenvolver habilidades humanas.

O profissional mais preparado pode ser justamente aquele capaz de combinar as duas coisas.

Imagine uma ferramenta que produz 100 ideias para um novo produto em poucos segundos. Tecnicamente, a empresa agora possui muito mais sugestões do que teria conseguido produzir manualmente no mesmo período.

Mas ela não ganhou automaticamente 100 inovações.

Alguém ainda precisa descobrir quais ideias resolvem problemas reais, quais merecem investimento, quais devem ser descartadas e quais podem funcionar depois de testes e ajustes.

Também será necessário convencer outras pessoas, encontrar recursos, coordenar equipes e administrar interesses diferentes.

O PISA encontrou um comportamento preocupante — e ele pode estar acontecendo dentro das empresas
© Christina Morillo – Pexels

A IA acelera a geração de possibilidades. Transformá-las em resultados continua exigindo algo além de um bom prompt.

O maior desafio da era da IA pode começar depois que ela entrega a resposta

É nesse ponto que o papel das lideranças também começa a mudar.

Se uma parcela crescente das tarefas operacionais pode ser acelerada por máquinas, líderes precisam criar ambientes nos quais as pessoas consigam questionar informações, tomar decisões e reconhecer quando uma resposta aparentemente perfeita merece uma segunda análise.

O risco está em transformar velocidade em sinônimo de qualidade.

Uma resposta produzida em dez segundos pode parecer eficiente. Um relatório gerado automaticamente pode ter uma aparência impecável. Uma recomendação da IA pode soar extremamente convincente.

Nada disso garante que esteja correto.

As conclusões extraídas do PISA oferecem, portanto, uma provocação inesperada para o mundo corporativo: distribuir ferramentas não significa desenvolver capacidades.

A tecnologia amplia aquilo que uma pessoa consegue fazer. Mas, quanto mais poderosa ela se torna, maior pode ser a importância de saber o que perguntar, em que confiar, o que questionar e quando não aceitar a primeira resposta.

Talvez seja essa a habilidade mais valiosa de uma empresa cercada por inteligência artificial.

Não simplesmente encontrar respostas mais rápido, mas continuar sabendo pensar depois que elas aparecem.

[Fonte: Yahoo!]

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